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1 em cada 10 pacientes que recebem cuidados em serviços de saúde cursa com infecção hospitalar

Foto - doutora Ana Elisa Almeida Foto - doutora Ana Elisa Almeida

Especialista fala sobre a importância do debate nas salas de aulas das instituições de ensino de medicina e quais são os principais procedimentos para evitar fatalidade que mata mais de 1 milhão de pacientes no mundo

Atenção, cautela e adesão aos protocolos institucionais são fundamentais para evitar que uma internação ou algum procedimento hospitalar se torne um pesadelo, gerando assim agravos, como a infecção hospitalar. As infecções hospitalares, também conhecidas como infecções relacionadas à assistência em saúde (IRAS), são aquelas adquiridas após a admissão do paciente e que se manifestam durante a internação ou após a alta. Está relacionada aos cuidados e procedimentos aos quais o paciente foi submetido durante a internação.

A data de 15 de maio é marcada pelo Dia Nacional do Controle das Infecções Hospitalares, e além de divulgá-la, é preciso enfatizar e fortalecer as práticas recomendadas para a prevenção e controle deste dano entre profissionais de saúde, autoridades sanitárias e diretores de instituições.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) refere que, a cada 10 pacientes, um contrairá IRAS ao receber cuidados em serviços de saúde. A OMS também estima que em 234 milhões de cirurgias feitas mundialmente, ocorram 1 milhão de mortes por infecções hospitalares e 7 milhões de complicações pós-operatórias. A doutora Ana Elisa Almeida, professora e responsável pelo conteúdo de infectologia da maior plataforma de reforço estudantil voltado aos estudantes e profissionais médicos, o Jaleko, fala sobre o programa de ensino na área de prevenção e controle da infecção hospitalar. Muito além de lavar as mãos, ato de extrema importância, os estudantes devem estar atentos a inúmeras outras questões relacionadas.

Quais são os tipos de infecção hospitalar?

Temos as infecções endógenas que são causadas pela microbiota do paciente e exógenas que resultam da transmissão a partir de fontes externas ao paciente como mãos de profissionais, procedimentos, medicamentos ou alimentos contaminados. Nos manuais de critérios diagnósticos da ANVISA, o órgão categoriza as IRAS em infecção do sítio cirúrgico, infecção primária da corrente sanguínea, infecção do trato respiratório, infecção do trato urinário, infecção em ouvidos, nariz, garganta e boca, infecção no sistema cardiovascular, infecção de pele e tecidos moles, infecção do trato gastrointestinal e infecção do trato reprodutivo.

Controle

Desde 1998, a legislação brasileira obriga a manutenção pelos hospitais do país do Programa de Controle de Infecções Hospitalares. O órgão possui os seguintes objetivos principais:

vigilância epidemiológica das infecções relacionadas à assistência à saúde;
prevenção de surtos;
notificação de doenças compulsórias;
treinamento e reciclagem dos profissionais de saúde;

Através dessas ações, o Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) divulga as taxas de infecções que estariam relacionadas à assistência à saúde, gerando estratégias acertadas de prevenção e controle, seja reforçando a higiene das mãos, o uso racional dos antimicrobianos, gestão da dinâmica hospitalar e afins. Estabelece também metas para redução de infecções das principais topografias associadas a procedimentos invasivos. É um órgão imprescindível na instituição de normas para todos inseridos no contexto hospitalar aderirem, resultando em eficaz controle das IRAS.

Mãos

A higiene das mãos deve ser um procedimento constante, pois as mãos são um dos principais veículos de infecção. A lavagem e o uso de álcool a 70% devem ser frequentes, inclusive, atentando para os 5 momentos de higienização das mãos preconizados pela OMS: antes de contato com o paciente, antes da realização de procedimento, após risco de exposição a fluidos biológicos, após contato com o paciente e após contato com áreas próximas ao paciente, mesmo que não tenha tocado no doente. A desinfecção das mãos deve ser implementada entre os profissionais, pacientes e visitantes.

Antibiótico

Com o passar dos anos, o uso indiscriminado de antibióticos na Medicina levou à seleção e à disseminação de organismos resistentes que hoje configuram uma das maiores ameaças à saúde globalmente. Somado a isso, a prescrição desnecessária ou inadequada de antibióticos expõe os pacientes aos seus eventos adversos, que podem ser graves e debilitantes. Portanto, cada vez mais, se faz necessário o uso racional de antibióticos e a estruturação de programas de stewardship, que consistem em intervenções para melhorar e fazer vigilância do uso correto de antibióticos por meio da seleção dos melhores esquemas terapêuticos. Dessa forma, desde a faculdade, é importante que os estudantes tenham acesso a noções de farmacologia e criem um senso clínico-científico para prescrição correta e otimizada dos antimicrobianos. De acordo com a OMS, se não forem tomadas ações em relação à resistência antimicrobiana, estima-se que até 2050 ele causará, anualmente, a perda de 10 milhões de vidas em todo o mundo.

Ana Elisa Almeida - professora do Jaleko, plataforma de streaming com conteúdos voltados aos estudantes de medicina. Médica graduada pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP), residente de Infectologia - Complexo Hospitalar Universitário Prof. Edgar Santos/ UFBA.


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