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Mercado financeiro ganha nova regulamentação e potencializa ações ESG

  • Quinta, 02 Dezembro 2021 16:38
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Camila Mortari
  • SEGS.com.br - Categoria: Economia
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*Claudinei Elias, Suelen Silva e Gabriel Mello

Em setembro passado, o Banco Central (BC) divulgou novas, mais específicas e duras regras em prol das boas práticas socioambientais e de governança corporativa para o sistema financeiro nacional. O avanço ocorre no intuito de tornar equiparáveis os esforços que as instituições financeiras já adotavam para gerenciar riscos tradicionais ao setor e que agora incluirão as dimensões sociais, ambientais e climáticas, tratadas com o mesmo rigor. Ainda em riscos, há a indicação, para instituições de maior porte, sobre a necessidade de desenvolverem análises de cenário e testes de estresse, para quantificar como as mudanças climáticas poderiam afetar a organização no curto, médio e longo prazos.

Uma pesquisa conduzida pela Bloomberg na Europa mostra que os bancos europeus não terão dados para realizar os testes de estresse a tempo determinado pelo BCE (Banco Central Europeu), o qual deve ocorrer entre março e julho de 2022. Assim, o BCE já manifestou sua preocupação, uma vez que os credores parecem despreparados para os impactos dos riscos climáticos e, somado a isso, as condições meteorológicas extremas são cada vez mais frequentes, tornando as emissões de carbono caras. O BCE parece aumentar a pressão e deixa claro que as instituições financeiras que não se adaptarem correm o risco de terem seu capital onerado e assim deixar menos para os acionistas. Para tanto, o próprio BCE publicou uma metodologia para auxiliar as instituições a seguir na agenda sustentável.

Já no Brasil, as novas regras de gerenciamento de riscos têm como foco a integração dos riscos social, ambiental e climáticos ao gerenciamento dos riscos tradicionais (crédito, mercado, liquidez e operacional), redefinindo os conceitos de cada um, sendo:

Risco ambiental: trata a possibilidade de ocorrência de perdas devido aos atos de degradação ao meio ambiente, os quais se referem a indícios de conduta ou atividade irregular; poluição irregular, desastres ambientais e ato ou atividade que impacte negativamente a reputação da instituição, em decorrência de degradação do meio ambiente
Riscos sociais: relacionados às práticas de violação de direitos fundamentais ou de interesses coletivos
Riscos climáticos: há duas vertentes, risco de transição e risco físico. O risco de transição traz a sua associação aos impactos negativos que podem ser gerados para a instituição em decorrência da transição para uma economia de baixo carbono; e o risco físico está associado a mudanças extremas do clima que podem causar seca, inundação, aumento do nível do mar, enchentes e queimadas.

A consideração dos diversos testes, traz consigo uma nova dinâmica que complementa a de riscos operacionais, de crédito e liquidez e que é específica, uma vez que as causas de impactos pelo clima são diversas e podem afetar adversamente toda a carteira. Não podemos deixar de mencionar a necessidade de novas métricas e indicadores. Medir impactos é a nova realidade de todas as empresas e organizações e, naturalmente, da indústria financeira, pela natureza de seus negócios, os quais a fazem muitas vezes sair na frente e criar seus modelos para atender a demanda regulamentar e gerenciar de forma mais adequada seus próprios riscos. O desafio é grande, mas o setor é pioneiro em estabelecer práticas de governança e gestão de riscos.

A frase de Thomas Morus, “nenhum homem é uma ilha”, nos ajuda a entender que o convívio faz parte da existência humana, logo estamos todos a todo tempo interligados, interconectados e temos que estar muito atentos a essas mudanças.

*Claudinei Elias é CEO e fundador da Bravo GRC, uma empresa de consultoria em GRC e ESG que, por meio da tecnologia, integra pessoas e processos com mais de quinze anos de atuação no mercado de Governança, Riscos e Compliance

*Suelen Silva é Head de Research da Bravo GRC

*Gabriel Cardoso de Mello é Research Analyst na Bravo GRC


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