Propriedade intelectual e padrões tecnológicos impulsionam inovação no Brasil
Daniela Santos*
No dia 26 de abril, celebramos o Dia Mundial da Propriedade Intelectual, uma data que nos convida a refletir sobre como a inovação e a criatividade, impulsionadas por um sistema de PI eficaz, podem acelerar o progresso em direção a um futuro mais próspero. Nesse contexto, a discussão sobre o papel dos padrões tecnológicos e da propriedade intelectual para o desenvolvimento do Brasil se torna ainda mais relevante. Em um cenário internacional marcado por competição tecnológica, disputas geopolíticas e crescente protagonismo da inteligência artificial, discutir e assegurar a segurança jurídica para a inovação no Brasil neste novo cenário é mais urgente do que nunca. A pauta não interessa apenas às grandes empresas de tecnologia: envolve também pequenas e médias empresas (PMEs), que respondem por quase 70% dos empregos formais e compõem a espinha dorsal da economia brasileira.
Nesse contexto, os padrões tecnológicos — como 2G, 3G, 4G e 5G — assumem papel central. Longe de serem meras especificações técnicas, esses tecnologias atuam como plataforma de catalisação da inovação, funcionando como a arquitetura invisível que permite interoperabilidade, reduz assimetrias e garante previsibilidade, elementos cruciais para o desenvolvimento de soluções escaláveis e seguras. Para as PMEs, representam um passaporte para competir em mercados que antes estavam fora do seu alcance.
Quando uma tecnologia patenteada é indispensável para implementar determinado padrão, a patente é classificada como Standard Essential Patent (SEP). Nesse contexto, os titulares dessas patentes se comprometem a licenciá-las sob o compromisso FRAND — Fair, Reasonable and Non‑Discriminatory[1] ou em português, justo, razoável e não discriminatório. Trata‑se de um modelo que equilibra dois valores igualmente relevantes: garantir remuneração justa ao inovador por seus investimentos em P&D e assegurar o acesso amplo à tecnologias essenciais a implementação do padrão tecnológico, incentivando contínuo investimento em inovação e preservando a competitividade no mercado.
No ecossistema digital contemporâneo, no entanto, a relevância das SEPs não se esgota na conectividade. Elas se conectam diretamente ao papel das APIs (Application Programming Interfaces). Se as SEPs asseguram a interoperabilidade e base tecnológica mínima de uma rede, as APIs são o “trilho operacional” que permite que desenvolvedores — inclusive pequenas empresas — construam aplicações e serviços sobre essa base. A interação entre padrões e APIs abertas cria um ambiente de inovação modular que minimiza barreiras de entrada, crucial para países com forte presença de PMEs como o Brasil.
Assim como os padrões tecnológicos democratizam o acesso à infraestrutura de conectividade, as APIs democratizam o desenvolvimento de software. Essa complementaridade é especialmente estratégica para o país: permite que empresas de menor porte integrem sensores IoT, desenvolvam soluções de cidades inteligentes ou escalem projetos de telecomunicações sem a necessidade de reinventar tecnologias essenciais — algo inviável do ponto de vista econômico e jurídico.
O resultado é um círculo virtuoso de desenvolvimento tecnológico:
- os padrões globais garantem interoperabilidade, previsibilidade regulatória e oferecem acesso a tecnologias disruptivas de forma escalável;
- as APIs aceleram a implementação prática;
- e o sistema de Propriedade Intelectual (PI) garante segurança jurídica aos investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D).
Para as PMEs, isso significa acesso real a tecnologias de ponta, possibilidade de inserção competitiva em cadeias globais e um ambiente fértil para inovação incremental — que, na prática, é onde reside boa parte da inovação brasileira.
É fundamental lembrar que inovação sustentável — especialmente em setores regulados como telecomunicações — depende de um sistema jurídico estável, célere, e confiável. Um regime forte de PI protege investimentos, reduz incerteza regulatória e cria incentivos econômicos claros. Da mesma forma, padrões tecnológicos e SEPs são motores de desenvolvimento industrial, com impacto direto na inclusão produtiva e na competitividade do país.
Ao assegurar que qualquer empresa — especialmente as menores — tenha acesso a tecnologias essenciais de um padrão tecnológico sem comprometer a justa remuneração de seus inventores, o sistema de padrões tecnológicos reforça não apenas a inovação, mas também o equilíbrio entre desenvolvimento econômico, competição e segurança jurídica.
Daniela Santos é Diretora Jurídica da Ericsson Epara o Cone Sul da América Latina.
[1] ETSI Intellectual Property Rights Policy - Section 6.1. https://www.etsi.org/images/files/IPR/etsi-ipr-policy.pdf - Accessed on March 06th, 2026.
Sobre a ERICSSON
As redes de alto desempenho da Ericsson garantem conectividade para bilhões de pessoas todos os dias. Há 150 anos, somos pioneiros na criação de tecnologias de comunicação. Oferecemos soluções de comunicação móvel e conectividade para operadoras e empresas. Junto com nossos clientes e parceiros, tornamos realidade o mundo digital de amanhã. No Brasil, a Ericsson atua há mais de 100 anos e conta com uma fábrica em São José dos Campos, em operação desde 1955, responsável pela produção de equipamentos que suportam as redes móveis do país e da América Latina. A companhia também investe em pesquisa e desenvolvimento no mercado brasileiro, em parceria com clientes e instituições de ensino, contribuindo para o desenvolvimento de padrões móveis globais e para a adoção de tecnologias de ponta no país. Acesse o site.
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