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Seu pet na cama ajuda ou atrapalha seu sono? O que dizem os estudos

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*Renata Roma

Muitas pessoas podem achar estranho ou até franzir a testa quando alguém fala: “Eu durmo com o meu pet”, mas, na verdade, esse hábito é muito comum e, em muitos casos, as pessoas que dormem com seus pets relatam uma sensação de conforto.

Em muitos casos elas relatam que dormem melhor e acordam mais relaxadas quando o pet está com elas. Mas será que é isso mesmo? Será que, do ponto de vista fisiológico, o sono é mais restaurador quando o pet está na cama ou no quarto com o seu responsável?

O que as pesquisas dizem

Essa é exatamente a pergunta que os pesquisadores têm feito nas últimas décadas, tentando entender não só por que essa prática tem se tornado mais comum, mas também qual é o impacto dela na nossa saúde física e na qualidade do nosso sono.

E aí uma coisa interessante acontece, porque, em muitos estudos, os responsáveis por seus pets descrevem realmente essas sensações muito positivas, mas, quando medidas mais objetivas são observadas, nem sempre os dados confirmam essa percepção dos responsáveis.

Para entender o que está sendo avaliado quando falamos de sono ou qualidade do sono, primeiro é importante entender que o sono não é só algo que tem uma função restauradora do ponto de vista biológico. Essa é, sim, uma dimensão importantíssima do sono, mas existe uma outra dimensão, que é a subjetiva. Ela mede o quanto a pessoa se sente confortável durante a noite e o quanto essa experiência é percebida como relaxante.

Isso significa que, em estudos sobre o sono, essas duas dimensões precisam ser avaliadas e elas são avaliadas de formas diferentes. Quando o interesse é em medidas fisiológicas, alguns estudos usam polissonografia, sensores para monitorar frequência cardíaca, além de dispositivos como a actigrafia, um tipo de relógio feito para monitorar parâmetros específicos.

Nesses casos, eles focam aspectos fisiológicos, além de tentar medir quantas vezes as pessoas acordaram à noite, quanto tempo demoraram para dormir, quão restaurador foi o sono, se houve muito movimento à noite ou não. E as perguntas feitas quando esse aspecto mais subjetivo é avaliado envolvem entender como a pessoa se sentiu ao acordar e se o sono foi percebido como relaxante.

Um estudo de 2024 publicado na Scientific Reports mostra um dado interessante, que é confirmado em outros estudos. Muitas vezes, os responsáveis por seus pets descrevem que o sono foi muito relaxante, mas, quando medidas como o número de vezes que acordaram à noite, movimentos durante a noite, são medidas com parâmetros mais concretos, observa-se algo diferente.

O que comumente se observa é uma associação entre mais perturbações do sono e maior possibilidade de desenvolver distúrbios do sono, como, por exemplo, a insônia quando as pessoas dormem com o pet.

Isso pode acontecer por vários motivos. Um deles é que existe uma sincronia entre os pets e seus tutores. Isso não acontece só durante o dia, quando existe uma sincronia de emoções, de comportamentos, mas também à noite. Quando o pet se movimenta, o responsável pelo pet tende a se movimentar mais também. E isso interfere na qualidade do sono. O mesmo acontece com o pet. Ele tende a se movimentar mais quando o tutor se movimenta. Então, há um impacto no sono dos dois, na qualidade objetiva do sono dos dois.

Por que dormimos com os pets?

Resta a pergunta: por que, então, as pessoas continuam dormindo com seus pets, ainda que essas medidas mais objetivas apontem que o sono pode ter, na verdade, uma qualidade pior quando o pet está presente?

Aqui é importante entender que, quando dormimos, nos sentimos em um estado mais vulnerável, e a presença do pet pode ajudar, às vezes, a relaxar. Ela pode ajudar a trazer conforto emocional. E é essa experiência que fica marcada na memória. Nem sempre a gente consegue observar esses impactos no corpo que vão se acumulando ao longo do tempo. Ter uma qualidade de sono ruim ao longo do tempo pode, sim, ter impactos negativos para a saúde, mas isso não é imediatamente percebido.

Então, muitas vezes, as pessoas demoram para associar que uma dificuldade de regular emoções ou mesmo sintomas físicos, como fadiga, falta de concentração, dificuldade para manejar frustrações no dia a dia, podem estar relacionadas com a qualidade ruim do sono.

Ao acordar o que fica é a sensação de que o pet está ali e que é uma sensação prazerosa tê-lo ao lado. Ainda que muitas pessoas digam, brincando, “meu pet ocupa mais a cama do que eu” ou “ele me acorda várias vezes à noite”. Então, até existe essa percepção de que o sono pode ser mais interrompido quando o pet está presente. Mas, frequentemente, não existe uma percepção das reais consequências sobre o corpo.

E aqui não é uma questão de dizer se isso é bom ou ruim, se as pessoas devem dormir com seus pets ou não. No entanto, é importante ter essa visão mais ampla dos impactos imediatos e dos impactos ao longo do tempo, porque isso pode ajudar as pessoas a tomarem decisões mais conscientes, de acordo com aquilo que faz mais sentido para a realidade delas e para as necessidades que elas têm.

*Renata Roma é psicoterapeuta e pesquisadora na University of Saskatchewan (Canadá). Ela é especialista na relação entre saúde emocional, infância e vínculos com animais e desenvolve pesquisas há mais de 10 anos sobre os benefícios (e desafios) das interações entre humanos e animais e host do podcast Mais que um Pet.


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