Brasil,

As pessoas mais pobres do país são as mais afetadas pelos impactos da Covid-19

A presidente do Conselho Administrativo do Magazine Luiza, Luiza Helena Trajano, o sociólogo e pesquisador do Centro de Estudos da Metrópole da USP, Rogério Barbosa e o diretor do Centro Latinoamericano y Caribeño de Demografía (CEPAL/CELADE), Paulo Saad participam de debate virtual realizado pelo Fundo de População da ONU

Em regiões com elevadas desigualdades, como é o caso da América Latina, no médio e longo prazo os impactos podem explicitar e aumentar as iniquidades já existentes, seja na renda, no acesso a serviços ou na concretização de direitos básicos. Nesta última quarta-feira (01/07), aconteceu a décima edição da série de webinários, População e Desenvolvimento em Debate, promovido pelo Fundo de População da ONU no Brasil (UNFPA) e Associação Brasileira de Estudos Populacionais (ABEP). Foram convidados para o debate virtual, especialistas para discutir sobre Impactos sociais e econômicos da Covid-19. Foi concluído que as populações mais pobres são as mais afetadas pela crise.

O sociólogo e pesquisador do Centro de Estudos da Metrópole da USP, Rogério Barbosa, acredita que a pandemia e a má recuperação do mercado de trabalho desde 2015, especialmente para as camadas mais pobres da população, no médio e longo prazos agravam ainda mais as desigualdades no Brasil. Pontua também que, a leitura dos indicadores sociais foi alterada pela pandemia da Covid-19. “Quando vemos a pobreza caindo [durante a pandemia da Covid-19], significa que a pobreza monetária está caindo e não necessariamente as condições de vida da população estão melhorando. Quando este programa [Auxílio Emergencial] for desligado, certamente esse índices irão subir, pelo menos para 28% da população”, explica Rogério Barbosa.

Paulo Saad, diretor do Centro Latinoamericano y Caribeño de Demografía (CEPAL/CELADE), por sua vez, traz o contexto de toda a América Latina e Caribe. De acordo com Saad, a população que vive em situação de pobreza ou extrema pobreza na região vem crescendo nos últimos anos e existe uma desaceleração do processo de redução da desigualdade na região O diretor da CEPAL explica que “as comunidades pobres não só estão muito mais expostas ao contágio, mas quando pegam o vírus, possuem muito menos recursos para a devida atenção ao tratamento. Além disso, os pacotes de apoio estatal geralmente encontram muito mais dificuldade para alcançar estas comunidades, incrementando a dificuldade dos moradores em manter o confinamento”.

Além disso, aponta que 80% da população vive em cidades, sendo que 17% se concentram principalmente em seis megacidades (com mais de 10 milhões de pessoas). “As cidades na América Latina e Caribe são caracterizadas pela segregação e pela urbanização informal, onde há superlotação e acesso limitado a água e saneamento básico, que amplificam o risco de propagação nessa áreas mais pobres”, conclui o Saad.

“A pandemia escancarou as enormes desigualdades sociais no Brasil pela primeira vez”, refletiu, Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho Administrativo do Magazine Luiza. Dado o cenário, Luiza acredita que existe a necessidade da realização de novas reflexões e atitudes, tanto da pessoa física quanto das empresas, para amenizar os impactos nas populações mais vulneráveis diante desta nova realidade. A convidada também compartilhou as ações que têm promovido, como a criação do projeto Parceiro Magalu para aqueles que estão desempregados, a ampliação de campanhas de violência contra a mulher, e, junto com o Estudo do Desenvolvimento do Varejo, tem tido contato com os secretários do Ministério da Economia para o auxílio na criação das medidas.

Além disso, Trajano relata que percebeu que o que chamou de cultura da doação também cresceu com a grande exposição das desigualdades sociais que a pandemia da Covid-19 trouxe, e pontua que empresas estão agindo para auxiliar as populações mais vulneráveis.

Os e as palestrantes convidados para o debate foram: Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza; Rogério Barbosa, sociólogo, pesquisador do Centro de Estudos da Metrópole da USP; e Paulo Saad, diretor do Centro Latinoamericano y Caribeño de Demografía (CEPAL/CELADE). A mediação do webinário foi realizada por Astrid Bant, representante do Fundo de População das Nações Unidas no Brasil.

Assista esse debate na íntegra

A cada semana, a série “População e Desenvolvimento em Debate” promovida por UNFPA e ABEP realiza discussões entre academia, governo e sociedade civil sobre temas emergentes na Agenda de População e Desenvolvimento. Na próxima quarta-feira 08/07 o tema será: Saúde Reprodutiva, Direitos e a Covid-19. Acompanhe no perfil do UNFPA no Youtube: youtube.com/unfpabrasil.


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