Reforma tributária pressiona contratos e relações com fornecedores em 2026
A reforma tributária deixou de ser um projeto de simplificação futura e passou a gerar efeitos práticos imediatos na rotina das empresas brasileiras já no início de 2026. Alterações no layout das notas fiscais, inclusão de novos campos obrigatórios e exigências ligadas ao modelo de IVA dual começaram a impactar operações, sistemas e, principalmente, a relação entre contratantes e fornecedores.
O problema é que grande parte das empresas ainda não está preparada. Levantamento da V360 com companhias de médio e grande porte indica que 72% ainda não adaptaram seus processos internos às novas regras, enquanto apenas uma parcela reduzida possui plano estruturado de transição.
O primeiro choque é operacional, e está na nota fiscal. Os documentos passam a concentrar novas bases de cálculo para IBS e CBS, classificações tributárias mais detalhadas e, no caso dos serviços, a nota fiscal nacional. Na prática, a exigência evoluiu mais rápido do que a adaptação de sistemas e, em muitos casos, da própria infraestrutura de municípios e prestadores de serviço.
Isso já começa a gerar impasses na emissão e no recebimento de documentos fiscais, criando ruído entre empresas e fornecedores. Mesmo com penalidades postergadas nos primeiros meses, o risco operacional já existe, porque a nota fiscal passa a ser o principal elemento de validação da operação, do pagamento e da conformidade tributária.
Mas o impacto mais sensível não está apenas na emissão de documentos, está na forma como contratos e propostas passam a ser analisados.
A reforma muda a lógica de comparação entre fornecedores. O conceito de preço líquido ganha centralidade, e as diferenças de regime tributário deixam de ser um detalhe técnico para influenciar diretamente o custo real da contratação, a geração de créditos e a eficiência financeira da operação. Duas propostas com o mesmo valor bruto podem ter impactos completamente distintos no caixa após a compensação de créditos.
Durante o período de transição, em que tributos antigos e novos coexistem, contratos sem cláusulas de repactuação ou mecanismos claros de reequilíbrio econômico-financeiro tendem a se tornar pontos de tensão. A simples aplicação de novas alíquotas sobre preços que já embutem carga tributária anterior pode gerar aumentos artificiais de custo e disputas entre as partes.
Há também um risco silencioso: a inércia contratual. Fornecedores que apenas adicionarem a nova carga tributária sobre valores atuais, sem reavaliar o preço líquido, podem distorcer custos e comprometer negociações de longo prazo.
Embora a ampliação do direito ao crédito represente um avanço, inclusive sobre aquisição de bens, o aumento da alíquota nominal pressiona margens e exige revisão profunda de precificação, estrutura de custos e estratégias de contratação. A decisão deixa de ser apenas fiscal e passa a ser estratégica.
Áreas como jurídico, tecnologia, supply chain, logística e gestão financeira passam a ser diretamente afetadas. A mudança no critério de arrecadação para o local de consumo, e não mais de origem, redefine estratégias logísticas, influencia decisões de localização e altera análises de competitividade.
Nesse contexto, a gestão de fornecedores deixa de ser uma função operacional e assume um papel estratégico. Mapear regimes tributários, revisar contratos, testar sistemas e integrar áreas internas torna-se condição para reduzir risco e garantir continuidade operacional.
A reforma tributária expõe uma fragilidade histórica das empresas brasileiras: a dependência de processos pouco integrados e contratos pouco adaptáveis a mudanças regulatórias. A partir de agora, adiar ajustes não é apenas um risco técnico, é um risco financeiro e relacional.
*Com mais de 16 anos de experiência na área fiscal, Paulo Dantas é um líder de referência em impostos diretos e indiretos, bem como na gestão e entrega de obrigações acessórias. Sua carreira é marcada por uma atuação estratégica e orientada a resultados, aliando profundo conhecimento técnico à capacidade de liderar equipes de alto desempenho. Ao longo de sua trajetória, Paulo desenvolveu expertise em gestão de equipes, auditoria fiscal, implementação e controle de rotinas do Departamento Fiscal, além de análises de projetos e consultoria em planejamentos tributários. Proativo, comprometido e com forte perfil de liderança funcional, conduz processos com visão integrada e foco em eficiência, compliance e transformação.Atua como Diretor da Área Contábil e Tributária na Bernhoeft atualmente
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