SEGS Portal Nacional

Economia

Selic já chegou a 45%! Especialista relembra história da taxa

  • Segunda, 10 Mai 2021 10:17
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Vagner Lima
  • SEGS.com.br - Categoria: Economia
  • Imprimir

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BC) subiu nesta quarta-feira, 05 de maio, a meta para os juros básicos (Selic) em 0,75 ponto, de 2,75% para 3,50%.

O aumento da taxa de juros ocorre em meio ao avanço da inflação, que está pressionada, sobretudo, pelo aumento dos preços dos combustíveis e pela alta do dólar.

Os juros altos são uma arma usada por governos para combater a inflação, mas há efeitos colaterais: eles atrapalham o crescimento do país. A Selic é utilizada pelos bancos apenas como uma referência. A partir dela, as instituições financeiras definem quanto vão cobrar por empréstimos às pessoas e às empresas para tomar empréstimos para produção. Isso aumenta o desemprego e piora o consumo. As empresas vendem menos, e então um ciclo negativo se instala (quanto menos vende, menos emprego gera). Essa situação deixa a economia com menos força, o que afeta o PIB (Produto Interno Bruto).

A seguir, o coordenador do Instituto de Finanças da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), Ahmed El Khatib, relembra a história da Taxa Selic.

HISTÓRIA DA TAXA SELIC

Entre 1º de julho de 1996 a 4 de março de 1999, a taxa básica para definição de todas as demais taxas de juros da economia brasileira era a TBC (Taxa Básica do Banco Central), determinada mensalmente pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil. A partir de 2 de janeiro de 1998, essas taxas passaram a ser fixadas na expressão anual. Após 5 de março de 1999, com a extinção da TBC, o Copom passou a divulgar a meta para a taxa Selic, estabelecida periodicamente para fins de política monetária.

Por ocasião da extinção da TBC, na primeira reunião do então presidente do BCB Armínio Fraga, foi determinada que a SELIC passaria a ser a única taxa a sinalizar os juros para toda a economia. Também foi instituído o uso do viés que autorizava o presidente do BCB a mudar os juros, na direção do viés, a qualquer momento sem consultar o Copom.

Nascia naquela reunião o Sistema de Metas de Inflação que seriam perseguidas com as políticas monetária e fiscal e que é usado atualmente. A taxa naquela ocasião teve um pico de 45% ante os 39% anteriores, ou seja, o BCB, surpreendendo o mercado, havia subido os juros em 6 pontos percentuais ao ano, em uma reunião de emergência para conter a escalada da inflação. Esse foi o motivo da alta maior do que a previsão dos economistas à época.

Já em 2005, o Comitê de Política Monetária do BCB decidiu manter a taxa de juros Selic em 19,75% pelo segundo mês consecutivo, interrompendo um período de aumento de nove meses, iniciado em setembro de 2004, quando ela foi de 16,25%. As justificativas para as constantes elevações basearam-se na dificuldade encontrada pelo Governo para controlar a inflação dentro das metas previstas para o ano.

Originalmente, a meta central para a inflação de 2005 foi fixada em 4,5% pelo Conselho Monetário Nacional. Também foi estabelecida uma margem de tolerância de até 2,5 pontos percentuais para cima ou para baixo desse número. O próprio BCB, porém, decidiu que, diante da alta da inflação ocorrida em 2004, o centro da meta desse ano deveria ser alterado para 5,1%, com o teto sendo mantido em 7%.

Em maio de 2012, O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reuniu e decidiu baixar os juros de 9% para 8,5% ao ano. Naquele momento, a taxa Selic atingiu o menor patamar já registrado em toda a série histórica do Banco Central, que começou em 1986.

Antes dessa data, segundo a autoridade monetária, não existia uma taxa de juros oficial. Naquela ocasião (acredite!) atingiu-se a menor "meta" para a taxa de juros já registrada na economia brasileira, que vigorou de julho de 2009 a abril de 2010 (8,75% ao ano).

Nessa situação, a caderneta de poupança passou a render, para as aplicações feitas no início de maio em diante, menos de 6% ao ano pela primeira vez na história. Pelas novas regras definidas pelo governo federal naquele período, o rendimento da poupança passou a ser atrelado aos juros básicos da economia, rendendo 70% da aplicação, mais a Taxa Referencial, sempre que a Selic for de 8,5% ou menos.

