Por que o brasileiro encara seguro como luxo e como o franchising pode democratizar o acesso
Com previsão de crescimento de 8% em 2026, o setor de seguros encontra nas franquias uma forma de democratizar o acesso e transformar proteção em investimento cotidiano
O setor de seguros brasileiro tem uma característica rara: cresce de forma consistente há décadas, mesmo em meio a crises políticas e econômicas. Para 2026, a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) projeta expansão de 8%.
Mas há um ponto pouco discutido: quem distribui esse crescimento?
Historicamente, o mercado de seguros foi dominado por grandes corretoras e bancos. A lógica era simples: produtos complexos, canais restritos, pouca capilaridade. O resultado é que o seguro ainda é visto como um produto elitizado, distante da vida cotidiana da maioria dos brasileiros.
É aqui que o franchising entra em cena.
O modelo de franquias, consolidado em setores como alimentação e educação, começa a ganhar espaço no mercado segurador. Ele traz algo que o setor sempre careceu: escala, capilaridade e proximidade com o consumidor.
Segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), o setor de franquias faturou R$ 76,6 bilhões no segundo trimestre de 2025, um crescimento de 9,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O movimento não é trivial. Ao transformar corretores em franqueados, o setor cria uma rede de empreendedores locais com acesso a mais de 30 seguradoras e centenas de produtos.
Isso democratiza o acesso ao seguro e muda a lógica de distribuição: em vez de depender de grandes conglomerados, o mercado passa a se apoiar em milhares de pequenos empresários espalhados pelo país.
Há também um aspecto cultural. O brasileiro ainda trata seguro como luxo. A penetração é baixa em comparação a outros países, e a percepção de que se trata de gasto, e não investimento, continua forte.
O franchising pode ser a ponte para mudar essa mentalidade, porque aproxima o seguro da realidade cotidiana: o corretor franqueado é vizinho, está na mesma cidade, fala a mesma linguagem.
Claro, os desafios permanecem. A cobrança do IOF na previdência aberta desestimula a poupança de longo prazo. Os riscos climáticos e cibernéticos crescem em velocidade maior do que a capacidade de resposta. E a digitalização exige investimentos constantes em tecnologia e compliance.
Mas o franchising oferece uma resposta pragmática: baixo custo de entrada, suporte operacional e garantia de escala. É uma forma de atrair empreendedores com perfil consultivo, capazes de transformar o seguro em solução e não apenas em produto.
Se o Brasil quer ampliar sua cultura de proteção, precisa olhar para o franchising como aliado estratégico. O crescimento de 8% projetado para 2026 é positivo, mas ainda insuficiente diante da vulnerabilidade coletiva.
O futuro do setor de seguros não será definido apenas por grandes grupos financeiros, mas pela capacidade de criar redes de distribuição ágeis, próximas e confiáveis. O franchising é mais do que um modelo de negócios: é a nova fronteira da proteção financeira no Brasil.
Adriano Ferreira, CEO da rede de franquias Talismã Seguros
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