Brasil,

Em vista da proposta de taxação sobre livros, educadora da Unyleya explica a importância do acesso à leitura na formação de cidadãos

O hábito da leitura é fundamental para inserção social, democratização do conhecimento e desenvolvimento da cidadania

Segundo pesquisa desenvolvida pelo Instituto Pró-Livro, o brasileiro lê, em média, 2,43 livros por ano. Se comparado à alguns países orientais, como Índia e China – os que mais leem no mundo, este pode ser considerado um número baixo. Fundamental para inserção social, democratização do conhecimento e desenvolvimento da cidadania, a leitura precisa ser inserida na vida de todo ser humano desde a infância.

“A leitura é essencial para a formação do pensamento crítico, para ampliação de mundo. Quem lê muito escreve bem, fala melhor, amplia o vocabulário, tem facilidade para interpretar, contextualizar e relativizar. É importante destacar que não estamos nos referindo à leitura mecânica, de decifrar códigos, mas de letramento, de ler e entender o que leu, de ler e ser capaz de fazer inferências e conexões a partir do que leu. Essas habilidades são fundamentais para a vida”, declara Talita da Silva Campelo, professora na formação de professores da Unyleya, uma das primeiras Instituições de Ensino 100% EAD no Brasil.

A educadora acredita que de modo geral, o brasileiro lê pouco e os principais fatores para isso são o alto valor das publicações e a ausência quase que total de bibliotecas públicas para empréstimos de livros, diferentemente do que acontece em outros países. Esta realidade tende a se intensificar ainda mais caso seja aprovado o projeto de lei 3887/2020, que sugere a taxação de 12% sobre os livros. Atualmente esta tributação não existe, pois, quando proposta por Jorge Amado, o objetivo da não taxação era tornar o acesso à cultura mais fácil.

“Não temos uma cultura leitora e políticas públicas que invistam em reverter este quadro. Outro aspecto importante é a pouca habilidade leitora dos brasileiros que gera um ciclo vicioso: a pessoa não gosta de ler porque lê mal e sempre vai ler mal porque lê pouco ou nunca lê. Aprendemos a escrever escrevendo e aprendemos a ler lendo. A habilidade leitora melhora na medida em que é exercitada dentro e fora da escola”.

Ela comenta ainda a respeito dos livros digitais, que embora não percam em nada para os livros convencionais, sejam mais acessíveis financeiramente e ainda tenham a vantagem de causar muito menos impacto ambiental, ocupam bastante espaço de armazenamento, o que pode requerer equipamentos (celular, computador, etc.) com melhor desempenho e, consequentemente, de alto custo, inviabilizando também o acesso à muitas famílias.

Leitura deve ser um hábito adquirido desde muito cedo

Além de todos os outros benefícios, a leitura tem papel social e afetivo, possibilitando a formação de identidade e a valorização de si e do próximo, principalmente para crianças e adolescentes. “Ler e ouvir histórias com protagonismo negro, feminino, homossexual, indígena e tantas outras minorias favorece a construção de uma visão positiva sobre si mesmo e possibilita conhecer um pouco mais sobre aquele que é diferente de mim”, explica Talita.

Mesmo que ainda não saiba ler convencionalmente, é de extrema importância que uma criança tenha acesso à leitura desde cedo. Para isso, é necessário muito mais que um “ambiente leitor”, mas sim que a leitura faça parte da rotina das crianças e de todos aqueles envolvidos no processo de educação. Não basta oferecer uma ampla biblioteca com um acervo enorme de títulos da literatura. É necessário que a criança observe adultos vivenciando este universo.

“O melhor caminho é sempre o exemplo, além da vivência de situações do uso social da leitura e da escrita tanto na escola, quanto em casa, seja lendo uma receita ou um aviso, anotando um bilhete ou fazendo uma lista de compras. Já com relação à leitura literária, é importante destacar que a literatura infantil brasileira está entre as mais premiadas do mundo. Indicações de livros e autores não faltam, o importante é variar os estilos, os temas e os objetivos da leitura em si”, declara a educadora.

