Carnaval: 8 dicas para usar o Wi-Fi público com segurança
Dados mostram que quase 7 em cada 10 pessoas usam internet pública semanalmente, e 1 em cada 4 já enfrentou problemas de segurança por isso, reforçando a necessidade de cuidados redobrados
Com mais de 65 milhões de foliões esperados nas ruas do país, segundo o Ministério do Turismo, o Carnaval transforma blocos, praias e sambódromos em grandes polos de conectividade. Pesquisa do Mercado Pago mostra que 78% dos foliões pretendem levar o celular para os blocos e 72% planejam utilizá-lo para pagamentos durante as festividades, comportamento que amplia a exposição a riscos digitais.
O uso de redes Wi-Fi públicas, comum em orlas de praias, camarotes e ativações de marca, cresce nesses ambientes de grande circulação. Globalmente, 69% das pessoas utilizam Wi-Fi público ao menos uma vez por semana, e 1 em cada 4 já enfrentou algum problema de segurança, segundo levantamento do All About Cookies.
No Brasil, onde 89,1% da população está conectada à internet, conforme o IBGE. Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com privacidade e segurança digital, que saltou de 15,6% em 2022 para 22,5% em 2024 entre os motivos para evitar determinados serviços online.
Brasil é alvo de cibercriminosos
O Brasil se tornou alvo prioritário de cibercriminosos. Em 2025, o Brasil concentrou 84% das tentativas de ataques cibernéticos da América Latina, totalizando 315 bilhões de tentativas apenas no primeiro semestre do ano, conforme dados da Fortinet. Em meio a esse cenário, o uso de Wi-Fi aberto passa a exigir atenção redobrada.
Para Fernando Corrêa, especialista em segurança cibernética e governança corporativa e CEO da Security First, o principal problema das redes de Wi-Fi públicas está no próprio conceito desses serviços. “Uma vez que o objetivo é fornecer um serviço de internet gratuito, a segurança nem sempre é tratada como prioridade, abrindo espaço para que pessoas mal-intencionadas acessem a mesma rede dos usuários”, afirma.
Perigos invisíveis da rede de internet pública
O especialista explica que, em redes abertas, dispositivos conectados podem se comunicar entre si, facilitando a interceptação de dados. “Conceitualmente, dispositivos na mesma rede se comunicam. A grande diferença em relação à rede doméstica é o controle de acesso: enquanto em casa a senha é restrita, em locais públicos qualquer pessoa pode se conectar, inclusive criminosos”, completa Fernando.
Os ataques mais comuns envolvem a criação de redes falsas para enganar usuários desatentos. “Um criminoso pode criar várias redes de iscas para tentar atrair um usuário que está acostumado a acessar redes inseguras. Nessas situações, páginas falsas que imitam serviços populares são usadas para capturar logins e senhas. Simulando uma página de login do Google, Facebook ou Instagram, um hacker pode capturar as credenciais de acesso destes usuários, explica Corrêa.
Outro tipo de ameaça envolve o monitoramento do tráfego da rede. “Se o usuário acessar um site mal configurado ou sem proteção adequada, um criminoso pode ter acesso a toda comunicação, o que amplia o risco de vazamento de informações pessoais e financeiras”, ressalta o especialista.
Riscos aumentam em ambientes de grande circulação
Durante grandes eventos como o Carnaval, em aeroportos lotados, shoppings em horários de pico ou em espaços de coworking compartilhados, os riscos se multiplicam. Com milhares de pessoas conectadas simultaneamente, a necessidade de conectividade aumenta exponencialmente, mas a atenção à segurança tende a diminuir.
"Em ambientes de alta circulação o risco é ainda maior porque há uma combinação perigosa: muitas pessoas conectadas simultaneamente, permanência temporária que reduz a atenção aos detalhes de segurança, e criminosos que sabem que ali estão usuários mais desatentos e vulneráveis", analisa Fernando Corrêa.
Redes públicas e os riscos também para empresas
Para organizações, o desafio é ainda maior. Com a popularização do trabalho híbrido e remoto, colaboradores frequentemente acessam sistemas corporativos, arquivos sensíveis e informações confidenciais por meio de redes públicas em aeroportos, cafés, hotéis e espaços de coworking.
Com a consolidação do trabalho híbrido e da mobilidade profissional, o uso de redes públicas tornou-se mais frequente e exige maior atenção. Muitas pessoas ainda não percebem que, ao se conectar a um Wi-Fi gratuito, podem acabar expondo credenciais de acesso, dados pessoais e informações corporativas.
As empresas têm um papel importante na orientação de seus times. Além das soluções tecnológicas, é fundamental investir em ações de educação, comunicação e boas práticas no uso das redes. O avanço de ataques apoiados por inteligência artificial torna esse cuidado ainda mais relevante, já que as tentativas de fraude estão cada vez mais realistas. Preparar os colaboradores ajuda a reduzir riscos e a fortalecer a cultura de segurança no dia a dia.