A diminuição na Selic tem como finalidade, dentre outras, aumentar o consumo. Normalmente, quando os juros caem, o valor do crédito também segue a mesma trajetória. Com isso, as pessoas costumam buscar empréstimos, o que aumenta a circulação de dinheiro.

Por outro lado, conseguimos neste período de 2020 e 2021 (apesar da elevação anunciada agora, 05.05.21, da Selic para 3,50 %) ter taxas muito baixas, quando comparadas a períodos anteriores. Entretanto, com juros baixos, as empresas gastam menos para captar crédito e fazer investimentos, ampliando produção, contratando empregados.

Com a taxa Selic baixa, temos uma redução do tamanho da dívida do governo. Quase 40% da dívida total do governo é corrigida pela Selic. Com juros mais baixos, o governo paga menos juros e gasta menos. Por fim, juros mais baixos podem (não é regra) representar prestações do crediário mais suaves para o consumidor. Isso favorece o consumo, pois, ao venderem mais, as empresas produzem mais e, para produzir mais, contratam mais mão de obra e, dessa forma, a economia fica mais aquecida.

O especialista

Ahmed Sameer El Khatib: graduado em Ciências Contábeis (Universidade de São Paulo), Mestre em Ciências Contábeis e Atuariais (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e Doutor em Administração de Empresas (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). Concluiu seu estágio pós-doutoral na Universidade de São Paulo e é Professor de Contabilidade Financeira, Finanças e Auditoria na Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado - FECAP.

Sobre a FECAP

A Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) é referência nacional em educação na área de negócios desde 1902. A Instituição proporciona formação de alta qualidade em todos os seus cursos: Ensino Médio (técnico, pleno e bilíngue), Graduação, Pós-graduação, MBA, Mestrado, Extensão e cursos corporativos. Dentre os diversos indicadores de desempenho, comprova a qualidade superior de seus cursos com os resultados do ENADE (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) e do IGC (Índice Geral de Cursos), no qual conquistou o primeiro lugar entre os Centros Universitários do Estado de São Paulo. Em âmbito nacional, considerando todos os tipos de Instituição de Ensino Superior do País, está entre as 5,7% IES cadastradas no MEC com nota máxima.


Compartilhe:: Participe do GRUPO SEGS - PORTAL NACIONAL no FACEBOOK...:
 

<::::::::::::::::::::>

 

+ECONOMIA ::

Mar 10, 2026 Economia

Renda passiva com imóveis exige conta fechada e não…

Mar 09, 2026 Economia

Na hora de escolher o imóvel, a palavra final é delas

Mar 06, 2026 Economia

Contribuintes podem destinar parte do Imposto de Renda…

Mar 05, 2026 Economia

Ano eleitoral pede planejamento financeiro rigoroso e…

Mar 04, 2026 Economia

Custos invisíveis de produção desafiam rentabilidade da…

Mar 03, 2026 Economia

Recuperação judicial é alternativa estratégica para o…

Mar 02, 2026 Economia

A Reforma Tributária e as negociações sindicais: como…

Fev 27, 2026 Economia

Malha fina: veja os erros mais comuns no Imposto de…

Fev 27, 2026 Economia

Pagamento por Pix no ponto de venda: praticidade no…

Fev 26, 2026 Economia

Tarifaço global entra em 2026, pressiona o comércio…

Fev 25, 2026 Economia

Queda de 1 ponto no juro do financiamento imobiliário…

Fev 24, 2026 Economia

Planejamento tributário inadequado aumenta riscos e…

Fev 23, 2026 Economia

Você sabe como fica a rotina do empreendedor com a…

Fev 20, 2026 Economia

Da teoria à prática: como a Reforma Tributária deve…

Fev 19, 2026 Economia

Mercado de financiamento de litígios chega a US$ 20…

Fev 18, 2026 Economia

Reforma Tributária muda regras do aluguel e aumenta…

Mais ECONOMIA>>

Copyright ©2026 SEGS Portal Nacional de Seguros, Saúde, Info, Ti, Educação


main version