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Mais de 50% das pequenas empresas investirão em sustentabilidade em dois anos

Dados revelados pela CNI apontam que 20% dos pequenos negócios investiram mais em ações de sustentabilidade em meio às crises econômica e a sanitária provocadas pelo novo Coronavírus. Estratégia está alinhada com a chamada revolução industrial 4.0.

Na realidade, a Indústria 4.0 tem nos mostrado que devemos sempre nos atualizar, acompanhando assim as revoluções que ainda virão

A transição do mundo para uma economia de baixo carbono é um tema cada vez mais necessário, como mostrou a ampla participação de representantes das maiores potências mundiais na 26ª Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas (COP26), em Glasgow, na Escócia. Entre avanços e freios em medidas mais audaciosas, os países firmaram alguns pactos para garantir a redução de suas emissões de carbono derivados da queima de combustíveis fósseis e desmatamento, em uma tentativa de evitar maiores desastres provocados pelas mudanças climáticas.

O tema envolve todos os setores da sociedade e um dos que está se adequando a essa realidade é a indústria. Entre os pequenos negócios no Brasil, por exemplo, a tendência é de que 55% façam mais investimentos nos próximos dois anos na área de sustentabilidade. De acordo com pesquisa divulgada no final de outubro pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 90% dos pequenos empresários já adotam ações para evitar os desperdícios de energia e água em seus estabelecimentos e 85% deles têm uma política de resíduos sólidos consolidada. Outro dado revela que três a cada quatro executivos enxergam o tema sustentabilidade como uma oportunidade.

Ações que preservem o meio ambiente sem que haja perda na lucratividade são um dos pilares da chamada Indústria 4.0, que é a revolução pela qual o setor vem passando ao permitir maior desempenho aliado à tecnologia, utilização mais inteligente dos recursos disponíveis e otimização do tempo. De acordo com o engenheiro mecânico Bruno da Silva Câmara, a necessidade crescente por maior produção e menor custo fez com que as pequenas e médias empresas investissem também em tecnologia e renovassem o pátio industrial. “Antes, a Indústria 4.0 estava limitada a grandes empresas, porém, com a acessibilidade de novas tecnologias por parte das pequenas e médias empresas, o cenário tecnológico mundial tem se transformado”, disse.

O estudo “Inovação em modelo de negócios através do uso de tecnologias da indústria 4.0 em pequenas e médias empresas”, publicado este ano, ressalta que a pandemia contribuiu para acelerar a jornada de digitalização das pequenas e médias empresas. Com este cenário, muitos perceberam que somente a integração e digitalização evitariam a paralisação total de suas operações. Nessa perspectiva, foram considerados como fatores de incentivo para a adesão à Indústria 4.0 a redução de custos a médio e longo prazo e o retorno do investimento.

Câmara endossou a pesquisa divulgada pela CNI ao afirmar que os pequenos negócios estão se atualizando com a transformação da indústria em todo mundo, e que muitos têm feito “retrofit” em seus pátios fabris, ou seja, atualizando suas máquinas, substituindo ou modernizando peças e softwares por modelos com versões mais recentes.

O objetivo, segundo o engenheiro, que tem mais de 15 anos de experiência na indústria e é especializado em Gestão de Pessoas, é gerar maior produtividade, devido ao tempo ganho na produção, e menos perdas de matéria-prima. “São inúmeras as possibilidades para um reaproveitamento de máquinas e equipamentos que ganham vida nova após uma reforma tecnológica. Com essas reformas, as pessoas que antes trabalhavam de forma “analógica” agora buscam se aperfeiçoar para operar estes equipamentos e, assim, não ficar de fora do mercado de trabalho. Com a ajuda da internet é possível realizar cursos on-line para o autoaperfeiçoamento”, explicou.

Nova era industrial atrai mais postos de trabalho com mudança do perfil do profissional

Dados do Mapa do Trabalho Industrial, elaborado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), divulgado em 2019 atestam que o país tem o desafio de qualificar, até 2023, 10,5 milhões de trabalhadores com conhecimentos de base industrial. Principalmente, nas áreas de metalmecânica, construção, logística e transporte.

Em relação a novos postos de trabalho, o estudo também revela que as oportunidades criadas terão a tecnologia como base. A previsão é de aumento de 17,9% de vagas para pesquisadores de engenharia e tecnologia; 14,2% para cargos de engenheiros de controle e automação; e 13,8% na contratação de engenheiros mecatrônicos. “Com a chegada de novas tecnologias se criam funções e novos postos de trabalhos, então, a quarta revolução industrial não tem fechado vagas de emprego necessariamente, mas, sim, modificado o perfil do profissional. Na realidade, a Indústria 4.0 tem nos mostrado que devemos sempre nos atualizar, acompanhando assim as revoluções que ainda virão”, reforça Bruno Câmara.


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