Falta de dados impede recuperação financeira e dificulta renegociação de dívidas
Em um ambiente de crédito mais caro, consumo pressionado e margens cada vez mais estreitas, empresas brasileiras têm recorrido a dois caminhos distintos para recuperar o crescimento: a recuperação judicial, mais abrangente e protegida, e a extrajudicial, mais ágil e baseada na negociação direta. Mais do que mecanismos de sobrevivência, essas alternativas vêm sendo utilizadas como instrumentos estratégicos de reorganização financeira e reposicionamento operacional.
Os movimentos recentes de GPA e Raízen reforçam essa tendência. Enquanto o GPA avançou em um acordo com credores para estruturar um plano extrajudicial envolvendo R$ 4,5 bilhões em dívidas sem garantia, a Raízen seguiu na mesma direção ao pedir recuperação extrajudicial em meio a um endividamento que gira em torno de R$ 65,1 bilhões. Os casos ajudam a iluminar uma discussão cada vez mais presente no ambiente corporativo: diante da crise, qual modelo oferece melhores condições para reorganizar o passivo e sustentar a retomada?
Apesar das diferenças entre os modelos, há um ponto em comum que tem ganhado protagonismo — e que, muitas vezes, explica por que tantas empresas não conseguem sair da crise: a incapacidade de entender e usar corretamente os próprios dados.
Dados ignorados, decisões comprometidas
Por mais contraditório que pareça, grande parte das empresas não quebra por falta de informação, mas por não saber interpretar, priorizar ou até mesmo encarar os dados com a seriedade necessária. Em muitos casos, indicadores críticos são ignorados, mal estruturados ou simplesmente omitidos nas análises internas.
Para Gabriel Capano, esse é um dos principais gargalos nos processos de reestruturação. “Não existe recuperação eficiente sem dados confiáveis. A empresa precisa saber exatamente quanto deve, para quem deve, qual é sua capacidade de geração de caixa e quais cenários são possíveis. Sem isso, qualquer negociação vira tentativa e erro”, afirma.
Segundo o executivo, o problema não está apenas na ausência de dados, mas na forma como eles são utilizados. “Muitas empresas até têm informação, mas não usam da forma correta. Olham indicadores pouco relevantes, deixam de lado dados críticos ou simplesmente não conectam as informações. Isso distorce completamente a tomada de decisão”, diz.
Dois caminhos, um pré-requisito
Seja na recuperação judicial ou extrajudicial, o objetivo é o mesmo: evitar a falência, reorganizar dívidas e permitir que a empresa continue operando. A diferença está no grau de intervenção do Judiciário, na abrangência das dívidas incluídas e no nível de proteção concedido.
Mas, independentemente do modelo escolhido, há um pré-requisito que vem se tornando inegociável: domínio total sobre os números do negócio. “A discussão entre judicial e extrajudicial é importante, mas ela vem depois. Antes disso, a empresa precisa ter clareza sobre sua operação. Sem esse diagnóstico, qualquer plano nasce frágil”, afirma Capano.
Na prática, isso significa entender com precisão fluxo de caixa, rentabilidade por área, estrutura de custos, nível de endividamento e capacidade de geração de receita. Sem essa base, a negociação com credores perde força e a execução do plano se torna inconsistente.
Recuperação exige inteligência, não só negociação
Nesse contexto, ferramentas de business intelligence (BI) deixam de ser apenas um recurso de gestão e passam a ser um elemento estratégico para a sobrevivência. Ao integrar dados financeiros, operacionais e comerciais, essas plataformas permitem uma visão consolidada e em tempo real da empresa.
“O problema não é falta de dado, é falta de organização. Muitas empresas chegam em recuperação sem conseguir consolidar informações básicas. O BI ajuda a estruturar isso, mas ele só funciona quando existe disciplina no uso e na alimentação dos dados”, explica Capano.
Mais do que tecnologia, trata-se de mudança de mentalidade. A lógica deixa de ser operacional e passa a ser analítica. “O trabalho manual de montar relatórios está sendo automatizado. O valor agora está na interpretação, na capacidade de fazer as perguntas certas e transformar dados em decisão. É isso que define se a empresa consegue se recuperar ou não”, afirma.
Por que o potencial de recuperação não se concretiza
Mesmo com instrumentos jurídicos disponíveis e ferramentas tecnológicas acessíveis, muitas empresas não conseguem executar uma recuperação eficiente. O motivo, segundo especialistas, está no chamado “gap de execução”.
Falta de processos estruturados, ausência de indicadores claros, dificuldade em medir resultados e resistência cultural ainda travam a evolução. “O potencial existe, mas não é automático. Não adianta ter ferramenta ou entrar com pedido de recuperação se a empresa não sabe usar os dados. Quem não consegue transformar informação em ação continua tomando decisões no escuro”, diz Capano.
Dados como base da retomada
Empresas que conseguem estruturar seus dados partem de uma posição diferente no processo de recuperação. Ganham capacidade de negociação, previsibilidade e velocidade na tomada de decisão.
Na prática, isso se traduz em:
– maior credibilidade nas negociações com credores
– capacidade de simular cenários e antecipar riscos
– priorização mais eficiente de pagamentos
– decisões mais rápidas e embasadas
Sem essa base, mesmo processos juridicamente bem conduzidos podem perder eficácia. Se conduzida com transparência, planejamento e governança, a recuperação pode representar um recomeço estruturado. Mal conduzida, pode acelerar o caminho para a falência. A diferença, cada vez mais, não está apenas na escolha entre judicial ou extrajudicial, mas na capacidade de transformar dados em decisões consistentes.
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