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Recuperação judicial no agro cresce e impulsiona crédito fora dos bancos

  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Fabrizio Gueratto
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Quebras recentes e inadimplência elevada impulsionam o agronegócio para estruturas como DIP Finance e financiamento via fundos

O agronegócio brasileiro chega a 2026 pressionado por uma combinação de crédito caro, margens comprimidas e estruturas financeiras mais rígidas, cenário evidenciado por uma sequência de reestruturações recentes no setor. Casos como os processos de recuperação judicial envolvendo Amiu e Terra Santa passaram a ser citados no mercado como exemplos de como ciclos adversos prolongados afetam a capacidade de pagamento, atrapalham cadeias de fornecimento e reduzem o apetite bancário por risco no campo. Paralelamente, modelos amplamente utilizados no agronegócio, como a expansão via arrendamentos agrícolas, comuns em grandes operações como as da SLC Agrícola, expõem um ponto estrutural do setor, a elevação de compromissos fixos de caixa em momentos de estresse. Esse conjunto de fatores ajuda a entender por que o agronegócio concentra hoje 12,6 empresas em recuperação judicial a cada mil ligadas à agropecuária ou a produtores rurais (1,26%), índice 6 vezes superior à média nacional e quase o dobro do registrado na indústria, e por que a inadimplência rural alcançou 8,3%. Com bancos mais seletivos, o financiamento da safra passou a migrar para fora do sistema tradicional, as CPRs somaram R$ 121,9 bilhões no 2ºsemestre de 2025, alta de cerca de 30%, enquanto estruturas como DIP Finance e financiamentos via fundos de crédito ganharam espaço como alternativas de liquidez. O pano de fundo é um mercado de capitais que fechou 2025 com mais de R$ 981 bilhões em emissões, criando um novo desenho para o crédito rural em 2026,mais estruturado e menos dependente do banco.

A sequência de quebras recentes no setor ajudou a deslocar a discussão do crédito rural para um ponto mais sensível, a capacidade de sustentar a operação quando o financiamento tradicional recua. Casos como Amiu e Terra Santa, somados à pressão estrutural de modelos baseados em arrendamentos agrícolas, expuseram como choques prolongados tendem a interromper o fluxo bancário justamente durante o ciclo produtivo. Esse cenário explica o aumento do uso de DIP Finance e do financiamento de custeio via fundos, mecanismos que conseguem operar com liquidez enquanto a atividade segue em andamento e a dívida é reorganizada. Para André Matos, CEO da MA7 Negócios, o fator determinante é o desalinhamento entre risco financeiro e ritmo do campo. “Depois de uma quebra relevante, o banco precisa rever exposição e garantias. Só que a produção continua, o custo segue correndo e a empresa não pode simplesmente parar”, afirma. Segundo ele, essas estruturas permitem atravessar o período mais crítico sem romper a cadeia produtiva. “O objetivo é manter a operação funcionando enquanto o passivo é ajustado, evitando que um problema financeiro vire um colapso operacional”, diz.

A expansão de instrumentos como CPRs, fundos de custeio e DIP Finance, impulsionada pelo aumento das recuperações judiciais e pela maior seletividade bancária, não absorveu integralmente as dívidas deixadas pelas quebras recentes no agro. Parte relevante desse passivo permaneceu concentrada em obrigações com fornecedores e contratos que perderam aderência ao fluxo de caixa, justamente nos casos mais pressionados por inadimplência e arrendamentos. A MA7 Negócios atua na compra desses créditos já deteriorados, transformando valores que deixaram de circular na cadeia em negociações estruturadas. Ao assumir essas dívidas com desconto, a empresa passa a concentrar a relação financeira e a organizar prazos e condições de pagamento compatíveis com a realidade operacional do negócio. Em um mercado em que o crédito migra para estruturas mais sofisticadas, mas deixa lacunas no tratamento do passivo existente, esse tipo de operação ajuda a reduzir o efeito cascata das quebras, estabilizando a cadeia enquanto empresas do agro buscam acesso a funding via fundos, mercado de capitais ou outras estruturas privadas.

A tendência observada no agro em 2026 aponta para um mercado de crédito mais segmentado, no qual diferentes instrumentos passam a cumprir funções específicas ao longo do ciclo financeiro das empresas. Enquanto fundos de custeio, CPRs e operações estruturadas atendem a novas demandas de financiamento, a reorganização das dívidas já comprometidas tornou-se um passo necessário para que essas alternativas funcionem de forma sustentável. Para André Matos, CEO da MA7 Negócios, a travessia do atual ciclo depende menos de soluções pontuais e mais de coordenação financeira. “O que estamos vendo no agro é um processo de ajuste. Quem consegue organizar o passivo primeiro preserva a operação e mantém portas abertas para o mercado”, afirma. Segundo ele, a combinação entre crédito privado e reorganização de dívidas tende a ganhar espaço enquanto o setor conviver com margens pressionadas e maior seletividade. “O crédito continua existindo, mas exige leitura de risco mais precisa e decisões mais rápidas. Quem entende isso atravessa o ciclo, quem ignora tende a ficar pelo caminho”, conclui.

Sobre a MA7 Negócios

A MA7 Negócios é uma boutique de investimentos especializada em ativos estressados, uma das pioneiras nesse segmento no Brasil, com 15 anos de atuação, consolidou-se com inovação, experiência e resultados sólidos, tendo recuperado cerca de R$ 600 milhões, estruturado mais de 60 operações. Destaca-se pela capacidade de oferecer soluções estratégicas em cenários de alta complexidade, transformando desafios em oportunidades de valor. A equipe é formada por assessores, analistas e advogados altamente qualificados, preparados para estruturar operações personalizadas, com análise jurídica rigorosa, gestão eficaz de liquidez e controle de riscos. Essa abordagem multidisciplinar garante retorno consistente, segurança e criação de valor sustentável para clientes e parceiros.


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