"Vemos funcionários de empresas em reuniões virtuais usando o Wi-Fi do aeroporto sem qualquer proteção. É fundamental que as organizações criem protocolos de segurança para colaboradores em trânsito e forneçam as ferramentas adequadas para poderem trabalhar com segurança de qualquer lugar", complementa Fernando.
Dicas práticas para usar internet pública com segurança
Para ajudar usuários e empresas a se protegerem, o especialista Fernando Corrêa reuniu oito recomendações fundamentais:
- Utilize VPN (Rede Privada Virtual): uma VPN cria um “túnel” criptografado entre o seu dispositivo e a internet, o que dificulta que terceiros monitorem sua navegação ou capturem dados sensíveis. Em redes públicas, onde o tráfego costuma ser compartilhado, essa camada extra de proteção é uma das formas mais eficazes de reduzir riscos, especialmente ao acessar e-mails ou aplicativos.
- Evite realizar transações financeiras: pagamentos, transferências via PIX e acessos ao internet banking não devem ser feitos em redes públicas, pois essas conexões são mais vulneráveis a interceptações. Sempre que possível, aguarde estar em uma rede privada e confiável ou utilize seus dados móveis para realizar esse tipo de operação.
- Verifique o nome da rede: antes de se conectar, confirme com o estabelecimento qual é o nome oficial do Wi-Fi. Golpistas costumam criar redes falsas com nomes muito parecidos aos verdadeiros para induzir o usuário ao erro e, assim, capturar informações pessoais.
- Ative a autentificação de dois fatores: a verificação em duas etapas adiciona uma camada extra de segurança às suas contas, exigindo um código adicional além da senha. Dessa forma, mesmo que suas credenciais sejam comprometidas em uma rede pública, o acesso indevido ainda será bloqueado.
- Mantenha o firewall ativado: o firewall funciona como uma barreira de proteção, monitorando o tráfego de dados e bloqueando conexões suspeitas. Mantê-lo ativo ajuda a evitar acessos não autorizados ao dispositivo, principalmente quando conectado a redes abertas.
- Desative o compartilhamento automático: configure seu dispositivo para não se conectar automaticamente a redes Wi-Fi disponíveis. Essa prática reduz o risco de conexões involuntárias a redes maliciosas ou inseguras, que podem comprometer seus dados sem que você perceba.
- Verifique se o site usa https: ao receber links de pagamento ou acessar páginas de compra, verifique se o endereço começa com https:// e se há o ícone de cadeado na barra do navegador. Esses sinais indicam que a comunicação com o site é criptografada, reduzindo as chances de vazamento de informações.
- Mantenha dispositivos e aplicativos atualizados: atualizações de sistema e aplicativos corrigem falhas de segurança já conhecidas. Antes de sair para aproveitar o Carnaval, viajar ou trabalhar no coworking, vale conferir se o sistema operacional do smartphone e do notebook e os principais apps estão atualizados, garantindo uma proteção mais robusta durante o uso de redes públicas.
A recomendação ganha ainda mais relevância em períodos de grande circulação de pessoas como o Carnaval e em contextos profissionais, quando a atenção do usuário costuma estar voltada a outras prioridades e não aos riscos digitais.
"A segurança digital é como trancar a porta de casa. São medidas simples que fazem toda a diferença. Não é preciso ser um especialista em tecnologia para se proteger, basta seguir boas práticas básicas", finaliza o CEO da Security First.
Fernando Corrêa, CEO da Security First
Fernando Corrêa é especialista em segurança cibernética e governança corporativa, com mais de 28 anos de experiência no setor de tecnologia e auditoria de sistemas. Fundador e CEO da Security First, empresa criada em 2011, Corrêa consolidou-se como uma das principais referências nacionais em proteção de dados, ciberdefesa e conformidade digital, atendendo organizações dos segmentos financeiro, de saúde, indústria e varejo. Graduado em Ciência da Computação e com certificações internacionais CIA (Certified Internal Auditor), CISA (Certified Information Systems Auditor) e CISSP (Certified Information Systems Security Professional), construiu sua trajetória em grandes consultorias e instituições financeiras antes de empreender. Seu diferencial está na capacidade de traduzir a complexidade da cibersegurança em soluções estratégicas, orientadas à gestão de riscos e à sustentabilidade dos negócios. Reconhecido por sua visão prática e por fomentar uma cultura de ética, agilidade e responsabilidade compartilhada, Fernando é presença constante em painéis e debates sobre o futuro da segurança digital, Zero Trust, LGPD e cibergovernança.
Security First
Fundada em 2017, a Security First LTDA é uma empresa brasileira especializada em cibersegurança, governança, auditoria e consultoria digital. Com sede na Avenida Paulista (SP), a companhia oferece soluções completas de monitoramento, prevenção e resposta a incidentes, atendendo clientes em diversos setores da economia. Com faturamento anual de R$ 20 milhões e uma equipe altamente qualificada, a Security First é pioneira no modelo de SOC com dados sob controle do cliente, entregando inovação, independência e excelência operacional.
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