Planejamento financeiro começa pela gestão de riscos em tempos de crise
Dados do IBGE e da Susep indicam baixa reserva entre famílias e avanço do mercado de seguros enquanto especialista defende proteção como base estratégica
A maioria das famílias brasileiras tem pouca margem para reagir a imprevistos. Dados da PNAD Contínua, do IBGE, mostram que parcela relevante dos domicílios não conseguiria arcar com despesas inesperadas sem recorrer a crédito ou ajuda de terceiros, evidenciando fragilidade na formação de poupança.
Ao mesmo tempo, dados da Superintendência de Seguros Privados apontam que o setor supervisionado arrecadou mais de R$ 300 bilhões entre janeiro e setembro de 2025, mantendo crescimento nominal na comparação anual.
Para Leandro Lago, especialista em gestão de benefícios corporativos, proteção patrimonial e planejamento de riscos empresariais, proprietário do Grupo Futuro, corretora especializada em saúde suplementar e estruturação estratégica de contratos corporativos, o planejamento deve começar pela base. “Planejamento financeiro começa pela gestão de riscos. Investir sem proteger a estrutura expõe o patrimônio a rupturas”, afirma.
O movimento de expansão do mercado segurador ocorre paralelamente à ampliação da percepção de vulnerabilidade. Informações setoriais indicam crescimento consistente do seguro de vida individual e coletivo, especialmente nas coberturas em vida, como invalidez e doenças graves.
Segundo o especialista, o avanço reflete maior compreensão de que proteção antecede rentabilidade. “Seguro não é instrumento secundário. Ele garante continuidade financeira quando a renda é interrompida”, diz.
A ausência de proteção amplia impactos em crises econômicas, desligamentos profissionais ou eventos de saúde. No ambiente empresarial, a fragilidade pode comprometer caixa e sucessão societária. “Empresas que não estruturam cobertura para sócios e executivos estratégicos assumem risco operacional relevante”, aponta.
O especialista aponta cinco medidas práticas para reduzir vulnerabilidades financeiras e garantir estabilidade patrimonial em períodos de crise
Antes de detalhar as medidas práticas, a gestão de riscos exige mudança de mentalidade. A prioridade deve ser estruturar uma base de proteção capaz de sustentar decisões financeiras com mais segurança e previsibilidade.
Gestão de riscos como ponto de partida
O primeiro passo consiste em mapear riscos pessoais e empresariais, incluindo dependência de renda, exposição a dívidas e responsabilidades familiares ou societárias. A avaliação prévia orienta a definição de instrumentos adequados. “Sem diagnóstico, a contratação tende a ser genérica e ineficiente”, afirma.
Reserva de liquidez estruturada
A constituição de reserva de emergência reduz a necessidade de endividamento em situações imprevistas. A recomendação técnica costuma variar entre três e seis meses de despesas fixas, ajustada ao perfil de renda e estabilidade profissional. “Liquidez imediata protege decisões futuras”, diz.
Seguro compatível com a realidade atual
Apólices devem refletir fase de vida, estrutura familiar e atividade econômica. A escolha baseada apenas em preço pode gerar lacunas de cobertura. “Proteção precisa acompanhar evolução patrimonial e responsabilidades assumidas”, afirma.
Organização patrimonial e sucessória
Instrumentos que asseguram liquidez em caso de falecimento ou incapacidade evitam venda forçada de ativos e conflitos prolongados. No caso empresarial, a cobertura para sócios contribui para estabilidade operacional. “Seguro bem estruturado preserva patrimônio e continuidade”, destaca.
Acompanhamento técnico e revisão periódica
A contratação deve envolver corretoras ou consultorias com histórico comprovado e transparência contratual. A revisão periódica das coberturas evita defasagem diante de mudanças de renda ou expansão do negócio. “Planejamento financeiro é processo contínuo. A proteção precisa evoluir junto com o patrimônio”, diz.
Os benefícios dessa abordagem incluem previsibilidade financeira, preservação de padrão de vida e maior estabilidade empresarial. O principal alerta está na negligência da base protetiva, que pode comprometer estratégias de investimento bem estruturadas.
Para o especialista, instabilidade econômica apenas evidencia fragilidades já existentes. “A crise não cria o risco, ela revela a falta de preparação. Quem começa pelo gerenciamento de riscos constrói planejamento mais sólido e sustentável”, conclui.
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