Livro é ponto de partida para debater diversos assuntos, mas o acesso ainda é restrito

O livro pode ser um ponto de partida para debater determinados assuntos, pesquisar e aprender ou mesmo ser utilizado apenas como lazer e diversão. Associar a leitura à função social e momentos de afetividade como a hora de dormir ou uma roda de histórias é um ótimo incentivo para a leitura, principalmente para as crianças.

Talita trabalha com Educação Infantil há quase 15 anos e em todos os projetos desenvolvidos para leitura em turmas que realizou, as crianças demonstraram muito prazer em participar. “Crianças cujas casas são ambientes leitores, em que a família já tem o costume de ler, normalmente são sim incentivadas desde muito cedo ao hábito. O grande problema é que como o brasileiro costuma ler pouco essa realidade não é comum. É importante não culpabilizarmos as famílias sem levar em conta os contextos, em muitos casos a leitura acaba sendo a última preocupação em meio a luta pela sobrevivência”, relata.

A pedagoga conta ainda que professores e família têm papéis semelhantes no que se refere à leitura e que, no entanto, os professores têm maior responsabilidade quando pensamos que para a maior parte das crianças e adolescentes a escola é o principal, se não o único, ambiente leitor que elas frequentam, principalmente devido à falta de recursos e acesso à literatura por parte das famílias menos favorecidas. “Na rede pública esbarramos em falta de biblioteca e de salas de leitura e informática, o que evidencia a ausência de políticas públicas para melhorar a qualidade leitora. Faltam livros, revistas, jornais e internet. Se boa parte da população não tem acesso a tudo isso em casa e na escola teremos muitas dificuldades para formar leitores e vamos continuar reclamando que o brasileiro lê pouco”, enfatiza Talita.

Pedagoga, mestre e doutora em educação, Talita da Silva Campelo atua nas séries iniciais e na Educação Infantil na rede municipal de Duque de Caxias (RJ) desde 2007 e na formação de professores desde 2016, tanto em instituições públicas quanto privadas, como a Unyleya.

Ela conta que nos cursos de licenciatura e pedagogia em letras, onde atua na Unyleya, costuma receber alunos com diferentes níveis de leitura e isso depende de vários fatores, mas é fato que alunos que leem bem se saem melhor. Por este motivo, é sempre importante oferecer espaços que incentivem a leitura e a escrita. “Na Unyleya, por exemplo, existe o Clube do Livro, que considero fundamental para ajudar alunos que chegam até nós mais defasados em relação à atividade leitora. Outra questão que acho de extrema importância é em relação à formação de professores leitores, que é essencial para quebramos ciclos e possibilitarmos lá na frente que crianças e adolescentes tenham ao menos em suas salas de aula ambientes de mais leitura. Professores bem formados são preciosos recursos pedagógicos em meio à falta de estrutura, principalmente pela capacidade de mobilização em prol de melhorias”, conclui.

Para mais informações sobre os cursos de licenciatura e pedagogia em letras da Unyleya, acesse https://unyleya.edu.br/graduacao.

Sobre a Unyleya

Fundada em 2006, a Unyleya é uma das primeiras Instituições de Ensino 100% EAD no Brasil. A Instituição conta atualmente com mais de 200 mil estudantes – o que a torna a maior do país em número de alunos, mais de 250 mil formados desde sua fundação, 18 cursos de Graduação e mais de mil de Pós-Graduação em 50 diferentes áreas do conhecimento.

A Unyleya tem mais de 3 mil colaboradores e unidades físicas em todo o país, com destaque para a sede acadêmica no Rio de Janeiro e a administrativa em Brasília. Mesmo com as unidades físicas, a Instituição de Ensino consolida seu modelo na Educação 100% Digital.

Com metodologia de ensino focada nas necessidades de aprendizagem do aluno e nas principais tendências do mercado de trabalho, a Unyleya quer revolucionar a Educação a Distância no Brasil.


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