Por que a reforma tributária pode mudar o jogo das empresas no Brasil
Avanço da regulamentação já afeta decisões de preço contratos e fluxo de caixa nas empresas brasileiras
O avanço da regulamentação da reforma tributária levou o tema ao centro da agenda econômica, mas a resposta das empresas ainda é desigual. Embora a mudança no sistema de tributação do consumo esteja em curso, parte do mercado segue tratando a reforma como um assunto distante. Na prática, o novo desenho já começa a afetar decisões de operação, precificação, contratos e gestão de caixa, mesmo antes da implementação total.
Jhonny Martins, contador e advogado, vice-presidente do SERAC, referência nacional em contabilidade, educação e gestão corporativa, avalia que esse distanciamento revela um erro de leitura estratégica. Levantamentos da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Fundação Getulio Vargas (FGV) indicam que a maioria das empresas brasileiras ainda não iniciou uma revisão estruturada de seus modelos de negócio diante da reforma. “Ela não é um evento pontual. Já começa a impactar decisões, especialmente em contratos e na formação de preços”, afirma.
Muito além da carga tributária
O debate público costuma se concentrar na substituição de tributos e nas novas alíquotas do IBS e da CBS, mas o alcance da reforma vai além da arrecadação. A ampliação da não cumulatividade e a mudança na lógica de créditos tendem a alterar a estrutura de custos de diversos setores, com efeitos distintos ao longo da cadeia produtiva.
Estudos técnicos da Receita Federal e da FGV apontam que comércio e serviços devem sentir impactos mais imediatos, enquanto a indústria enfrenta uma transição mais longa e complexa. “O empresário que continua precificando apenas com base no modelo atual corre o risco de perder margem ou competitividade nos próximos anos”, avalia.
Contratos e caixa sob pressão
Outro ponto sensível está nos contratos firmados hoje com vigência futura. Cláusulas de reajuste, repasse de tributos e definição de responsabilidades fiscais passam a exigir revisão cuidadosa. Setores com contratos de longo prazo, como construção, franquias e prestação de serviços recorrentes, estão entre os mais expostos.
O impacto sobre o fluxo de caixa também tende a ser subestimado. “A nova lógica de crédito altera o timing financeiro. Algumas empresas podem até reduzir a carga no papel, mas enfrentar descompasso de caixa se não reorganizarem processos e capital de giro”, diz.
Antecipação como diferencial competitivo
Relatórios recentes da FGV indicam que empresas que já iniciaram adaptações internas, como revisão de contratos, processos e sistemas, tendem a reduzir riscos e ganhar previsibilidade durante o período de transição. Ainda assim, a postura predominante no mercado é de espera, na expectativa de que a regulamentação esteja totalmente concluída.
Na avaliação do executivo, essa estratégia defensiva pode custar caro. “A reforma não vai esperar a empresa estar pronta. Quem se antecipa consegue negociar melhor, ajustar preços com mais clareza e evitar rupturas operacionais”, destaca.
Com a implementação gradual prevista para os próximos anos, especialistas apontam que 2025 e 2026 serão decisivos para a preparação das empresas. Mais do que compreender a legislação, o desafio será traduzir a reforma em decisões práticas, antes que seus efeitos se tornem irreversíveis.
Sobre o SERAC & BHub
O SERAC é referência nacional em contabilidade, educação e gestão corporativa e BHub, startup especializada em soluções tecnológicas de backoffice. Com mais de 10 mil clientes e presença em todo o território nacional, essa união visa transformar o setor contábil por meio de automação, formação e parcerias estratégicas. Instagram: @sou_serac ou pelo site souserac.com.
Sobre Jhonny Martins
Jhonny Martins é contador e advogado pela PUC-SP com especialização em Direito do Trabalho pela Faculdade de Direito Damásio de Jesus, com MBA em Gestão Empresarial pela FGV-SP e MBA em Gestão Tributária pela USP. É vice-presidente do SERAC, um hub de soluções corporativas.
Fontes de pesquisa
Receita Federal do Brasil
Confederação Nacional da Indústria (CNI)
Fundação Getulio Vargas (FGV)
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