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Erro de diagnóstico pode atrasar em até uma década o tratamento do transtorno bipolar

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Com sintomas que se confundem com depressão, transtorno ainda desafia a prática clínica e mantém pacientes por anos sem tratamento adequado

Levar até uma década para receber o diagnóstico correto não é exceção, mas uma realidade frequente para pessoas com transtorno bipolar, condição caracterizada por alterações cíclicas de humor que alternam episódios de depressão e de elevação do humor, como mania ou hipomania. O dado, recorrente em estudos internacionais, expõe uma fragilidade relevante no cuidado em saúde mental: a dificuldade de identificar precocemente uma condição que exige manejo específico e acompanhamento contínuo.

Em meio a relatos recentes como o da Selena Gomez, que tornou público o histórico de diagnósticos incorretos antes de compreender sua condição. Para especialistas, casos como esse ajudam a ilustrar um problema estrutural, que vai além da experiência individual e aponta para lacunas na avaliação clínica.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 37 milhões de pessoas vivem com transtorno bipolar no mundo, o equivalente a aproximadamente 0,5% da população. Ainda assim, o número pode ser subestimado, especialmente em função de subdiagnóstico e da sobreposição com outros transtornos mentais ao longo da trajetória assistencial.

Diagnóstico tardio ainda é regra, não exceção

Um dos principais entraves está no fato de que o transtorno bipolar frequentemente se manifesta, inicialmente, por episódios depressivos. Sem uma investigação mais aprofundada, esses quadros tendem a ser classificados como depressão unipolar, o que direciona o paciente para abordagens terapêuticas que não contemplam a dinâmica cíclica da doença.

De acordo com Dr. Edson Kruger Batista, psiquiatra da ViV Saúde Mental e Emocional, esse desencontro diagnóstico tem impacto direto na evolução clínica. “Quando a bipolaridade não é identificada precocemente, o paciente pode permanecer por anos em tratamentos pouco efetivos. Isso prolonga o sofrimento e pode contribuir para a piora do curso da doença ao longo do tempo”, explica.

Durante esse intervalo, há prejuízos significativos no funcionamento social, ocupacional e nas relações interpessoais, além de maior risco de agravamento dos episódios.

Heterogeneidade clínica exige olhar especializado

Outro fator que contribui para o subdiagnóstico é a própria complexidade do transtorno. Nem todos os pacientes apresentam episódios claros de mania, o que dificulta a identificação fora de contextos especializados. Quadros de hipomania, por exemplo, podem ser interpretados como períodos de maior energia, produtividade ou bem-estar.

Além disso, a bipolaridade abrange diferentes apresentações clínicas, como os tipos I e II, além de manifestações dentro do espectro bipolar. Essa variabilidade exige avaliação longitudinal e escuta clínica qualificada.

“O diagnóstico não se baseia em um episódio isolado, mas na análise da trajetória do paciente ao longo do tempo. Sem essa reconstrução, aumenta o risco de confusão com outros transtornos, como depressão ou ansiedade”, destaca Batista.

Impacto ampliado e barreiras no acesso ao cuidado

Mesmo com impacto expressivo em saúde pública, o transtorno bipolar ainda enfrenta barreiras relacionadas ao estigma, à desinformação e ao acesso a serviços especializados. Esses fatores contribuem para que uma parcela significativa dos pacientes não receba tratamento adequado ou sequer tenha um diagnóstico estabelecido.

A consequência é um ciclo de instabilidade clínica, com impactos diretos na qualidade de vida, na produtividade e na manutenção de vínculos sociais.

Qualificação do diagnóstico como ponto central do cuidado

Diante desse cenário, especialistas reforçam que a qualificação do diagnóstico é uma das estratégias mais relevantes para melhorar os desfechos clínicos. Isso passa por ampliar o acesso a profissionais especializados, aprimorar a escuta clínica e fortalecer a disseminação de informação confiável sobre saúde mental.

O tratamento do transtorno bipolar envolve abordagem contínua, com associação entre medicação, psicoterapia e monitoramento ao longo do tempo. Quando corretamente conduzido, é possível alcançar estabilidade e preservar a funcionalidade do paciente.

“O principal ganho está em reduzir o tempo até o diagnóstico correto. Esse é o ponto de inflexão que muda a trajetória do paciente”, conclui o especialista.

Neste Dia Mundial do Transtorno Bipolar, o debate avança para além da conscientização: trata-se de enfrentar um desafio estrutural da prática clínica e ampliar a capacidade de identificar precocemente uma condição ainda frequentemente subdiagnosticada.

Sobre a ViV Saúde Mental e Emocional

A ViV Saúde Mental e Emocional é o maior grupo de saúde mental do Brasil e oferece tratamento da baixa à alta complexidade, com cuidados personalizados e o propósito de melhorar a qualidade de vida de seus pacientes.

Presente em seis estados do País e no Distrito Federal (Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná, Espírito Santo e São Paulo), com treze instituições e mais de trinta unidades de atendimento com credenciamento de diversos convênios de saúde, a missão da ViV é elevar a vida ao seu melhor e integrar os lados físico, mental e social de cada paciente, com uma abordagem baseada no equilíbrio entre o científico e a sensibilidade humana.

Busca ser reconhecida como uma rede de excelência assistencial para saúde mental e emocional, contribuindo para redução do estigma no Brasil. Mais informações pelo número 0800 323 5088.


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