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Renda passiva com imóveis exige conta fechada e não promessa fácil

  • Terça, 10 Março 2026 18:48
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Kaísa Romagnoli
  • SEGS.com.br - Categoria: Economia
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Especialista explica por que ignorar custos reais do imóvel leva investidores a confundir patrimônio com rentabilidade

O discurso da renda passiva tornou-se um dos mais repetidos no mercado imobiliário brasileiro. A ideia de comprar um imóvel, colocá-lo para alugar e passar a receber uma renda mensal sem esforço ganhou força nas redes sociais, em cursos rápidos de investimento e em promessas de retorno acelerado. Na prática, porém, a conta costuma ser bem menos simples.

O imóvel segue sendo um instrumento relevante de proteção patrimonial e diversificação de investimentos. Ele preserva valor no longo prazo, protege contra inflação e pode gerar renda recorrente. O problema aparece quando a decisão é tomada sem análise financeira detalhada. Nesse cenário, a chamada renda passiva deixa de ser estratégia e passa a se aproximar de uma fantasia.

Para a analista de investimentos imobiliários Paolla Alves, o principal erro de quem entra nesse mercado é ignorar custos que fazem parte da equação real do investimento. “Quando alguém compra um imóvel pensando apenas no valor do aluguel, está olhando para metade da conta. Existem despesas recorrentes e riscos operacionais que precisam ser considerados desde o início”, afirma.

Entre esses fatores estão despesas como IPTU, condomínio, manutenção, eventuais reformas, custos de administração e impostos sobre o rendimento do aluguel. Além disso, existe o risco de vacância, período em que o imóvel fica sem inquilino e deixa de gerar receita. Quando todos esses elementos entram no cálculo, o retorno pode ser bem diferente do imaginado inicialmente.

Segundo Paolla, pagar caro por um imóvel nem sempre é o principal problema. Em muitos casos, o prejuízo nasce da escolha do produto errado para o objetivo errado. “O investidor compra um imóvel que não tem liquidez para locação, ou escolhe um produto voltado para moradia pensando em renda recorrente. Esse desalinhamento entre estratégia e ativo compromete o resultado ao longo do tempo”, explica.

Esse tipo de erro costuma ocorrer porque o mercado imobiliário envolve ciclos, dinâmicas regionais e perfis distintos de demanda. Um imóvel que funciona bem como residência familiar pode não apresentar boa performance como ativo de renda. Da mesma forma, regiões com forte valorização patrimonial nem sempre oferecem o melhor fluxo de aluguel.

A lógica também se aplica ao mercado de locação por temporada e aos investimentos turísticos, que ganharam visibilidade nos últimos anos. Embora possam apresentar rentabilidade superior em determinados contextos, exigem gestão mais ativa, análise de sazonalidade e compreensão do comportamento do turismo na região.

Para Paolla Alves, investir em imóveis exige o mesmo nível de planejamento aplicado a qualquer outro tipo de investimento. Isso inclui analisar ciclo de mercado, potencial de valorização, liquidez, custos operacionais e estratégia de saída. “O imóvel pode ser uma excelente ferramenta de geração de patrimônio. Mas ele precisa ser escolhido com base em dados, não em promessas simplificadas”, afirma.

Na avaliação da analista, a principal mudança que o investidor precisa fazer é tratar o imóvel como um ativo financeiro. Isso significa calcular retorno líquido, estimar cenários de vacância e considerar custos reais antes da compra. Sem esse olhar técnico, o risco é transformar um investimento de longo prazo em uma fonte permanente de frustração.

“O imóvel continua sendo uma das formas mais sólidas de construção patrimonial. O que precisa acabar é a ideia de que ele gera renda automática. Investimento imobiliário funciona quando existe estratégia. Sem planejamento, renda passiva vira apenas narrativa de mercado”, conclui.

Sobre

Paolla Alves é analista de investimentos imobiliários, com mais de 15 anos de atuação no setor. Atua na leitura de ciclo, negociação, estratégia de saída e estruturação de investimentos residenciais e turísticos, com experiência prática em mercados como a Serra Gaúcha e São Paulo. É reconhecida por uma abordagem técnica, orientada por dados e custos reais, e por traduzir decisões complexas do mercado imobiliário em análises claras para investidores e compradores.

 


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