O que explica a alta da Bolsa mesmo com a guerra?
Mercado financeiro caminha na direção do melhor local para investir e muda de direção conforme as oportunidades
A cena parece contraditória para quem acompanha o noticiário internacional, enquanto imagens do conflito no Oriente Médio ocupam espaço entre as manchetes, a bolsa brasileira segue em alta e se aproxima dos 190 mil pontos. A dúvida surge quase de imediato para quem está começando a entender o mercado, afinal por que a bolsa sobe em um momento de tensão mundial?
“Uma forma simples de entender esse movimento é imaginar o dinheiro global como um fluxo que percorre o mundo em busca de oportunidade. Quando investidores avaliam onde aplicar recursos, eles comparam riscos e retornos e, nesse momento, o Brasil entra no radar como um destino que combina preços ainda considerados baixos com boas possibilidades de ganho”, explica Adriana Ricci, especialista em mercado financeiro com mais de 25 anos de atuação.
O principal motor dessa alta está na entrada de capital estrangeiro. Investidores de fora voltaram a comprar ações brasileiras em volume relevante, movimento que costuma ter impacto direto nos preços, já que aumenta a demanda pelos papéis negociados.
A expectativa de queda dos juros no Brasil também ajuda a explicar o cenário. Quando a taxa começa a recuar, investir em renda fixa perde atratividade e parte desse dinheiro segue para outras alternativas, como a bolsa. Para quem está começando, a lógica funciona como um ajuste de rota, se um investimento passa a render menos, outro começa a chamar mais atenção.
“Um ponto bastante importante está dentro da própria composição do Ibovespa, que reúne as empresas mais negociadas e concentra quase 80% do volume total da bolsa. O que acontece neste momento é que as empresas ligadas ao petróleo e às commodities têm um peso muito grande no índice e diante do conflito, com o preço do petróleo subindo, esse movimento beneficia essas companhias e puxa a bolsa como um todo”, pontua Adriana, head de Operações da SHS Investimentos.
A leitura do mercado sempre segue a lógica do equilíbrio entre risco e oportunidade. A guerra continua no radar e pode provocar oscilações ao longo do caminho, mas ainda assim, o fluxo de dinheiro, o cenário de juros e o peso das commodities ajudam a explicar por que a bolsa brasileira segue avançando, ainda que o cenário externo caminhe na direção contrária.
Importante observar que o investidor não olha apenas para o risco imediato. Existe uma análise comparativa entre países e, em meio a incertezas globais, o Brasil passa a ser visto como uma opção viável dentro do grupo de mercados emergentes.
“Quando o investidor global olha o mapa, ele não busca um lugar perfeito, ele busca o menos arriscado dentro do cenário possível. O Brasil hoje aparece como uma alternativa interessante, com empresas sólidas, preços ainda com descontos e perspectiva de melhora no ambiente de juros. Isso sustenta a entrada de recursos mesmo em momentos de tensão internacional”, finaliza Adriana.
Sobre a especialista: Adriana Ricci é especialista em investimentos e tem 25 anos de atuação no mercado financeiro. É fundadora, gestora e head de Operações da SHS Investimentos, empresa que atua no mercado financeiro desde 2008 e atua em São José dos Campos, SP.
Possui certificações pela Ancord como Assessora de Investimentos, pela Anbima no PQO, Programa de Qualificação Operacional da Bolsa de Valores, e CPA-20, e pela Febraban, a FBB-100. Bacharel em Administração e Financista, pós-graduada com MBA em Finanças, Auditoria e Controladoria pela FGV.
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