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Tarifaço global entra em 2026, pressiona o comércio exterior e acelera a corrida por inteligência na logística marítima

  • Quinta, 26 Fevereiro 2026 18:51
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Fábio Malvezzi
  • SEGS.com.br - Categoria: Economia
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Escalada de medidas protecionistas e maior volatilidade dos fretes marítimos elevam custos e reforçam o papel da análise de dados nas cadeias globais

O comércio exterior inicia 2026 sob o impacto persistente de um novo ciclo de elevação tarifária em grandes economias, movimento que vem sendo classificado por analistas como um “tarifaço global”. A intensificação de políticas industriais defensivas, somada às tensões geopolíticas e à reorganização das cadeias produtivas, tem aumentado a complexidade operacional do transporte marítimo e pressionado custos ao longo da cadeia.

Projeções recentes da Organização Mundial do Comércio (OMC) indicam crescimento moderado do comércio de mercadorias após a desaceleração observada entre 2023 e 2024, enquanto o volume de medidas restritivas segue elevado em nível global. Relatórios da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) apontam que incertezas regulatórias, custos logísticos e gargalos portuários permanecem entre os principais fatores de risco para a fluidez das trocas internacionais.

No Brasil, dados do ComexStat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram que a corrente de comércio continua em patamar historicamente alto, mas com maior volatilidade de preços e prazos logísticos, especialmente em rotas mais sensíveis a mudanças tarifárias.

Para Marcos Silva, CIO da Datamar e especialista em tecnologia para logística marítima, o impacto do tarifaço vai além do aumento direto de custos. “O tarifaço não afeta apenas a competitividade do produto, mas também altera fluxos comerciais, pressiona a previsibilidade das rotas e exige um nível muito maior de inteligência de dados para sustentar decisões operacionais”.

Segundo ele, a principal mudança em curso é estrutural: o comércio marítimo passa a operar - de forma mais sistemática - sob um ambiente de incertezas. “O transporte marítimo entrou definitivamente na era da volatilidade. Sem visibilidade de fretes e capacidade e desempenho portuário, as empresas ficam expostas a ineficiências que antes eram diluídas pelo crescimento do comércio”, aponta Marcos.

Volatilidade nos fretes e nas rotas

Indicadores internacionais de frete, como o Shanghai Containerized Freight Index (SCFI) e o Drewry World Container Index, registraram oscilações relevantes ao longo de 2024 e 2025, refletindo ajustes de capacidade das grandes alianças marítimas e choques geopolíticos em rotas estratégicas.

Na avaliação de analistas, a elevação de tarifas tende a amplificar esse movimento ao provocar redirecionamento de cargas, mudança de origens produtivas e maior desequilíbrio na reposição global de contêineres. “Quando as tarifas sobem, o efeito não é linear. Há redistribuição de demanda entre rotas, o que pressiona a gestão de equipamentos e a formação de fretes”, explica o CIO da Datamar. “Isso torna o planejamento logístico muito mais dependente de modelos preditivos.”

Dados da Datamar confirmam reconfiguração dos fluxos

A leitura dos dados consolidados de 2025 já evidencia, na prática, os efeitos dessa reconfiguração do comércio global. Segundo análises da Datamar - empresa brasileira especializada em inteligência de mercado para o comércio exterior e a logística marítima - a partir do DataLiner, plataforma de inteligência de comércio marítimo, o Brasil encerrou o ano com crescimento moderado nas exportações conteinerizadas (+2%) e com avanço um pouco mais robusto nas importações (+4,4%).

O desempenho sugere estabilidade, mas a análise detalhada revela movimentos estruturais relevantes ao longo do ano. As exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 12,1% em 2025, refletindo diretamente mudanças tarifárias que impactaram os fluxos comerciais, sobretudo no segundo semestre. Em contrapartida, os embarques para outros mercados cresceram 4,1%, compensando parcialmente essa retração.

Mesmo nesse contexto, o último trimestre do ano indicou uma inflexão positiva, com crescimento de 6% em relação ao quarto trimestre de 2024, sinalizando ajustes de rota e recomposição gradual da demanda internacional.

A segmentação por produto reforça o cenário de assimetria: cadeias como carnes, tabaco e produtos vegetais apresentaram crescimento, enquanto café, açúcar e madeira registraram quedas relevantes. “O número consolidado importa, mas ele esconde histórias muito diferentes por produto, mercado e momento do ano. É nesse nível de detalhe que estão os sinais que orientam decisões futuras”, destaca Marcos Silva.

Segundo o CIO da Datamar, esse tipo de leitura só é possível com bases históricas robustas e modelos analíticos capazes de capturar mudanças estruturais. “O tarifaço acelera a necessidade de inteligência aplicada. Ferramentas como o DataLiner permitem enxergar não apenas o que aconteceu, mas antecipar tendências em um ambiente de incerteza crescente”.

Digitalização ganha urgência

Esse cenário tem acelerado investimentos em plataformas de inteligência logística, integração de dados portuários e análise preditiva. Estudos da McKinsey e da UNCTAD já vinham apontando a digitalização do transporte marítimo como um dos principais vetores de eficiência da década - tendência que ganha tração adicional com o ambiente mais protecionista.

Para Marcos, empresas que tratarem dados como ativo estratégico terão vantagem competitiva clara. “O tarifaço funciona como um catalisador da transformação digital no setor de shipping. Quem conseguir antecipar movimentos de mercado com base em dados terá mais resiliência operacional e melhor gestão de custos”, conclui o especialista.

Sobre Marcos Silva

Marcos Silva é especialista na aplicação estratégica de tecnologia ao setor de logística marítima e comércio exterior. Como Chief Information Officer (CIO) da Datamar, lidera iniciativas voltadas à transformação digital, ao uso estruturado de dados e à incorporação de inteligência artificial em processos de análise e apoio à decisão. Com atuação focada na tradução de tecnologias emergentes em soluções concretas para o mercado de shipping, Marcos tem como objetivo a geração de eficiência operacional, previsibilidade e inteligência de mercado para empresas de navegação, terminais portuários, tradings e indústrias exportadoras. Também está à frente de projetos como o DatamarLab, que conecta tecnologia, logística e academia, e o DataSmart Shipping, conferência voltada à discussão de tendências e inovação no setor.


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