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Empresas precisarão gerenciar carga emocional na pandemia para superar crise, avalia consultor da Mesa Corporate Governance

Para Álvaro Armond, fator humano será essencial para lidar com ambientes marcados por situações de pressão, dilemas e escolhas difíceis

Cuidar das pessoas e administrar o lado humano nas relações de trabalho será determinante para a sobrevivência de empresas durante a pandemia do novo coronavírus. A avaliação é da MESA Corporate Governance, consultoria brasileira de governança corporativa, que classifica a carga emocional da crise como aspecto tão delicado e desafiador para as organizações quanto as estratégias econômicas para proteger o caixa ou o planejamento para alavancar o mercado.

Neste artigo, o consultor da MESA Álvaro Armond apresenta três abordagens para que as empresas consigam gerenciar sensações como medo, insegurança, angústia, oscilações na autoconfiança e autoestima. Para Armond, as organizações que conseguirem colocar em prática essas ferramentas comportamentais tem tudo para extrair o melhor de seus profissionais durante e depois da crise.

A Relação do conselho e a alta gestão para superar a crise

Por Álvaro Armond

Tempos de crise exigem abordagens comportamentais diferentes e adequadas ao momento. Poucas coisas são menos efetivas nessas situações do que a tentativa inútil de fingir que nada está acontecendo e que os negócios continuam a funcionar normalmente. Toda crise envolve um contexto emocional e esse, por sua vez, afeta diretamente o comportamento das pessoas e, por consequência, a performance delas no nível individual, a efetividade das relações interpessoais e, em última instância, o desempenho organizacional.

Esse cenário mostra-se especialmente desafiador quando se analisa a relação, sempre delicada e crítica, entre o Conselho e a Alta Direção das Organizações. Pressionados pela crise, Conselheiros e Executivos passam a viver em um ambiente organizacional repleto de dilemas e escolhas difíceis.

Estratégias para proteger o caixa versus iniciativas comerciais anticíclicas; valorização do elemento humano versus políticas de corte de custos; e utilização de reservas versus alavancagem no mercado financeiro são apenas exemplos de situações que colocam pressão e tendem a produzir divergências, desacordos, tensão e comportamentos destrutivos entre os envolvidos nas decisões (Conselheiros) e aqueles responsáveis pela implementação do que foi decidido (Executivos).

Para lidar construtivamente com todas essas variáveis, vale considerar a relevância de três abordagens comportamentais, que surgem como ferramentas poderosas nesse tipo de contexto:

• Supervalorizar a faceta humana das relações profissionais

Como vimos anteriormente, crises colocam uma carga emocional significativa sobre as pessoas e essas emoções e sensações tendem a produzir comportamentos pouco efetivos. Para se evitar ou ao menos minimizar os efeitos nocivos desse cenário sobre a efetividade das pessoas, das relações e da Organização, é muito importante valorizar o indivíduo que existe por trás de cada profissional, Conselheiro(a) ou Executivo(a). Nesses momentos, as pessoas podem sentir medo, insegurança, angústia, oscilações na autoconfiança e autoestima e, muitas vezes, a combinação dessas emoções e sensações podem até encaminhar um quadro de depressão.

A ferramenta para lidar com isso tudo é mostrar-se "exageradamente humano". Isso implica em colocar, sempre, o ser humano à frente do profissional, e isso quer dizer, permitir que o ser humano seja capaz de resgatar o profissional e extrair o melhor dele naquela situação de crise. Para isso, as ferramentas são:

Empatia: ouvir, acolher e refletir os sentimentos de cada um. É procurar, de verdade, entender as emoções e sensações que o outro está experimentando e ser capaz de avaliar o impacto delas sobre aquela pessoa e os seus comportamentos.

• Respeito: valorizar e mostrar consideração pelas ideias, posições, opiniões e sentimentos do outro.

• Compaixão: colocar-se como "sócio" do outro no sofrimento que ele, eventualmente, esteja experimentando e apoiá-lo no processo de superar esse desafio.

• Praticar Assertividade

Assertividade é a capacidade de colocar-se, expressar-se, dizer aquilo que pensa, de forma clara, firme, objetiva, sem ambiguidade e de maneira respeitosa. Isso implica em Conselheiros e Executivos "trazerem para cima da mesa" tudo que precisa ser discutido, superar os temas considerados tabus, os "indiscutíveis" e, assim, endereçar tudo que for relevante para a Organização naquele momento delicado. Em suma, significa dizer tudo que tem que ser dito, por mais duro que seja, de forma respeitosa e efetiva. Com isso, aumenta-se exponencialmente a chance de se ter análises mais amplas e profundas e decisões mais efetivas.

• Estabelecer compromissos que produzam execução impecável

Em situações de stress, quando a urgência assume lugar de destaque, aumenta -se o risco de que entre Conselheiros e Executivos seja intensificado o comportamento de "tomar por entendido". "Tomar por entendido" acontece quando alguém infere e assume que aquilo que foi dito / combinado / solicitado foi entendido perfeitamente pelo outro e, portanto, irá acontecer naturalmente. A má notícia aqui é que isso nunca acontece...

Por isso, é muito importante que os dois lados, Executivos e Conselheiros, preocupem-se em garantir que as promessas, acordos e compromissos sejam estabelecidos de forma impecável. Isso quer dizer, ficou claro para todas as partes envolvidas:

• quem decidiu / solicitou (QUEM);

• para quem aquilo está colocado / solicitado (PARA QUEM);

• o que foi decidido / solicitado (O QUE);

• qual a expectativa de quem decidiu / solicitou sobre como aquilo será executado / entregue (COMO);

• para quando se espera a execução / entrega (QUANDO);

• porque aquilo foi decidido / solicitado (PORQUE).

Para que o compromisso seja firmado de maneira efetiva, além de todos os elementos citados acima, é fundamental que essa solicitação termine com um pedido formal de aceite, ou seja, expostos todos os elementos, é necessário perguntar a quem está recebendo a solicitação: "Você pode se comprometer com isso?" / "temos aqui um compromisso?".

Isso feito no nível do compromisso aumenta significativamente a chance de chegar-se a um resultado superior no nível da execução, ou seja, uma execução impecável, o que vai afetar positivamente a efetividade das pessoas, das relações e da Organização.

Essas ferramentas comportamentais parecem simples do ponto de vista conceitual e cognitivo, e elas realmente são. O desafio aqui é fazer a tradução desses conceitos para o nível comportamental. É aí que Conselheiros e Executivos têm uma oportunidade imensa de produzir uma versão melhor de si mesmos, consolidar relações interpessoais que impulsionem as relações profissionais e adicionar valor significativo para as Organizações que eles servem.

Por Álvaro Armond é consultor da MESA Corporate Governance

Sobre a MESA

Primeira consultoria brasileira a se dedicar com prioridade à dimensão humana da governança corporativa, que envolve os relacionamentos entre Conselho de Acionistas/Cotistas, Conselho de Administração, Conselho de Família e o principal executivo de uma empresa. A empresa é constituída por uma equipe de consultores especialistas e experientes que atendem às necessidades nos diferentes momentos de modernização de empresas de origem familiar ou multissocietárias, quer sejam de capital fechado ou com ações listadas em bolsas de valores. Também é filiada às seguintes entidades e instituições: AMCHAM Brasil, IBGC - Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, ICGN - International Corporate Governance Network, FBN - Family Business Network e NACD - National Association of Corporate Directors.


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