Saúde mental do trabalhador ganha protagonismo no mundo corporativo, que busca a gestão adequada e humanizada para lidar com a questão
A pandemia se transformou em um importante gatilho dos distúrbios mentais no trabalho, independentemente do tipo, forma e local onde a atividade é exercida
A pandemia da Covid-19 forçou as pessoas a encararem mudanças drásticas nas suas vidas. Das atividades mais básicas - como ir a um supermercado ou fazer uso de um transporte público; até as mais complexas, como acompanhar o conteúdo didático das escolas e universidades e desenvolver as atividades laborais.
Junto trouxe outras mudanças perigosas, como maior consumo de cigarro, bebida alcoólica, comida ultraprocessada, mais tempo de internet, menos exercício físico, menos horas de sono e menos alimentação saudável. Em termos de comportamento este tem sido o resultado da pandemia para um número significativo de trabalhadores. Prova disso é que 34% dos fumantes aumentaram o número de cigarros consumidos por dia e 17,6% das pessoas aumentaram o consumo de álcool; enquanto o percentual dos que realizavam atividades físicas semanais caiu de 30,4% para 12,6%. Houve um aumento médio diário de 1 hora e 30 minutos de consumo de computador e tablet durante a período.
Esse pacote tem um impacto preocupante na saúde mental das pessoas e reflete nos números que despontaram na pesquisa “ConVid Comportamentos”, realizada em parceria pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O estudo deixa claro que esses comportamentos se correlacionam com sentimentos associados ao quadro depressivo e mostra que 40,4% das pessoas entrevistadas, disseram ter sentimentos de tristeza ou depressão, e 52,6% afirmaram experimentar nervosismo ou ansiedade, muitas vezes ou sempre. O maior impacto na saúde mental ocorreu nos adultos jovens, nas mulheres e nas pessoas com antecedente de depressão. Muitos desse contingente, pessoas empregadas, exercendo atividade presencial ou remotamente.
Eliana Saad Castello Branco, advogada, empreendedora e palestrante ressalta que a pandemia tem promovido outros valores nas empresas. “A crise da Covid-19 trouxe à tona a necessidade de atualizar as lideranças para valores de empatia, transparência e a desenvolverem uma habilidade relacional. Profundamente necessário, já que nenhum profissional é produtivo sem saúde mental”.
Ela destaca que a Organização Mundial da Saúde (OMS) também reconhece os impactos da pandemia na saúde mental. “Tanto que em março desse ano publicou um documento desenvolvido pelo Departamento de Saúde Mental, com mensagens de apoio e bem-estar de diferentes grupos-alvo. O intuito dessa ação foi promover o cuidado psicológico com a população mundial. Além das mensagens para as pessoas em geral, o documento contém uma sessão voltada aos trabalhadores. Isso acontece porque as relações profissionais foram muito afetadas pela Covid-19, gerando, além das incertezas com a estabilidade do trabalho, a insegurança para sair de casa e trabalhar, ou mesmo a dificuldade para conciliar a quarentena em família e o home office”, afirma a advogada.
Maior a autonomia e a pressão por resultados
O trabalho remoto, solução para manter as atividades em alguma medida durante a pandemia, trouxe benefícios e alguns percalços.
A advogada e sócia diretora do escritório Saad Castello Branco Sociedade de Advogados lembra que home office é peculiar ao mundo do trabalho do século 21. “O trabalho remoto trouxe para o colaborador maior autonomia, flexibilidade na gestão da rotina, desenvolvimento de confiança, capacidade de comunicação e empatia. Mas também trouxe a pressão para a atualização tecnológica para buscar melhores resultados. Hoje, se o colaborador não se adaptar e não se mantiver aberto para mudanças, ficará cada vez mais desatualizado. Assim, a regra é aprender e se adaptar constantemente. Embora muitos se frustrem ou sofram de ansiedade e/ou depressão com essa necessidade, não tem jeito, é esse caminho que se vislumbra a curto e médio prazo. Cabe as empresas promover essa adaptação, acolhendo o profissional e se mantendo como um suporte, que pode ser acionado a qualquer tempo”, afirma a empreendedora e apaixonada pelo direito social.
