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Como a IA está transformando a cobrança empresarial e eliminando práticas constrangedoras

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Por André Fossa, cofundador da Cogni2 e executivo de tecnologia com mais de 25 anos de experiência em transformação digital e inteligência artificial*

Durante décadas, a cobrança foi tratada como uma etapa final e inevitavelmente desagradável do relacionamento entre empresas e clientes. O processo costuma começar apenas quando a dívida já está vencida e se baseia em pressão, insistência e atrito. Esse modelo, além de caro e ineficiente, está cada vez mais desconectado do comportamento do consumidor digital.

A chegada de agentes de inteligência artificial está mudando essa lógica ao transformar a cobrança em uma jornada contínua de relacionamento. Quando as empresas removem barreiras que dificultam o pagamento e passam a interagir de forma mais inteligente e preventiva, a recuperação de crédito aumenta e a experiência do cliente melhora.

O problema estrutural é grande. O Brasil encerrou 2025 com cerca de 73 milhões de consumidores inadimplentes, segundo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas em parceria com o SPC Brasil. Isso representa mais de quatro em cada dez adultos. Ao mesmo tempo, segundo dados da Serasa Experian, o valor médio das dívidas por consumidor ultrapassa cinco mil reais. Esses números revelam um desafio sistêmico.

Grande parte das empresas ainda depende de estruturas de cobrança reativas, muitas vezes terceirizadas, que entram em contato com o cliente apenas quando o atraso já ocorreu. Nesse modelo, a maior parte do esforço das operações está em localizar o devedor, não em resolver o problema. A consequência é uma experiência desgastante para o consumidor e taxas de recuperação abaixo do potencial.

A inteligência artificial altera essa dinâmica porque permite que a cobrança comece antes do atraso e aconteça dentro dos canais onde o cliente já se relaciona com a empresa. Canais como o WhatsApp se tornaram centrais do ponto de vista de entrega e leitura de mensagens. Segundo a Meta, cerca de 98% das mensagens enviadas são abertas e aproximadamente 80% são lidas nos primeiros minutos.

O que a IA traz de novo é a capacidade de transformar esse nível de atenção em uma oportunidade inédita de resolução. Em vez de apenas enviar a fatura ou um aviso de atraso, agentes inteligentes conseguem explicar a cobrança, tratar contestações, gerar boletos ou códigos de Pix, simular parcelamentos e conduzir uma negociação completa em segundos, tudo com o imediatismo de uma conversa por texto ou mensagem de voz. Em vez de pressionar para receber, a empresa passa a facilitar o pagamento.

Por um bom tempo, existiu o receio de que automatizar a cobrança poderia tornar o processo mais impessoal ou agressivo. Essa preocupação faz sentido se a tecnologia for usada apenas para escalar as mesmas táticas de pressão. No entanto, os resultados observados em operações que utilizam inteligência artificial para negociação mostram outra tendência.

De acordo com estudo da consultoria McKinsey sobre uso de IA em serviços financeiros, sistemas capazes de analisar histórico de pagamento e comportamento do cliente conseguem personalizar propostas de negociação com maior precisão, aumentando as taxas de recuperação e reduzindo custos operacionais. Quando o consumidor encontra rapidamente uma alternativa viável e personalizada para a sua situação, a conversa deixa de ser um confronto e passa a se tornar uma solução prática, em que os dois lados passam a buscar o mesmo objetivo: resolver o pagamento.

O impacto dessa mudança é relevante também para a eficiência das empresas. Em operações que já adotam agentes de IA em larga escala, reduções de custo entre 60% e 80% começam a se tornar possíveis ao automatizar interações e remover tarefas repetitivas do processo. Ao mesmo tempo, a tecnologia libera equipes humanas para lidar com negociações mais complexas, enquanto tarefas repetitivas passam a ser resolvidas automaticamente e com respostas imediatas.

A cobrança tende, portanto, a deixar de ser uma atividade reativa e isolada dentro das empresas para se tornar parte integrada da jornada de relacionamento com o cliente. Mais do que simplesmente receber um pagamento atrasado, o objetivo passa a ser preservar o relacionamento e recuperar um bom cliente antes que ele se perca.

Em um país com milhões de pessoas endividadas, a tecnologia pode transformar um dos momentos mais críticos da operação das empresas em uma experiência mais eficiente, transparente e sustentável para os dois lados.

*André Fossa é cofundador da Cogni2 e executivo de tecnologia com mais de 25 anos de experiência em grandes operações corporativas. Atuou como CDO da Nextel, foi sócio da IBM e General Manager da Tata Consultancy Services. Hoje trabalha diretamente na implantação e operação de soluções de inteligência artificial em ambientes de produção para áreas como atendimento, vendas e cobrança.


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