Estações do ano não dependem da distância da Terra ao Sol
Inclinação do eixo terrestre é o principal fator responsável pelas variações climáticas ao longo do ano
A explicação mais difundida sobre as estações do ano ainda carrega um equívoco comum: a ideia de que o verão ocorre quando a Terra está mais próxima do Sol e o inverno quando está mais distante. Segundo o astrônomo e professor Emerson Roberto Perez, da Urânia Planetário, esse conceito não corresponde à realidade científica. O fator determinante para as estações é a inclinação do eixo de rotação da Terra, e não a variação de distância em sua órbita ao redor do Sol.
Com uma inclinação de aproximadamente 23 graus e 27 minutos, o eixo terrestre faz com que, ao longo do ano, diferentes hemisférios recebam maior ou menor incidência de luz solar. Esse fenômeno explica por que as estações são invertidas entre hemisfério norte e sul. Quando o sul está mais inclinado em direção ao Sol, ocorre o verão nessa região, enquanto o norte vivencia o inverno, e vice-versa.
Os momentos mais marcantes desse ciclo são os solstícios e os equinócios. Os solstícios indicam os períodos de maior inclinação solar em relação a um hemisfério, marcando os extremos de verão e inverno. Já os equinócios representam os momentos em que o dia e a noite têm duração semelhante, dando início às estações intermediárias, primavera e outono. Esses eventos astronômicos estruturam o calendário anual e influenciam diretamente o comportamento climático em diferentes regiões do planeta.
Outro ponto relevante destacado pelo estudo é que as datas tradicionalmente associadas ao início das estações podem ser interpretadas, do ponto de vista astronômico, como o ápice dessas fases. Isso ocorre porque, após os solstícios, a incidência solar começa a se inverter gradualmente. Ainda assim, essas datas permanecem como convenção histórica adotada em calendários ao redor do mundo.
A análise também chama atenção para particularidades regionais, como no Brasil, onde a linha do Equador atravessa o território e pode gerar percepções distintas sobre as estações. Em áreas próximas ao Equador, por exemplo, a divisão mais comum ocorre entre períodos de chuva e estiagem. O estudo reforça a importância da compreensão científica correta desses fenômenos, já que os calendários e a organização do tempo estão diretamente ligados a eventos astronômicos.
Você pode saber mais sobre esse e outros eventos acompanhando as lives de terças-feiras, às 19h30, no canal do YouTube da Urânia Planetário.
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