Tempo adequado de trabalho reduz exaustão em 25% e melhora a percepção de bem-estar nas empresas
*Por Ricardo Queiroz
A discussão sobre saúde mental no ambiente corporativo tem avançado, mas ainda encontra barreiras quando o tema é a organização do tempo de trabalho. Em um cenário marcado por sobrecarga, hiperconectividade e limites cada vez mais difusos entre vida pessoal e profissional, o ajuste da jornada surge como um dos fatores mais concretos para reduzir a exaustão emocional e melhorar a percepção de bem-estar nas empresas. Evidências indicam que a adequação do tempo dedicado ao trabalho não apenas diminui os níveis de desgaste, como também transforma a relação dos profissionais com produtividade, engajamento e pertencimento organizacional.
Em levantamento exclusivo realizado pela Flora Insights, startup pioneira e especializada em diagnóstico e gestão de riscos psicossociais ocupacionais, a adequação do tempo de trabalho está associada a uma redução de 25% nos níveis de exaustão. O dado reforça que pausas estruturadas e prazos equilibrados ajudam a sustentar a energia física e mental ao longo da jornada, enquanto a ausência desses fatores tende a aumentar a exaustão e a incidência de erros no dia a dia profissional.
Tempo adequado de trabalho, na prática, é quando a jornada e as entregas estão organizadas de um jeito que o profissional consegue produzir com consistência e sem viver em estado de alerta o tempo todo. Não é apenas cumprir horário, é ter previsibilidade, limites claros, pausas possíveis e uma carga de demandas compatível com o que se espera daquela função.
Isso reduz a exaustão porque o esgotamento emocional raramente nasce de um dia difícil. Ele aparece quando a sobrecarga vira padrão, quando a urgência vira rotina e quando não existe recuperação real entre uma semana e outra. Quando a empresa ajusta tempo, ritmo e expectativa, ela reduz o desgaste acumulado e melhora a energia física e emocional do time, com impacto direto na saúde mental e na qualidade do trabalho.
E eu sempre faço uma comparação simples. Tempo adequado de trabalho não é “trabalhar menos”, é “conseguir trabalhar direito”. É como um motor. Você pode acelerar, claro. Só que se você acelera o tempo inteiro, sem parar para manutenção, o problema não é se o carro vai quebrar, é quando. E aqui entra uma provocação necessária: tem empresa que chama isso de alta performance, mas na prática está só terceirizando a conta do desgaste para o funcionário.
Influência, percepção de bem-estar e a relação dos colaboradores com a empresa
Quando a exaustão diminui, a percepção de bem-estar melhora porque o colaborador volta a sentir que tem autonomia sobre a própria rotina e que o trabalho não está tomando conta de tudo. Isso muda a forma como a pessoa enxerga a empresa: ela deixa de ser um ambiente de cobrança constante e passa a ser percebida como um lugar mais saudável, mais justo e mais sustentável.
Na prática, isso se reflete em mais clareza mental, menos irritação, melhor concentração e mais estabilidade emocional. E, do ponto de vista organizacional, isso fortalece vínculo e engajamento. A confiança aumenta porque o colaborador percebe que existe uma preocupação real com o equilíbrio, e não apenas discursos de bem-estar desconectados da rotina.
E aqui vale reforçar um ponto importante: reduzir exaustão não significa que a empresa não pode cobrar. Ela pode e deve. Cobrança não é o problema. O problema é a cobrança desorganizada, infinita e sem critério. É como uma relação profissional baseada em ‘entrega tudo’ sem oferecer o básico para que o colaborador consiga sustentar a entrega. A provocação é direta: não adianta falar em cultura saudável se o modelo de gestão só funciona quando a equipe está no limite.
Modelos de trabalho mais equilibrados e sustentáveis
O principal desafio é cultural. Ainda existe muita empresa que associa dedicação com excesso de horas, e isso cria um ambiente em que sobrecarga vira normalidade. Só que esse modelo cobra um preço alto, porque o excesso não gera performance sustentável, ele gera adoecimento, queda de qualidade, retrabalho e rotatividade.
Além disso, muitas organizações têm dificuldade em transformar intenção em prática, porque não fazem uma gestão real de capacidade e prioridades. Falta mapear volume de demandas, tempo necessário para execução e limites operacionais. Outro desafio importante é a hiperconectividade, que cria um segundo turno invisível e destrói o tempo de recuperação. E, por fim, existe o papel da liderança, porque nenhum modelo equilibrado funciona se a pressão diária continua desorganizada e se as prioridades mudam o tempo todo.
Eu gosto de usar um exemplo bem direto: existe uma diferença enorme entre “ser uma empresa exigente” e “ser uma empresa desorganizada”. Uma empresa exigente cobra resultado e dá direção. Uma empresa desorganizada cobra urgência e chama isso de cultura. E aqui vai uma provocação bem objetiva: se o seu time só entrega performando no limite, então o problema não é o time, é o modelo. Nenhuma estratégia se sustenta quando a operação depende da exaustão como combustível.
Ricardo Queiroz é CEO da Flora Insights, uma plataforma digital especializada e pioneira no diagnóstico e gestão de riscos psicossociais ocupacionais, e cofundador da Shawee, maior plataforma de hackathons da América Latina. Sua carreira foi transformada por experiências globais em tecnologia, que o levaram a contribuir ativamente para o ecossistema de inovação, também com foco em riscos psicossociais e cultura digital.
Compartilhe:: Participe do GRUPO SEGS - PORTAL NACIONAL no FACEBOOK...:
https://www.facebook.com/groups/portalnacional/
<::::::::::::::::::::>
IMPORTANTE.: Voce pode replicar este artigo. desde que respeite a Autoria integralmente e a Fonte... www.segs.com.br
<::::::::::::::::::::>
No Segs, sempre todos tem seu direito de resposta, basta nos contatar e sera atendido. - Importante sobre Autoria ou Fonte..: - O Segs atua como intermediario na divulgacao de resumos de noticias (Clipping), atraves de materias, artigos, entrevistas e opinioes. - O conteudo aqui divulgado de forma gratuita, decorrem de informacoes advindas das fontes mencionadas, jamais cabera a responsabilidade pelo seu conteudo ao Segs, tudo que e divulgado e de exclusiva responsabilidade do autor e ou da fonte redatora. - "Acredito que a palavra existe para ser usada em favor do bem. E a inteligencia para nos permitir interpretar os fatos, sem paixao". (Autoria de Lucio Araujo da Cunha) - O Segs, jamais assumira responsabilidade pelo teor, exatidao ou veracidade do conteudo do material divulgado. pois trata-se de uma opiniao exclusiva do autor ou fonte mencionada. - Em caso de controversia, as partes elegem o Foro da Comarca de Santos-SP-Brasil, local oficial da empresa proprietaria do Segs e desde ja renunciam expressamente qualquer outro Foro, por mais privilegiado que seja. O Segs trata-se de uma Ferramenta automatizada e controlada por IP. - "Leia e use esta ferramenta, somente se concordar com todos os TERMOS E CONDICOES DE USO".
<::::::::::::::::::::>

Adicionar comentário