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Lilian Macri vê retrocesso na nova política de prevenção à gravidez na adolescência

  • Quarta, 15 Janeiro 2020 11:59
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Crizane Ferreira
  • SEGS.com.br - Categoria: Saúde
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Educadora acredita que a nova política fere o direito dos jovens e adolescentes.

No início de janeiro foi noticiado por diversos meios de comunicação que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, pretende implantar como política de prevenção à gravidez na adolescência a abstinência sexual, baseada no movimento “Eu escolhi esperar”, criado pelo pastor Nelson Neto Jr. O movimento defende que jovens cristãos esperem o casamento para terem relações sexuais.

Para a médica e educadora em sexualidade Lilian Macri, a nova política vai contra todas as evidências científicas e recomendações de órgãos competentes como UNESCO - Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, OMS – Organização Mundial da Saúde e o ECA – Conselho da Criança e do Adolescente.

“Abstinência é uma escolha pessoal que só pode ser tomada por pessoas com autonomia para tal, isto é, que sabem de possibilidades e riscos de uma vida sexual ativa. Para fazer tal escolha nossos jovens precisam ter acesso a um espaço que fale sobre métodos anticoncepcionais, prevenção de infecções sexualmente transmissíveis, prós e contras de uma vida sexualmente ativa, entre outros. Além disso, a educação em sexualidade serve para discussão de uma série de outros assuntos como consentimento, prevenção de abuso sexual, prevenção de violência de gênero, modelos de masculinidade que é fundamental num país onde homens jovens morrem muito mais em situações de violência na rua e mulheres dentro de casa, trabalhar respeito à diversidade, o Brasil é o país que em números absolutos mais mata, pessoas LGBTQ+ no mundo”, argumenta à educadora.

Macri cita ainda que: como referência científica importante sobre o assunto, existe uma revisão de trabalhos publicados em 2017, na Journal of Adolescent Health, onde se coloca que os modelos de educação baseados na abstinência ferem, inclusive, os Direitos Humanos que definem que todo o indivíduo para tomar atitudes com autonomia precisa ter acesso ao conhecimento ético e científico.

“Além disso, hoje precisamos pensar em “juventudes”, pois temos grupos de jovens em diferentes realidades e que iniciam a vida sexual por diferentes motivos. É importante lembrar que segundo dados da UNICEF 2018, 60% da população de jovens e crianças no Brasil estão em situação de pobreza”, conta.

A médica acredita que para vivenciar a cidadania de forma ativa e ética no dia a dia, o individuo, depende também do conhecimento de si mesmo de forma completa, de suas possibilidades e de seus limites necessários para fazer escolhas e ter práticas de vida saudáveis. Deste conhecimento fazem parte todos os componentes que formam o ser humano, inclusive a sexualidade.

Todo processo educativo precisa seguir critérios estudados e sempre que possível, embasados em conhecimento científico.

“A atitude do Ministério é tendenciosa, baseada em valores morais que não correspondem aos valores éticos que devem ser praticados em benefício da nossa população e fere os direitos de nossas crianças e adolescentes, os colocando em maior situação de vulnerabilidade. Para mim, é simplesmente um retrocesso no caminho de nossa juventude”, lamenta Macri.

Sobre Lilian Macri

Mãe, médica (CRM 99193), pós-graduada em sexualidade pela Universidade de São Paulo, em educação em sexualidade pela UNISAL e especialista em terapia sexual pela SBRASH.

Autora do livro "Mamãe, o que é sexo? Vem que eu te ajudo com a resposta!", com a proposta de sanar dúvidas, esclarecer o papel da família e da escola, alertar sobre a prevenção de abuso sexual infantil e ajudar pais e educadores, através de uma metodologia, desenvolver uma educação em sexualidade sadia e eficiente.

Atua como colaboradora do Projeto Afrodite da UNIFESP, no ambulatório de disfunções sexuais femininas. Atende em seu consultório e ministra palestra sobre sexualidade pelo país, com foco em orientação de famílias e educadores sobre a sexualidade infantil.

É idealizadora do Método Educando para a Vida, que visa à inclusão da família e da escola na construção de valores éticos com os filhos/alunos, priorizando a humanização das relações e pessoas envolvidas. A ideia é trabalhar os três pilares: família, escola e filhos/aluno.


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