Exaustão feminina na liderança revela o custo oculto do sucesso nas empresas
Por Lúcio Eroli
O relatório Women in the Workplace 2025, publicado pela McKinsey em parceria com a Lean In, traz uma constatação contundente: mulheres no topo das organizações estão mais exaustas e emocionalmente esgotadas do que nunca. A pesquisa, considerada a mais abrangente sobre mulheres e mercado de trabalho, confirma algo que se repete diariamente no consultório ao atender executivas em posições de liderança: o burnout tornou-se uma condição estrutural do sucesso profissional.
Os números são claros. Segundo o estudo, cerca de 61% das mulheres em cargos seniores afirmam sentir-se frequentemente ou constantemente esgotadas, índice superior ao dos homens no mesmo nível hierárquico. Entre mulheres que chegaram recentemente a posições de liderança, esse percentual sobe para aproximadamente 70%. Além disso, mais de 80% dessas executivas relatam preocupação com segurança no emprego, mesmo ocupando cargos de alta responsabilidade.
Outro dado relevante é que, pela primeira vez, uma parcela significativa de mulheres líderes declara menor interesse em continuar avançando na hierarquia corporativa, não por falta de ambição, mas por avaliar o custo emocional e pessoal dessa trajetória. O relatório também aponta que mulheres com cargos no alto escalão das companhias relatam menos apoio institucional, menos reconhecimento e maior pressão para provar competência continuamente.
Para quem acompanha essas lideranças de perto, esses números não surpreendem. Eles apenas traduzem, em estatísticas, aquilo que já se manifesta no sofrimento psíquico feminino. No consultório, o burnout raramente aparece como uma queixa direta. Ele se revela por meio de insônia persistente, ansiedade elevada, irritabilidade, lapsos de memória, dificuldade de concentração e uma sensação constante de vazio ou exaustão que não se resolve com férias ou pausas curtas.
No caso das mulheres, esse esgotamento costuma ser atravessado por múltiplas camadas de exigência. Além da pressão por performance no trabalho, muitas acumulam responsabilidades familiares, expectativas sociais e a necessidade constante de legitimar sua presença em ambientes ainda marcados por desigualdades de gênero. O relatório da McKinsey reforça esse ponto ao mostrar que, mesmo no topo, mulheres continuam enfrentando barreiras invisíveis que ampliam o desgaste emocional.
Diante desse cenário, o tratamento não pode se limitar a técnicas de produtividade ou estratégias superficiais de gestão do estresse. O primeiro passo, quase sempre, é ajudar essa executiva a se enxergar novamente como pessoa, e não apenas como função. Sempre repito: Você está na função, você não é a função. Antes de pensar em metas, é preciso resgatar identidade.
Isso passa, necessariamente, por uma avaliação profunda dos seus relacionamentos. Como estão suas relações pessoais e de amizade? Há espaço para vínculos que não estejam atravessados por demandas profissionais? O ambiente de trabalho permite trocas humanas ou apenas relações utilitárias? E, talvez a pergunta mais importante: essa mulher sabe aonde quer chegar ou apenas responde, de forma automática, às expectativas externas?
O dado desta pesquisa Women in the Workplace 2025 que aponta a redução do desejo de ascensão entre mulheres líderes deve ser lido como um sinal de alerta coletivo. Quando o topo se associa ao adoecimento, algo está desalinhado, tanto nas estruturas organizacionais quanto na forma como essas trajetórias são vividas individualmente.
Cuidar da saúde emocional de executivas não é fragilidade nem privilégio. É uma necessidade urgente. Empresas que ignoram esse cenário perdem talentos essenciais para o desenvolvimento de seus negócios. Profissionais que ignoram seus limites pagam um preço alto demais.
Reconhecer o burnout não como fracasso pessoal, mas como um sinal legítimo de que algo precisa mudar é o primeiro passo. Recolocar a pessoa no centro da própria vida, antes do cargo, é o que torna possível sustentar uma carreira longa, saudável e coerente com quem se é.
A pesquisa da McKinsey apresenta os dados. A clínica revela as histórias. Ambas apontam para a mesma direção: é hora de repensar o que chamamos de sucesso.
Sobre Lucio Eroli
Lúcio Eroli é psicanalista formado pelo Centro de Estudos Psicanalíticos (CEP), com consultórios estabelecidos em Alphaville/SP e Santo André/SP. Sua trajetória integra a tradição psicanalítica com os avanços científicos da neurociência e da medicina, sustentada por especialização na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e pós-graduação em Neurociência Comportamental pela UNIFESP. Também possui pós-graduação em Pessoas pela Fundação Dom Cabral e mais de 25 anos de experiência como executivo e conselheiro de empresas. Essa formação multidisciplinar lhe permite oferecer técnicas profundas e avançadas da Psicanálise, da Neurociência e da Psicologia, aliada a bases científicas sólidas, ampliando a compreensão dos processos inconscientes, emocionais e comportamentais. Seu propósito é proporcionar um espaço de reflexão e transformação, ajudando pessoas a enfrentar angústias, conflitos e desafios contemporâneos sob uma perspectiva que une rigor clínico e visão científica. Criador do Plano B e do Programa Jovens Extraordinários.
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