Brasil, 11 de Dezembro de 2019

TOKIO MARINE SEGURADORA

Cinco dicas para melhorar os processos e fazer a inovação acontecer na indústria

Por Alexandre Pierro

A indústria atua como locomotiva do crescimento de um país. Seu papel é central quando falamos de desenvolvimento econômico e empregatício, além de ter importante função nas relações internacionais, graças às exportações. Como um todo, ela representa para o Brasil de hoje 22% de seu PIB (Produto Interno Bruto). São 49% das exportações realizadas e 32% dos tributos federais arrecadados.

Para cada R$ 1,00 produzido na indústria, são gerados R$ 2,40 na economia como um todo. Nos demais setores, o valor gerado é menor: R$ 1,66 na agricultura e R$ 1,49 no comércio e serviços. Como afirma a CNI (Confederação Nacional da Indústria), 67% da pesquisa e desenvolvimento do setor privado vem da indústria e, por isso, ela pode ser considerada um dos berços de crescimento do país.

É na indústria que, muitas vezes, novas ideias e tecnologias atuarão primeiro, e é por isso que é preciso que esse seja um ambiente que estimule o desenvolvimento e crescimento de novas posturas. É preciso haver colaboração entre formação de profissionais para cargos ainda desconhecidos, e é necessário que haja maior parceria com o setor público.

Porém, é imprescindível que os processos estejam extremamente afiados dentro da indústria. É preciso aproveitar ao máximo cada proposta de inovação. Maximizar produções, além de abrir espaço para a entrada de novas tecnologias que geram progresso. Tudo começa na melhoria do que já existe, nos processos e gestão que ganharão possibilidades infinitas quando alinhados com posturas que buscam inovar. Abaixo, algumas dicas de como proporcionar essas melhorias.

#1 Preste atenção nas pessoas: As pessoas, sejam clientes, colaboradores ou fornecedores, estão no centro das transformações. Mesmo que na indústria não se lide diretamente com clientes finais, são eles que estão mudando comportamentos e fazendo novas exigências, que posteriormente são repassadas à indústria. Portanto, é para elas que as empresas precisam olhar. É preciso ter canais para ouvir de forma profunda e empática, buscando antever as necessidades e desejos de quem está na outra ponta do processo. É preciso convidar o cliente, o fornecedor, o parceiro, para o processo de pesquisa e desenvolvimento. Grandes insights surgem a partir do momento que damos voz e vez a quem é a grande razão de existir da indústria.

#2 Vá além da qualidade: Qualidade não é mais um diferencial e sim uma obrigação. Num mundo de poucas barreiras, o concorrente mais novo e simples pode quebrar sua “fórmula secreta” e, do dia para a noite, ser igual, ou até melhor que você. É preciso se utilizar de uma melhoria constante, e essa só é possível quando se tem ferramentas de gestão que incentivam a inovação através de cada processo e colaborador. Os produtos e processos são frutos das mentes que os pensam, e quanto mais livres e direcionadas à inovação elas forem, melhores serão os produtos. A ideia é estar à frente no patamar industrial, não por ter a melhor tecnologia, mas as melhores cabeças pensantes.

#3 Invista na gestão da inovação: A maioria das indústrias acredita que inovar é adotar novas tecnologias. Novo maquinário, equipamentos mais avançados, softwares inteligentes. A famosa “indústria 4.0”. Porém, antes de sair comprando um monte de equipamentos novos, é necessário uma gestão focada em dar o “norte” para a empresa, uma verdadeira gestão da inovação. Muitas vezes, todos esses aparatos acabam sendo inutilizados ou subaproveitados por falta de capacitação humana para operá-los ou de direcionamento adequado. Não adianta ter várias tecnologias, mas não ter uma gestão que diga o que fazer com elas, onde elas são mais necessárias, e se são mesmo a melhor alternativa. A aplicação de uma gestão de inovação é indispensável. Assim, a empresa sabe onde investir seus recursos. Se isso for feito de qualquer jeito, só se angaria dívidas. É preciso se perguntar “o que eu ganho com a mudança de equipamentos?”. Não adianta trocar por trocar, para dizer que tem maquinário de ponta, ou que está na indústria 4.0. Toda gestão tem que ser pensada na saúde financeira da empresa. Às vezes, a troca nem é necessária ou há opções mais baratas. Esse investimento só vale se for realmente trazer mais dinheiro e melhorar a empresa. Se não, é custo e não investimento.

#4 É preciso errar: Fomos ensinados que o erro é ruim e deve ser punido. No entanto, grandes inovações surgem a partir de erros. O erro faz parte do processo de maturação de um produto. Precisamos aprender com eles em vez de jogá-los embaixo do tapete e/ou castigar o “culpado”. Quem é mais inovador fala em errar rápido para aprender e acertar mais rápido. Prega-se o erro de baixo risco, que estimula a experimentação, o teste e a aprendizagem. O mindset dos gestores antigos é o da perfeição na primeira tentativa. Isso dava pouco espaço para inovação. Hoje, entendemos que para inovar é preciso ser tolerante à experimentação e até ao erro. Dizemos que estamos em constante estado de beta, onde tudo pode ser alterado de forma ágil. Algumas alterações serão boas, outras nem tanto. Mas, está tudo bem. As ruins sempre deixarão lições importantes, desde que estejamos abertos a elas.

#5 Mente aberta para o futuro: Tudo que falamos é uma questão de mentalidade. Não adianta dirigir uma indústria, tentar levá-la para a frente, olhando apenas para o retrovisor. O gestor precisa ter os olhos voltados ao futuro, tentando antever cenários. Se livrar de crenças limitantes e conceitos pré-estabelecidos é o passo mais fundamental que um gestor deve dar no caminho da inovação. É preciso mudar o modelo de gestão de cima para baixo, num movimento top-down. Dessa forma, quando todos estiverem alinhados, na mesma página, a empresa será capaz de inovar e aproveitar o mar de oportunidades que o amanhã nos reserva. Ela estará, enfim, nos trilhos da inovação e com nova capacidade de ser a locomotiva de todo um país rumo ao crescimento econômico.

Alexandre Pierro é fundador da Palas, consultoria em gestão da qualidade e inovação, engenheiro mecânico pelo Instituto Mauá de Tecnologia e bacharel em física nuclear aplicada pela USP. Passou por empresas nacionais e multinacionais, sendo responsável por áreas de improvement, projetos e de gestão. É certificado na metodologia Six Sigma/ Black Belt, especialista e auditor líder em sistemas de gestão de normas ISO. É membro de grupos de estudos da ABNT, incluindo riscos, qualidade, ambiental e inovação. Atualmente, cursa MBA em inovação.

Sobre a PALAS:

www.gestaopalas.com.br / (11) 3090 7166

A PALAS é uma consultoria especializada em inovação e gestão. Entre os serviços estão treinamentos, consultorias e certificações ISO. Em um processo de co-criação, a empresa ajuda seus clientes a criarem o futuro. A inovação acontece como uma consequência da implementação de algumas das mais importantes metodologias de gestão. A PALAS é pioneira na implementação da ISO 56.002, que garante os processos de inovação nas empresas.


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