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Quando o implante chama atenção: entenda o linfoma raro associado a próteses mamárias

  • Sexta, 06 Fevereiro 2026 18:50
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Redação MXP
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Sociedade Brasileira de Mastologia esclarece que a doença é diferente do câncer de mama, é rara e tem tratamento eficaz quando identificada precocemente

O linfoma anaplásico de grandes células associado a implantes mamários, conhecido como BIA-ALCL, voltou ao centro das atenções após a influenciadora Evelin Camargo tornar público seu diagnóstico recentemente. Embora o nome assuste, especialistas reforçam que se trata de uma condição rara, diferente do câncer de mama e que, na maioria dos casos, tem tratamento eficaz quando identificada precocemente.

Segundo alerta da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), o BIA-ALCL é um tipo específico de linfoma, ou seja, um câncer do sistema linfático, que se desenvolve na cápsula fibrosa formada naturalmente ao redor do implante mamário de silicone ou no líquido acumulado ao redor da prótese. “Ele não é um câncer primário da mama, porque não se origina da glândula mamária, e sim dessa cápsula ao redor do implante, que é um processo fisiológico normal do organismo”, explica o mastologista Idam Jr., membro da Comissão de Comunicação da SBM.

O principal sinal de alerta para mulheres com implantes mamários é o aumento súbito do volume de uma das mamas, geralmente muitos anos após a cirurgia, causado pelo acúmulo de líquido ao redor da prótese, conhecido como seroma tardio. “Esse acúmulo de líquido provoca assimetria entre as mamas e precisa sempre ser investigado. Outros sinais menos comuns incluem nódulos palpáveis, aumento de gânglios na axila e vermelhidão na mama”, orienta Idam Jr.

De acordo com o especialista, todo seroma tardio deve ser considerado anormal até que se prove o contrário. “Na maior parte das vezes, a causa é benigna, relacionada a processos inflamatórios, infecções ou traumas locais. Ainda assim, a investigação adequada é fundamental, com exames de imagem, punção e análise do líquido, para excluir diagnósticos mais raros, como o BIA-ALCL”, afirma.

As evidências científicas indicam que o risco do linfoma está associado principalmente a implantes de superfície texturizada, especialmente aqueles colocados há muitos anos. Em média, os casos descritos surgem entre oito e dez anos após a colocação da prótese, o que reforça a importância da vigilância contínua ao longo da vida da paciente.

O diagnóstico é confirmado por meio da análise citológica e imunohistoquímica do líquido retirado ao redor do implante. “Essa análise é decisiva porque, com frequência, as células do linfoma estão presentes nesse líquido”, explica o mastologista.

Quando a doença está restrita à cápsula da prótese, o tratamento costuma ser cirúrgico, com a retirada completa do implante e da cápsula. “Na maioria dos casos iniciais, a cirurgia é suficiente e considerada curativa. Em situações mais avançadas, pode ser necessário associar outros tratamentos, como a quimioterapia”, detalha Idam Jr.

A Sociedade Brasileira de Mastologia reforça que mulheres sem sintomas não devem retirar ou trocar as próteses de forma preventiva. “Essa condição é rara e não justifica a retirada profilática dos implantes. O mais importante é manter os exames de rotina e procurar avaliação médica diante de qualquer alteração”, destaca.

Para o mastologista, o principal recado diante da repercussão de casos como o da influenciadora é de tranquilidade. “Não entrem em pânico. Informação correta orienta boas escolhas. O BIA-ALCL é raro, tratável e altamente curável quando diagnosticado precocemente. Mulheres com implantes devem manter acompanhamento médico e radiológico das mamas e procurar um mastologista sempre que perceberem mudanças tardias”, conclui Idam Jr.


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