Por que a manufatura precisa de um novo modo de pensar diante das incertezas em 2026
Mudanças tecnológicas e a contínua escassez de mão de obra são outros fatores que criam um cenário desafiador para o setor manufatureiro. Mas as soluções digitais existentes podem ajudar a enfrentar os grandes desafios que o ano nos reserva, afirma Kim Custeau, vice-presidente executiva de Gestão de Portfólio da AVEVA.
Ao entrarmos em um ano de desaceleração do crescimento econômico, a gestão industrial torna-se ainda mais exigente. Haverá maior pressão para cortar custos e otimizar operações, uma vez que mesmo pequenos ganhos podem aumentar as margens de lucro. A expansão deve dar lugar à eficiência, e apenas um cenário evitará uma reestruturação global: o crescimento acelerado da produtividade.
A produtividade pode impulsionar a inovação e a resiliência necessárias para enfrentar macro desafios, que vão desde choques geopolíticos e lacunas na força de trabalho até a gestão da transição para emissões líquidas zero.
Para que funcionem de forma lucrativa em ambientes de custos permanentemente mais elevados, o sucesso contínuo provavelmente dependerá da reformulação das operações por meio da transformação digital, da maior visibilidade operacional, de repensar os processos de negócios e do incentivo à comunicação aberta entre as equipes. E isso se aplica a cada uma das megatendências que o setor manufatureiro deve enfrentar este ano.
Impacto climático já é realidade
Eventos climáticos extremos estão se tornando mais frequentes. As perdas globais relacionadas ao clima atingiram US$ 165 bilhões no primeiro semestre de 2025, com os relatórios financeiros das empresas destacando a importância da resiliência climática. As organizações com visão de futuro já adotaram as tecnologias adaptativas essenciais para se manterem resilientes, mas um ponto crítico particularmente sensível decorre da escassez de água.
Nesse sentido, a espanhola Acciona, por exemplo, demonstrou como a replicação digital de suas operações pode aumentar a capacidade de produção e mensurar alterações na composição da água, como as causadas por poluentes relacionados ao clima.
Da mesma forma, com o aumento dos incêndios florestais devido a verões mais quentes e secos, a mitigação preventiva é o caminho a seguir para empresas como a Avista. A concessionária do noroeste do Pacífico utiliza um painel de controle de risco de incêndio para coletar dados de dezenas de milhares de fontes em toda a sua área de atuação, permitindo que os operadores desliguem a rede proativamente para prevenir incêndios e reduzir interrupções no fornecimento de energia.
Redes elétricas: o gargalo da transição energética
A lacuna global no acesso à energia se agravou por causa do crescimento populacional e industrial, e 730 milhões de pessoas não têm eletricidade. E a demanda está destinada a aumentar – com o impacto dos data centers, em particular – podendo dobrar o consumo atual até 2030.
Embora novas tecnologias estejam entrando no sistema rapidamente, de acordo com a Agência Internacional de Energia, atrasos na obtenção de licenças impedem a implementação de pelo menos 3.000 gigawatts em projetos de energia renovável – o suficiente para abastecer 2 bilhões de residências por um ano.
O impacto disso depende do seu negócio. Para as concessionárias de energia, a otimização será fundamental, uma estratégia que a Ontario Power Generation utilizou para economizar US$ 4 milhões em dois anos. As indústrias precisam fazer mais com menos, mas também devem considerar a integração de energias renováveis.
Cadeias de suprimentos fragmentadas desestabilizam negócios estabelecidos
Da indústria manufatureira aos setores químico e automotivo, as questões geopolíticas estão alterando as rotas comerciais. O México já responde por 15,4% do comércio dos EUA, ultrapassando a China, com 13,9%. Enquanto isso, um terço (33%) das empresas está desenvolvendo planos de geração nearshoring ou onshoring, com a maioria (78%) citando a incerteza comercial como sua principal preocupação.