A advogada, que há muito se dedica a transmitir conhecimento de qualidade para a sociedade como um todo e para o mundo jurídico, destaca a importância do devido acompanhamento do trabalhador. “É preciso ter um olhar amplo e aberto para detectar distúrbios mentais, desencadeados durante e pós pandemia. A nova era dos ambientes com escritórios abertos e virtuais, sem divisões entre chefes e comandados e que estimulam o trabalho colaborativo vai predominar em 2021, como indica pesquisa da Época Negócios, onde consta que o modelo híbrido (alternância entre escritório e casa) atingirá 77,3% dos 1.545 entrevistados. A flexibilização está na ordem do dia e precisa da atenção dos gestores para que os trabalhadores se adaptem e principalmente, se mantenham protegidos nessa nova modalidade”, adverte Eliana Saad Castello Branco.
Ela lembra ainda que o líder deve abrir espaço para que a equipe possa errar como parte do método. “Os erros devem ser vistos com parte inerente do processo e não como resultado. Por isso é importante sempre que os funcionários sejam ouvidos. Uma liderança disruptiva é aquela mantém a cultura, sustenta a produtividade, busca um ambiente colaborativo, gerencia os riscos de cibersegurança remotamente, impede a discriminação e outras formas de má conduta e mantém a liderança conectada com o time, com confiança para um ambiente de vulnerabilidade, que pode causar danos físicos e mentais”, completa a advogada.
Até 2030 a depressão será a doença mais comum no Brasil
No Brasil, segundo a OMS, 11,5 milhões de pessoas sofrem com depressão e até 2030 essa será a doença mais comum no País.
A Síndrome de Burnout ou esgotamento profissional também vem crescendo como um problema a ser enfrentado pelas empresas e, inclusive, foi reconhecido pela entidade mundial de saúde como uma doença relacionada ao trabalho. De acordo com um estudo realizado em 2019, cerca de 20 mil brasileiros pediram afastamento médico no ano por doenças mentais relacionadas ao trabalho. Diante do panorama atual, a tendência é que essas questões se intensifiquem.
Para Eliana Saad Castello Branco, as empresas buscam por resultados positivos e quando o colaborador se sente motivado e seguro, produzir com qualidade é algo natural, da mesma forma que profissionais insatisfeitos e estressados tendem a impactar negativamente o negócio. “Por isso, a saúde mental dos profissionais deve ser cada vez mais uma preocupação. É importante que o empregador tenha o interesse constante em saber como as pessoas, que são seu maior ativo, estão se sentindo. Esse cuidado cria vínculos e faz com que o profissional se sinta amparado. Compreender e respeitar os limites é essencial para um bom desempenho", completa a advogada empreendedora.
Apostar e investir na qualidade de vida promove a felicidade no trabalho e abre caminho para a produtividade sustentável
Em tempos de pandemia, o conceito de qualidade de vida no trabalho precisou ser ampliado e ainda mais humanizado
Muitas e variadas são as interpretações para qualidade de vida no trabalho. As definições vão desde o foco médico da ausência de doenças do indivíduo até as exigências de recursos, objetos e procedimentos que atendam demandas coletivas em determinada situação. Tudo isso compondo amplos programas de qualidade de vida no trabalho (QVT).
Num escopo mais generalizado, podemos dizer que qualidade de vida no trabalho é um conjunto de ações de uma corporação que envolvem diagnóstico, implantação de melhorias, inovações gerenciais, tecnológicas e estruturais dentro e fora do ambiente de trabalho, visando propiciar condições plenas de desenvolvimento humano para a realização do trabalho.
Eliana Saad Castello Branco, advogada, empreendedora e palestrante ressalta que o mundo está mudando e que essas mudanças foram aceleradas pela pandemia. “Mesmo com a crise da Covid-19, percebemos que o mundo está mergulhado numa fase de produção definida pelo Fórum Econômico Mundial, em 2018, como “Indústria 4.0”. A jornada presencial prevista no artigo 74, da CLT, com necessidade de bater o cartão e deslocamento diário está em mutação. O teletrabalho é um modelo de trabalho mais flexível e é uma tendência do século 21, com empresas adotando inclusive o modelo, ou semana híbrida, que corresponde a alternância de dias no escritório- sede da empresa e trabalho remoto. Mas, o que precisa ser valorizado sempre é o capital humano presente nos quadros da empresa, esteja ele onde estiver”.
Ela acredita que estamos desenhando o próprio futuro no modo de trabalhar. “Modo esse que não se limita aos muros da companhia, com cultivo de competências e valores ínsito a pessoa humana, porque na centralidade dos avanços tecnológicos está o ser humano. Sabemos que dependerá do caminho que será adotado, para que os fossos de desigualdades sociais e digitais não aumentem entre os países e para que não tenhamos mais pessoas excluídas digitalmente. Falar num mundo sustentável, com qualidade de vida inclusive no trabalho é pensar, planejar e agir para o coletivo, é o que chamamos de Bem Comum. De outra forma, seremos um barco em águas calmas pegando fogo. Temos que pensar que o protagonismo de cada um faz efeito pela força potencial do coletivo”, ressalta Dra. Eliana Saad.
