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O que o Cyberpunk 2077 e o HBO Max ensinam sobre a importância da qualidade em um produto digital

* Por Bruno Abreu

O lançamento do jogo Cyberpunk 2077 gerou perdas financeiras à CD Projekt Red (CDPR) devido a bugs que atrapalhavam a experiência do usuário. Isso fez com que a empresa tivesse que devolver o dinheiro pago por seus clientes, gerando um custo total superior a US$51 milhões. Além disso, por ser uma empresa de capital aberto, o valor de suas ações caiu logo após o lançamento do jogo em dezembro de 2020. Após uma leve recuperação desse valor em janeiro deste ano, que coincidiu com o lançamento de um patch de correções, a queda no valor das ações continuou e o lucro da empresa no primeiro trimestre de 2021 foi abaixo do esperado. Além das perdas financeiras, o lançamento com problemas gerou comentários negativos por parte dos consumidores, impactando negativamente a marca.

O jogo já havia sido adiado em relação à sua data de lançamento original e, em outubro de 2020, a CDPR informou em comunicado que “O grande desafio no momento é enviar o jogo para PCs e consoles desta e da próxima geração, o que demanda preparar testes para nove versões do jogo”. Isso parece não ter sido o suficiente: apenas quatro dias após o lançamento oficial do jogo, a empresa disse em seu Twitter: “Nós deveríamos ter prestado mais atenção para o jogo funcionar melhor no PlayStation 4 e no Xbox One”.

Outro exemplo recente de lançamento, que alerta sobre a importância da qualidade, é o aplicativo HBO Max, que, de acordo com a Vulture, está sendo refeito do zero após apresentar problemas que estão impactando a experiência dos usuários. Conforme reportado no veículo, “O Max é uma versão adaptada dos aplicativos HBO GO e HBO Now. Ambos são aplicações sólidas, mas desenvolvidas para um produto diferente”.

Esses dois produtos têm grande apelo junto aos seus públicos e são capazes de atrair bastante clientes pela expectativa que geram e pelo conteúdo diferenciado que possuem. Contudo, os bugs e problemas de experiências que esses dois casos em particular apresentaram geraram grande quebra de expectativa e acabaram frustrando o consumidor de certa forma.

Esse problema não é exclusivo à HBO Max e ao Cyberpunk: é comum vermos isso ocorrendo com diversas empresas que possuem sites ou aplicativos, independente de seu público ou de sua penetração no mercado.

Uma prática que pode ajudar a evitar casos como os dois acima é o Shift-left Testing. Essa abordagem prevê tirar as atividades de teste e qualidade de software do fim do processo de desenvolvimento de software e deslocá-las para mais cedo no processo, iniciando elas nas fases de planejamento e as estendendo ao longo de todo o ciclo.

Dificuldade de fazer correções após o produto estar no mercado

Dificilmente existirá um produto digital livre de bugs, mas adotar modelos como o do Shift-left Testing viabiliza encontrar essas falhas mais cedo no ciclo de desenvolvimento. Por consequência, é possível corrigi-las também mais cedo, gerando menos retrabalho e menos custos para a operação.

Isso porque mais da metade das falhas de software nascem antes de uma única linha de código ser escrita. Quando requisitos são especificados de maneira errada, o entendimento dos desenvolvedores é impactado e isso influencia na inserção de bugs no produto. E conforme esses erros vão avançando no processo, mais caro eles ficam.

Segundo pesquisa da Ponemon Institute, organização americana especializada em pesquisas de tendências em políticas de segurança, privacidade e proteção de dados, uma única falha encontrada ainda na fase de codificação de um software custa em média US$80. Conforme as fases de desenvolvimento avançam, esse valor sobe: se a mesma falha for encontrada na fase de testes, o custo chega a US$960; após o lançamento, US$7,6 mil.

A elevação dos custos ocorre pois, conforme as fases de desenvolvimento avançam, também aumentam o número de profissionais envolvidos nas correções e a complexidade do que se deve resolver. Outro fator que pesa contra deixar a qualidade exclusiva ao final do processo de desenvolvimento é que nesta fase do projeto o orçamento poderá estar comprometido e o deadline para a entrega do produto fica cada vez mais próximo, sendo muito fácil ignorar etapas de testes para cumprir um cronograma apertado.

Ainda que o custo seja alto, é possível (e comum) realizar a correção de problemas em produtos que já estão nas mãos do consumidor. Porém, acredito que sempre é importante aprender com a experiência de outras empresas. Em uma transmissão realizada pela CDPR no dia 17 de agosto, sobre um patch de correção que estava sendo desenvolvido para melhorar os problemas do Cyberpunk 2077, o designer de fases da empresa, Miles Tost, disse: “as pessoas não sabem como é difícil criar patches para um jogo já lançado… é basicamente (como fazer) uma cirurgia cardíaca aberta”.

Implementando a cultura de qualidade

A adoção do Shift-left Testing demanda mudanças na forma de pensar de gestores e colaboradores envolvidos no projeto: todos precisam entender os objetivos do produto digital que será desenvolvido para garantir seu sucesso. A equipe de tecnologia inteira precisa trabalhar em conjunto, independente de suas funções, tomando a qualidade do que está sendo entregue pelo cliente como a prioridade de cada um.

Ao adotar essa forma de trabalho, é possível envolver todo o time nas atividades de qualidade e ampliar a cobertura dos testes, pois todos terão conhecimento dos requisitos, protótipos e aspectos funcionais do produto. Consequências positivas desse movimento incluem prevenção de bugs, antecipação de melhorias, previsibilidade e agilidade, garantia da qualidade na entrega e aumento da confiança de todos no projeto.

A pressão pelo lançamento de um produto digital existe em todas as empresas de tecnologia. Com a pandemia, muitos produtos ou mesmo novas funcionalidades precisaram ser lançados às pressas visando a sustentabilidade dos negócios, inclusive em empresas que ainda não planejavam ingressar no digital e tiveram que se adaptar rapidamente. Neste cenário, processos e etapas podem ter sido acelerados ou o orçamento pode ter sido comprometido antes de validações de qualidade.

A implementação do Shift-left Testing pode demandar mais trabalho, pois é necessário mudar a cultura da empresa, que passará a adotar um mindset orientado para a qualidade, mas ela permite melhorar a eficiência do desenvolvimento e reduzir custos com o retrabalho gerado pelos problemas introduzidos na aplicação. Ao adotar a busca pela qualidade desde o início do desenvolvimento e a realização de testes contínuos em todo o processo produtivo, é possível mudar a cultura de todos os envolvidos e evitar perda de tempo na correção de bugs e prejuízos financeiros e de reputação perante o mercado.

*Bruno Abreu é CEO da Sofist

Sobre a Sofist

A Sofist é uma consultoria ultra especializada em qualidade de software. Suas soluções permitem que empresas promovam iniciativas digitais com velocidade e confiança, evitando que pressões por evoluções técnicas prejudiquem a experiência dos usuários. A Sofist está há mais de 12 anos no mercado e atende empresas como Magazine Luiza, iti (Itaú), DMCard, Livelo, Whirlpool, iFood e Via (antiga Via Varejo).


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