Riscos psicossociais ganham espaço na agenda corporativa, aponta pesquisa
Empresas começam a adotar abordagens mais sistemáticas para lidar com o tema, para além das ações de bem-estar
Em um contexto de maior atenção global à saúde e à segurança no trabalho, impulsionado por discussões como o Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho, empresas brasileiras começam a avançar na forma como lidam com os riscos psicossociais. O tema, que por muito tempo esteve associado a iniciativas de bem-estar e clima organizacional, passa a ganhar contornos mais estruturados, conectando-se diretamente à gestão, à organização do trabalho e à estratégia das empresas.
O movimento acontece em um cenário de agravamento consistente dos indicadores de saúde mental no país. Segundo o Ministério da Previdência Social, em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais e comportamentais, um crescimento de 15,6% em relação ao ano anterior.
Mais do que o volume, o dado chama atenção pelo ritmo de crescimento e pela consolidação da saúde mental como uma das principais causas de afastamento do trabalho. Nesse contexto, o que se observa dentro das empresas é um momento de transição. A pauta deixa de ser tratada apenas como sensibilização ou cuidado pontual e passa a exigir estrutura, método e capacidade de acompanhamento.
Um levantamento da Flora Insights, plataforma pioneira em diagnóstico e gestão de riscos psicossociais ocupacionais, mostra que a discussão tem avançado, mas ainda enfrenta desafios na prática. Os diagnósticos indicam que os principais pontos de atenção não aparecem necessariamente como quadros generalizados de adoecimento, mas como sinais de que determinadas rotinas de gestão ainda precisam evoluir.
Entre os fatores mais recorrentes estão a clareza na comunicação, a condução de mudanças, o suporte aos colaboradores, a confiança nos canais internos e a previsibilidade das demandas de trabalho. Esses elementos reforçam que os riscos psicossociais não são apenas uma questão individual, mas um reflexo direto da forma como o trabalho é organizado e liderado.
Para Ricardo Queiroz, CEO da Flora Insights, a principal mudança está na forma de enquadrar o problema. “Quando falamos de riscos psicossociais, não estamos falando apenas de saúde, mas de gestão. O desafio das empresas hoje não é mais reconhecer a importância do tema, e sim demonstrar como ele está sendo monitorado, priorizado e acompanhado no dia a dia”, afirma.
Nesse contexto, ganha força o uso de indicadores para apoiar a tomada de decisão. De um lado, estão os indicadores de risco, que ajudam a identificar quais dimensões exigem maior atenção. De outro, os indicadores de maturidade, que mostram se a empresa possui políticas, processos, responsáveis e rotinas de acompanhamento estruturadas. Há ainda uma terceira camada, ligada à aderência à NR-01, que avalia a capacidade da organização de identificar perigos, classificar riscos, definir medidas preventivas e acompanhar resultados ao longo do tempo.
Apesar dos avanços, o desafio mais comum ainda está na execução. Muitas empresas já deram o primeiro passo ao reconhecer a importância do tema, mas enfrentam dificuldades na hora de estruturar fluxos, formalizar processos e garantir continuidade.
Fragilidades como comunicação pouco clara, ausência de protocolos definidos, dependência de interações informais e falta de acompanhamento sistemático de indicadores tendem a gerar ruídos, retrabalho e insegurança. A gestão de mudanças também aparece como um ponto sensível: quando não é bem conduzida, pode impactar diretamente a percepção de estabilidade e confiança dentro das equipes.
Por outro lado, os diagnósticos também revelam sinais positivos. Em muitas organizações, já existe maior abertura para discutir o tema, interesse em aprofundar análises, busca por indicadores e disposição para construir planos de ação. Em alguns casos, dimensões como clima organizacional, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e relações de trabalho apresentam resultados favoráveis.
Essa leitura equilibrada é fundamental para o avanço da agenda. Mais do que apontar fragilidades, o objetivo passa a ser consolidar práticas que funcionam e evoluir de forma preventiva nas dimensões que exigem maior atenção.
A principal virada proposta pela NR-01 está justamente nessa lógica: sair de uma abordagem reativa e avançar para um modelo contínuo de gestão. Isso implica identificar riscos antes que se transformem em problemas mais graves, definir ações proporcionais, acompanhar indicadores e revisar continuamente a eficácia das medidas adotadas.
Na prática, transformar diagnóstico em ação exige estrutura. Medidas como definição de responsáveis, prazos, indicadores, criação de canais formais de comunicação, protocolos de suporte, registro de mudanças e monitoramento periódico passam a ser elementos centrais dessa nova fase.
“A maturidade não está em eliminar todos os riscos, mas em ter capacidade de identificá-los, priorizá-los e acompanhá-los ao longo do tempo. O mais importante é construir um processo consistente, com evidências de gestão e evolução contínua”, completa Ricardo Queiroz.
Com isso, a gestão dos riscos psicossociais deixa de ser uma obrigação pontual e passa a ocupar um papel estratégico dentro das empresas. Mais do que atender a uma exigência normativa, o movimento aponta para uma transformação mais ampla: a construção de ambientes de trabalho mais organizados, previsíveis e sustentáveis, com impacto direto sobre produtividade, engajamento e qualidade de vida.
Sobre a Flora Insights
A Flora Insights é uma startup pioneira e especializada em diagnóstico e gestão de riscos psicossociais ocupacionais. Com mais de 4.000 diagnósticos realizados, sua metodologia própria é validada e atestada oficialmente pelo Instituto de Apoio à Fundação Universidade de Pernambuco (IAUPE). Com operação 100% aderente à NR-01 e à LGPD, a plataforma digital oferece diagnóstico técnico, análise automatizada e planos de ação estratégicos para empresas de todos os tamanhos e setores.
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