Brasil,

Especialista dá dicas de como usar a tecnologia na educação

Pesquisadora afirma que o ponto de partida não é a ferramenta escolhida, mas o conteúdo planejado e a interação

Em meados dos anos 1990, quando começou a ganhar força no mercado a comercialização do computador pessoal (PC) no Brasil, a Dra. Raquel Rosan Christino Gitahy iniciava sua trajetória de produção de estudos científicos sobre o uso da tecnologia da educação. Nesse momento atual, de volumosa atuação tecnológica por professores em todos os níveis, a pesquisadora vinculada à Unoeste é concitada para dar dicas básicas de procedimentos nos processos de ensino e de aprendizagem.

Direto ao assunto, como entende que deve ser, a especialista explica que a preocupação inicial não é a ferramenta a ser utilizada, o ponto de partida é o conteúdo a ser ministrado. O planejamento deve estar associado à metodologia que, necessariamente, precisa ser ativa, já que educação é um procedimento de mão dupla: o de ensinar e o de aprender, que são processos nos quais as duas partes compartilham estudos e vivências, seja no modelo presencial ou remotamente.

“A aprendizagem colaborativa faz todo o sentido da interação, que não é só a tecnologia pela tecnologia e nem só conteúdo, mas a metodologia”; sintetiza, para dizer ainda que a troca da aula presencial pela virtual pode ocorrer com o uso das mais diferentes ferramentas; inclusive pelas redes sociais. Salienta também que até em produção científica tem encontrado bons resultados e cita como exemplos o WhatsApp e o Facebook. Comenta que orientou pesquisa no Mestrado em Educação sobre o uso do WhatsApp no ensino de Libras.

O estudo sobre a Linguagem Brasileira de Sinais deu tão certo que o artigo extraído do mesmo será publicado em periódico científico, com o mais alto nível de classificação em qualidade, que é o Qualis A-1. O mesmo estudo é contemplado com uma nova etapa, seguindo a mesma linha de pesquisa, no Doutorado em Educação. Sobre o uso do Facebook como Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), outro estudo no Mestrado em Educação virou livro a ser lançado brevemente.

A produção do livro envolve as doutoras Raquel Gitahy e Adriana Aparecida de Lima Terçariol, juntamente com a autora da dissertação no Mestrado em Educação da Unoeste, Cecília Maria Prates de Freitas. São exemplos que a educação por meio remoto tanto pode ocorrer em ambientes clássicos quanto nas redes sociais. Conforme a especialista, a Unoeste tem ocupado posição de vanguarda em pesquisas sobre e com o uso de novas tecnologias, com diversos pesquisadores envolvidos nessa seara.

Comenta que há três anos teve a oportunidade, proporcionada pela universidade, de instruir professores da casa sobre como usar as redes sociais para o ensino e a aprendizagem. Foi em uma oficina no Enped 2017, o Encontro Pedagógico dos Docentes da Unoeste. É uma cultura já disseminada na comunidade acadêmica e que agora ganha força para que os cursos presenciais não sejam interrompidos e nem os alunos prejudicados neste período de quarentena da Covid-19.

Em importante depoimento, o estudante do último ano de Direito Luís Henrique Ramos Alves conta que desde o primeiro ano está envolvido em iniciação científica com a orientação da Dra. Raquel Gitahy, utilizando o Google Docs para um estudo sobre responsabilidade civil nas escolas, relacionado à construção do saber na era digital; e outro estudo em educação e direitos humanos na era digital. Alves afirma que os resultados têm sido excelentes, inclusive com apoio de outras ferramentas.

Existe algo que deve ser levado muito a sério nos ambientes virtuais, que é compartilhar conteúdo exclusivamente sobre o estudo em questão, seja na ferramenta escolhida ou em quaisquer outras que sirvam como apoio. “Não é ambiente para mensagens de bom dia e outras mais; e nem jogar conversa fora”, diz o estudante, que tem seguido a orientadora que fez o seu mestrado e doutorado no campus da Unesp, em Marília, pesquisando as interfaces educação e comunicação há quase três décadas.


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