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Calor extremo e chuvas intensas ampliam desafios logísticos em janeiro

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Especialista em gerenciamento de risco alerta para a influência das altas temperaturas, alagamentos e interdições durante o primeiro mês do ano

Se o mês de dezembro representa o pico de volume no transporte de cargas, o período de janeiro , fevereiro e março se consolidam como meses mais críticos do ponto de vista operacional. As chuvas intensas típicas do verão brasileiro elevam a incidência de alagamentos, deslizamentos e interdições em rodovias estratégicas, tornando as rotas mais longas, imprevisíveis e significativamente mais expostas a riscos. O calor extremo literalmente “derrete” o asfalto, produtos perecíveis e com temperatura controlada passam por desafios logísticos.

Para James Theodoro, CEO da Korsa Riscos e Seguros e especialista em gerenciamento de riscos, o período escancara fragilidades históricas do setor. “O clima não é imprevisível. O problema está em operar sem planejamento para ele. Esses meses exigem uma leitura ampla de risco, com definição de rotas alternativas, ajustes de horários, planos de contingência, protocolos claros e seguro adequado. Sem essa estrutura, qualquer imprevisto se transforma em prejuízo”, afirma.

Informações levantados pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) em 2025, indicam aumento contínuo na contratação de apólices de transporte, enquanto a Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) projeta avanço do setor em 2026, impulsionado pela maior frequência de eventos climáticos extremos e pelas exigências regulatórias. Para o setor, janeiro funciona como um verdadeiro teste de estresse: quem entra preparado atravessa o ano com mais previsibilidade; quem não entra, paga a conta logo nos primeiros meses.

Impacto vai além dos atrasos nas entregas

Caminhões parados ou obrigados a desviar de percurso permanecem mais tempo em áreas vulneráveis, o que aumenta o tempo para realizar a entrega, exposição a roubos, avarias e perdas de carga. Segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça, em conjunto com levantamentos da NTC&Logística, o Brasil registrou mais de 10 mil ocorrências de roubo de carga em 2024, com prejuízos superiores a R$ 1,2 bilhão. No primeiro semestre de 2025, os registros voltaram a crescer, impulsionados por desvios de rota e pela permanência prolongada das cargas em áreas de risco.

Relatórios das principais gerenciadoras de risco do país, consolidados ao longo do segundo semestre de 2025 também reforçam esse cenário, apontando um aumento relevante de sinistros associados a eventos climáticos, especialmente interdições por alagamentos e deslizamentos em corredores rodoviários das regiões Sudeste e Nordeste.

O cenário é agravado pela forte dependência do modal rodoviário no país. Segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT), mais de 60% de toda a carga movimentada no Brasil depende das rodovias, muitas delas em condições precárias, o que amplia os riscos em períodos de chuva intensa. A escassez de motoristas qualificados também pressiona as operações, comprometendo jornadas e protocolos de segurança.


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