Estudo brasileiro mostra que exercícios físicos melhoram qualidade de vida de pacientes com câncer geniturinário avançado
Dados apresentados na ASCO GU reforçam o papel de estratégias não farmacológicas no cuidado de pacientes com tumores metastáticos de próstata, rim e bexiga
A prática regular de exercícios físicos pode melhorar a qualidade de vida de pacientes com cânceres geniturinários metastáticos. É o que mostra um estudo brasileiro prospectivo, que aponta a redução da fadiga, um dos sintomas mais frequentes do tratamento, como um possível mecanismo que ajuda a explicar esse benefício.
A pesquisa acompanhou 75 pacientes com câncer de próstata, bexiga ou rim em estágio metastático que estavam iniciando terapia sistêmica. Durante 12 semanas, eles participaram de um programa remoto de exercícios supervisionados, com planos personalizados que incluíam entre três e cinco horas semanais de exercícios aeróbicos e de resistência, além de sessões virtuais com um fisiologista.
Segundo Paulo Bergerot, oncologista da Oncoclínicas e um dos autores do estudo, a prática regular de exercícios já é reconhecida como parte essencial do cuidado com o paciente oncológico. “Sabemos hoje que o exercício físico pode ajudar a reduzir efeitos colaterais do tratamento, melhorar a qualidade de vida e preservar a função física dos pacientes. O desafio é que ainda existe um grande distanciamento entre essa recomendação e o que de fato acontece na prática clínica”, explica.
Os dados mostraram que a maior adesão ao programa esteve associada a uma redução mais acentuada da fadiga, o que, por sua vez, se relacionou diretamente à melhora da qualidade de vida dos pacientes. As análises sugerem que a redução da fadiga atua como um mediador importante nessa relação entre exercício e qualidade de vida.
“Os resultados indicam que um programa estruturado de exercícios, totalmente remoto e supervisionado, pode melhorar a qualidade de vida de pacientes com cânceres geniturinários avançados ou metastáticos, e que a redução da fadiga parece ser um dos principais mecanismos por trás desse benefício”, afirma Bergerot.
O estudo também sugere que programas digitais podem ampliar o acesso ao exercício físico para pacientes em tratamento oncológico, especialmente aqueles que enfrentam limitações de deslocamento ou vivem em regiões com menor oferta de serviços especializados.
Disparidades preocupantes
Embora as evidências sobre os benefícios do exercício estejam se acumulando, outro levantamento de 2025, também conduzido por Paulo Bergerot, que envolveu 454 médicos de 21 países da América Latina, mostra que essa prática ainda não está plenamente incorporada ao cuidado oncológico. A pesquisa revelou que oncologistas da rede pública têm menos práticas relacionadas à avaliação e ao encaminhamento de pacientes oncológicos para programas de exercício físico do que aqueles que atuam na rede privada e enfrentam mais barreiras para fazê-lo.
O levantamento apontou que médicos da rede pública foram significativamente menos propensos a avaliar os hábitos de atividade física dos pacientes (53% contra 82% na rede privada), a encaminhá-los a programas específicos (36% contra 72%) e a oferecer orientações sobre o tema (56% contra 12%).
As razões para isso são múltiplas, mas destacam-se a falta de locais adequados para encaminhamento (apontada por 86% dos profissionais da rede pública), os efeitos colaterais dos tratamentos (66%) e a falta de capacitação para prescrever exercícios de forma segura (63%).
“Por muito tempo se acreditou que pacientes com câncer deveriam ficar em repouso. Mas hoje sabemos que o exercício, quando bem orientado, é seguro e pode trazer benefícios mesmo durante o tratamento oncológico. O mais importante é que ele seja adaptado à condição de cada paciente”, afirma Bergerot.
O papel da rede privada e o caminho para a equidade
Embora a rede privada demonstre maior adesão às práticas de prescrição de exercícios, o estudo mostra que ainda há espaço para avanços também nesse setor. “Mesmo com mais recursos, os programas de exercícios ainda não são amplamente integrados de forma sistemática na assistência oncológica”, ressalta o especialista.
Para Bergerot, os dados ajudam a identificar gargalos e a propor estratégias regionais que possam democratizar o acesso ao programa de exercícios durante o tratamento. “É fundamental investir na formação dos profissionais, criar parcerias com centros de reabilitação e garantir infraestrutura mínima nos serviços públicos. Integrar o exercício físico ao cuidado oncológico não é um luxo, é uma estratégia baseada em evidência para melhorar desfechos e qualidade de vida dos pacientes”.
Ao dar visibilidade às desigualdades entre os sistemas de saúde latino-americanos, o estudo reforça a urgência de políticas públicas que incorporem de vez o exercício físico como ferramenta terapêutica no câncer. “Não estamos falando de algo complementar, e sim de uma estratégia que melhora desfechos clínicos, reduz complicações e contribui para a dignidade do paciente”, conclui Paulo Bergerot.
Sobre a Oncoclínicas&Co
A Oncoclínicas&Co, um dos principais grupos dedicados ao tratamento do câncer no Brasil, oferece um modelo hiperespecializado e inovador voltado para toda a jornada oncológica do paciente. Presente em mais de 140 unidades em 47 cidades brasileiras, a companhia reúne um corpo clínico formado por mais de 1.700 médicos especializados na linha de cuidado do paciente oncológico. Com a missão de democratizar o acesso à oncologia de excelência, realizou cerca de 670 mil tratamentos nos últimos 12 meses. Com foco em pesquisa, tecnologia e inovação, a Oncoclínicas segue padrões internacionais de alta qualidade, integrando clínicas ambulatoriais a cancer centers de alta complexidade, potencializando o tratamento com medicina de precisão e genômica. É parceira exclusiva no Brasil do Dana-Farber Cancer Institute, afiliado à Harvard Medical School, e mantém iniciativas globais como a Boston Lighthouse Innovation (EUA) e a participação na MedSir (Espanha). Integra ainda o índice IDIVERSA da B3, reforçando seu compromisso com a diversidade. Com o objetivo de ampliar sua missão global de vencer o câncer, a Oncoclínicas chegou à Arábia Saudita por meio de uma joint venture com o Grupo Al Faisaliah, levando sua expertise oncológica para um novo continente.
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