O meio ambiente do trabalho e sua relação com a qualidade de vida
O Estado Democrático de Direito, por meio da Constituição Federal de 1988 conhecida como “Constituição Cidadã” trouxe normas que foram alçadas ao patamar constitucional que vislumbramos o novo cenário digital da sociedade/pessoas/trabalho que se adaptam ao século 21.
A advogada e sócia diretora do escritório Saad Castello Branco Sociedade de Advogados lembra que o meio ambiente do trabalho, num sentido mais amplo, é o local onde o trabalhador exerce sua profissão. “E, nos dias atuais devemos encarar que a tecnologia é uma ferramenta para que possamos executar as tarefas. A saúde do trabalhador pode ser vista como uma preocupação mundial e para tanto Constituição Federal de 1988, em seu artigo 6º garante como direito social fundamental do cidadão: “Artigo 6º: São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição”. Portanto, o meio ambiente do trabalho, não é uma construção teórica, mas um direito fundamental do trabalhador resguardado constitucionalmente. Destaco o princípio da dignidade da pessoa humana, no artigo 1,III e, e ainda IV – os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, neste mesmo artigo”, destaca.
A advogada, que há muito se dedica a transmitir conhecimento de qualidade para a sociedade como um todo e para o mundo jurídico, lembra que no capítulo de direitos para os trabalhadores, consta a diretriz constitucional da proteção em face da automação- artigo 7º , XXVII , CF. “E continuo, no vetor ordem constitucional, que a atividade econômica terá "por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social", pois, a ordem econômica e a livre iniciativa estão fundadas na valorização - e não degradação - do trabalho humano, a teor do art. 170, caput, e ainda o reconhecimento constitucional da importância dos empresários se atentarem para o ambiente de trabalho, pouco importa se presencial, ou seja na sede da empresa ou ambiente de trabalho virtual, como estabelece a Carta Magna ao garantir a produção de normas que reduzam os riscos do ambiente de trabalho - art. 7º, XXII”.
Dra Eliana Saad ainda destaca que temos a Lei n. 6.938, de 31 de agosto de 1981 da Política Nacional do Meio Ambiente, a Consolidação das Leis do Trabalho, alterada pela Lei nº 6.514, de 22 de dezembro de 1977; a Portaria nº 3.214, de 8 de junho de 1978, e as Normas Regulamentadoras (NR) do Ministério do Trabalho e Emprego entre outras, todas um degrau abaixo na hierarquia legal. “Fato é que a pandemia trouxe a valorização do humano, a população ativa do mercado teve que continuar trabalhando com as ferramentas digitais que para alguns eram novidades e outros se aperfeiçoaram, sem contar o cenário de desemprego. Nesse sentido é ainda mais imperativo adotar ações eficientes que promovam o bem estar e a qualidade de vida dos trabalhadores, independente de onde e como desenvolvam suas atividades, promovendo a atualização tecnológica e profissional, com vistas na saúde e felicidade de cada indivíduo”, enfatiza a empreendedora.
Sobre Eliana Saad Castello Branco
Eliana Saad Castello Branco é advogada e sócia do escritório Saad Castello Branco, que está em atividade há três gerações. Participou da 3ª Turma de Criação de Novos Negócios e Empreendedorismo, GVPEC e se especializou em Direito Empresarial do Trabalho pela FGV/Law.
Diplomada pela Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP) pelo reconhecimento aos trabalhos prestados, é importante palestrante do meio jurídico, empreendedor e de gestão de pessoas.
Soma importantes conquistas jurídicas, como em favor dos consumidores que tiveram seu nome inscritos indevidamente no Serasa e SCPC, das vítimas de erro médico e da falta de atendimento em plano de saúde.
Permanece trabalhando incansavelmente na busca do ressarcimento de violação de direito à imagem, da proteção e defesa de trabalho intelectual por meio de litígios, sempre com o foco em advogar com sucesso na interlocução social com empresas e trabalhadores.
Mantém informações atualizadas no site www.saadcastellobranco.com.br e www.empreendedorlegal.com . Além do seu canal no YouTube: Eliana Saad e por meio das redes sociais: Facebook eliana saad - Instagram elianasaadc e LinkedIn Eliana Saad
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