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Treinar até a exaustão pode estar sabotando seus resultados

  • Terça, 10 Fevereiro 2026 18:54
  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Karol Romagnoli
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Dor persistente, fadiga diária e queda de desempenho indicam desequilíbrio entre carga, recuperação e adaptação física

Você treina, sente dor, sai exausto e acredita que isso é sinal de evolução. Nem sempre é. Em muitos casos, o corpo não está progredindo, está pedindo ajuste. Saber diferenciar adaptação de excesso é o que separa quem evolui com consistência de quem entra em ciclos de dor, queda de desempenho e frustração. “A dor faz parte do estímulo, mas o ponto não é sentir dor. É entender que tipo de dor é essa e o que acontece com ela nos dias seguintes”, explica Junior Carvalho, preparador físico de atletas.

A chamada dor muscular tardia é considerada uma resposta fisiológica normal, especialmente quando há aumento de carga, intensidade ou introdução de movimentos novos. Estudos indicam que ela costuma surgir entre 12 e 24 horas após o treino, atingir pico entre 24 e 72 horas e diminuir progressivamente conforme o músculo se recupera.

Dor articular ou muito localizada, diferente da dor muscular difusa, costuma indicar sobrecarga ou falhas de execução. Pontadas agudas, sensação de instabilidade, estalos acompanhados de dor ou desconforto unilateral persistente não fazem parte de um processo saudável de adaptação.

Outro sinal importante é a dor que não melhora com o descanso. Quando o estímulo é adequado, o corpo responde com recuperação e ganho funcional. Quando a dor persiste, piora a cada sessão ou obriga mudanças no movimento, o treino precisa ser revisto.

A queda de performance sem causa aparente também é um marcador clássico. Um consenso publicado no International Journal of Sports Physiology and Performance aponta que redução de rendimento associada a fadiga constante costuma estar ligada ao desequilíbrio entre carga de treino, estresse e recuperação.

Há ainda o cansaço que atravessa o dia. “Não se trata apenas de sair cansado da sessão, mas de acordar exausto, perder disposição para tarefas simples e sentir o corpo pesado de forma contínua”, pontua Júnior.

Treinar sempre no limite agrava esse cenário. Revisões do British Journal of Sports Medicine mostram que esportes de força e alta intensidade apresentam maior incidência de lesões quando o praticante permanece por longos períodos próximo do máximo, sem variação de estímulo. Lombar, pelve, ombros e cotovelos estão entre as regiões mais afetadas.

Em situações raras, mas graves, sintomas como dor muscular extrema, inchaço significativo, fraqueza intensa e urina escura podem indicar rabdomiólise, condição que exige atendimento médico imediato.

“Treinar bem não é treinar menos. É treinar com inteligência. Progredir com método, ajustar uma variável por vez e alternar dias intensos com sessões leves ou moderadas faz parte do processo. Recuperação é pilar e não pode ser tratada como complemento. Sono, alimentação e hidratação sustentam qualquer evolução consistente. Aprender a diferenciar a dor muscular normal do pós-treino de uma dor articular ou de uma dor que não melhora por má recuperação é tão importante quanto executar um exercício corretamente”, resume o preparador físico.

Quando o treino passa a comprometer o sono, reduzir o rendimento e acumular dores articulares, o corpo deixa de responder com adaptação e passa a sinalizar excesso. Evoluir não é sair sempre destruído, é respeitar o tempo do corpo, ajustar estímulos e permitir que a recuperação sustente o progresso. No fim, desempenho é sobre inteligência, consistência e longevidade e não sobre suportar mais dor.

Sobre

Junior Carvalho é preparador físico de atletas, formado em Educação Física pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) e pós-graduado em Treinamento Físico Individualizado. Com mais de 27 anos de atuação, construiu carreira sólida no alto rendimento, transitando entre o judô, o jiu-jitsu e o CrossFit. É campeão mundial de jiu-jitsu pela IBJJF em 2005, faixa preta de jiu-jitsu e judô, e responsável pela preparação de atletas com resultados expressivos no cenário nacional e internacional. Entre seus principais cases está o trabalho com atletas master no CrossFit Games, incluindo vice-campeonato mundial em 2022 e terceiro lugar em 2024. Sócio e coach do Hangar CrossFit Bauru, Junior desenvolveu a metodologia TSI – Treinamento Sustentável Inteligente, focada em performance, recuperação e longevidade esportiva, aplicada hoje em atletas de elite e praticantes avançados.


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