A difícil missão de ser uma empreendedora no Brasil
Sonia Sodré*
O Brasil registrou no ano passado um total de 3,8 milhões de novas empresas abertas. O número é espantoso, mas representa uma retração de 4,8% sobre 2021, porém, um crescimento de 14,1% em comparação com 2020. E uma boa parcela dos empreendimentos que surgiu no país está nas mãos das mulheres. Bom? Isso é ótimo, sem dúvida, especialmente neste que é nosso mês. Temos o Dia Internacional da Mulher, em 8 de março, mas o que há para comemorar?
A data vale como uma reflexão sobre o contexto em que vivemos e os desafios que estão por vir. Temos muitos casos de sucessos de mulheres, é verdade. Maria Luiza Trajano, Sônia Hess e Chieko Aoki são apenas alguns bons exemplos, que formam um seleto grupo de empreendedoras reconhecidas e que são verdadeiras referências no país. Vale aqui lembrar de um detalhe importante: embora representem 52% da população, as mulheres ocupam posição de destaque em apenas 13% das 500 maiores empresas brasileiras.
Com a pandemia, o mercado de trabalho sofreu mudanças, exigindo de todas nós inovação e reorganização de planos. Empreender foi uma das formas encontradas e é um movimento que cresce no mundo inteiro. Segundo dados do Global Entrepreneurship Monitor 2020 (GEM), realizada em parceria com o Sebrae, 55,5% das novas empresas criadas no período pandêmico foram abertas por mulheres, mais resilientes e adaptáveis em relação aos homens.
Aqui, porém, quero lançar alguns alertas. É fundamental que as mulheres nesse cenário de crescimento se preparem mesmo para encarar esse protagonismo. O problema é que a pandemia fez com que muitas de nós tivéssemos que assumir a dupla responsabilidade de trabalhar e cuidar de casa ou da família. Um levantamento da Rede Mulher Empreendedora aponta que 53% das empreendedoras brasileiras têm filhos, sendo que a maioria busca por horários flexíveis que permitam conciliar as tarefas domésticas e a vida profissional. Já passei por isso (sou mãe de três homens e uma mulher) e sei bem como funciona.
Mas é certo que assumir o próprio negócio é uma forma de empoderamento e de ascensão para cargos de liderança, com o potencial de colaborar para a modificação do quadro de desigualdade com os homens. Fruto do avanço na garantia dos direitos femininos e no caminho à equidade entre homens e mulheres, essa nossa ascensão traz, além da celebrada diversidade, uma quebra de paradigmas e uma desejável renovação no mundo dos negócios.
Vale o registro que, na semana passada, tivemos algumas boas notícias. O Projeto de Lei nº 1.883/2021, que cria o Programa Crédito da Mulher na esfera dos bancos federais, foi aprovado na Câmara dos Deputados e aguardará apreciação do Senado. O texto propõe o estabelecimento de percentuais mínimos de concessão de crédito nos programas oficiais de crédito para empreendimentos dirigidos por mulheres, inclusive com taxas de juros reduzidas.
A ideia é muito boa, sem dúvida. Agora é torcer para que o projeto definitivamente saia do papel e seja lançado na prática. Como empreendedoras, precisamos sim de políticas públicas que facilitem a obtenção de recursos financeiros e fomentem a capacitação para, assim, garantirmos às mulheres condições de competir em mercados cada vez mais exigentes.
Fica a dica: estamos preparadas!
*É CEO do Grupo Sodré e diretora executiva da Feira da Moda Inverno (Feimi)
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