Os fabricantes precisam reconstruir cadeias de suprimentos de matérias-primas, com décadas de existência, mas a mudança nas rotas de carga também impacta as operações marítimas. Felizmente, o software agora pode fornecer continuamente informações industriais, como cenários tarifários, planejamento de riscos e custos logísticos — graças à visibilidade de dados de ponta a ponta. O resultado é um novo tipo de parceria entre humanos e tecnologia que permite às empresas reequilibrarem suas redes sem grandes atrasos, enquanto se preparam para um futuro de colaboração entre humanos e máquinas.
A IA multicamada afetará praticamente todos os setores
A inteligência artificial (IA) evoluiu da euforia para a implementação, e está cada vez mais perto de alcançar um impacto estimado em quase US$ 15,7 trilhões em valor econômico global no médio prazo. Nove em cada dez empresas (88%) utilizam IA regularmente em pelo menos uma função de negócios.
Até o final do ano, é provável que a tecnologia seja utilizada de diversas maneiras, com múltiplos tipos de IA sendo aplicados de forma prática e mensurável para gerar resultados complexos — sejam aplicações generativas e de visão computacional ou agentes de IA que automatizam tarefas rotineiras. De acordo com o Gartner, até dezembro de 2026, cerca de 40% dos aplicativos corporativos hospedarão agentes de IA.
A IA possibilita múltiplos resultados, dependendo da aplicação, da qualidade dos dados e da interpretação humana. A manutenção preditiva e o controle de qualidade são os casos de uso mais comuns em diversos setores – da manufatura aos serviços públicos e de energia. Para alguns, os ganhos podem ser transformadores: os insights de IA aplicados às operações geraram € 8 milhões anualmente para a fabricante de bens de consumo Henkel em ganhos de valor e sustentabilidade, totalizando € 37 milhões até o momento.
Escassez de mão de obra estrutural
As mudanças demográficas e as novas formas de fazer negócios estão impulsionando uma escassez sistêmica de mão de obra. A indústria manufatureira norte-americana pode enfrentar 1,9 milhão de vagas não preenchidas até 2033, caso as tendências atuais persistam. Globalmente, prevê-se que habilidades técnicas como IA, cibersegurança e alfabetização tecnológica apresentem os maiores aumentos de demanda em apenas cinco anos. A escassez estrutural se estende aos setores de energias renováveis, mineração e energia, com as universidades incapazes de formar técnicos especializados em número suficiente.
Plataformas industriais que aumentam a produtividade dos trabalhadores – como por meio de manutenção assistida, treinamento no local de trabalho, verificações de qualidade automatizadas e captura de conhecimento de funcionários aposentados – são o único caminho viável para atingir as metas de produção com a força de trabalho disponível, como observa o Fórum Econômico Mundial (WEF). Neste contexto, a usina termelétrica a carvão residual da Seward Power Generation, na Pensilvânia (EUA), está acelerando o tempo de treinamento de novos funcionários e melhorando o desempenho operacional com apoio da tecnologia de simulador digital.
O ano em que a indústria passa de reativa a proativa
Existe um fio condutor comum a permear essas tendências. Com a visibilidade de dados de ponta a ponta e a IA, o software industrial agora pode ser dimensionado para lidar com problemas de negócios cada vez mais complexos, e está evoluindo de uma ferramenta que relata operações para uma que as executa. Nesse processo, o julgamento humano está sendo aprimorado e fortalecido em toda a cadeia de valor.
As empresas industriais enfrentam o que parece ser um período não linear, acelerado e volátil, mas interconectado. As organizações que prosperarão não serão aquelas com os robôs mais avançados ou os maiores conjuntos de dados. Em vez disso, serão bem-sucedidas as que conseguirem fazer os cálculos necessários para orquestrar a inteligência em todas as suas operações, transformando ferramentas desconectadas em sistemas integrados que aprendem e se adaptam continuamente.
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