Carnaval: 5 curiosidades sobre a data
Uma das festas mais populares do mundo, o Carnaval tem suas origens na Antiguidade pré-cristã e foi incorporado, delimitado e datado pelo calendário do cristianismo. “Antes de sua validação pela Igreja, era um período de festas profanas, invernais, regidas pelo ano lunar. Os povos pagãos realizavam rituais, utilizavam fantasias e máscaras, dançavam para seus deuses - essa manifestação destacava a sobrevivência humana em face aos rigores do frio e aos riscos da morte por enfermidades ou por violência”, explica Ana Beatriz Dias Pinto, especialista em comportamento humano e professora da Escola Politécnica da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).
Confira 5 curiosidades que ajudam a entender o Carnaval.
Qual o significado da palavra Carnaval?
Para alguns, o nome da expressão latina carne vale! (adeus, car-ne!), anunciaria entrada na abstinência quaresmal. Em Roma, com os povos pagãos, havia uma festa, a Saturnália, na qual um carro no formato de navio abria caminho em meio à multidão, que usava máscaras e promovia as mais diversas brincadeiras em honra ao imperador. A origem da palavra carnaval seria carrum navalis (carro naval). Essa interpretação é contestada pela Igreja (que passou a realizar procissão semelhante, mas para seus santos). Atualmente, a etimologia mais aceita liga a palavra carnaval à expressão carne levare, ou seja, afastar a carne, do latim levare, "tirar, sustar, afastar". No início do cristianismo, no hemisfério norte, a manifestação de sobrevivência ao inverno através de comilanças pantagruélicas era um último momento de consumo de carne e de festejos antes do período de abstinência e de conversão à qual a Quaresma convidava. Portanto, sair às ruas para dançar, festejar os Santos, beber e comer carne era uma oportunidade de alegria, que só voltaria com a Páscoa (40 dias depois).
O que inspirou os desfiles de Carnaval?
As procissões inspiraram os desfiles de Carnaval. Elas consistem em marchas solenes de caráter religioso, organizadas pela Igreja Católica, geralmente pelas ruas de uma cidade. Os padres e outros clérigos saem paramentados, carregando imagens, crucifixos, à frente de andores, estandartes, pálios ricamente decorados, velas, lanternas, archotes, cruzes alçadas, lampadários e bastões. Eles são levados por fiéis, também paramentados, das diversas irmandades e confrarias, religiosos e religiosas, e pelos leigos, em geral, formados em duas ou mais alas. As procissões rezam e entoam cantos, hinos e motetos, acompanhadas por fanfarras, bandas, música de instrumentistas, corais e cantores. Além do som de sinos ou matracas, e até de rojões, dependendo do caráter da procissão. Nas procissões há cumprimento de promessas e alguns andam de pé descalço, carregam pedras, andam um trecho de joelhos... As passeatas e manifestações de rua, de operários, estudantes e grevistas, por exemplo, adotaram a liturgia católica das procissões e saem com seus símbolos, estandartes, cantos e palavras de ordem (às vezes desordem) ao mesmo estilo.
Os blocos, maracatus, cordões e vários grupos carnavalescos construíram suas coreografias, apresentações e forma de desfiles sobre o modelo das procissões. Há até estudos antropológicos sobre essa contribuição da sagrada procissão ao desfile do Carnaval.
O que o Carnaval representa hoje em dia?
“Com o Carnaval, as pessoas expressam a esperança, a chegada de tempos melhores (primavera no Hemisfério Norte) e a oportunidade de extravasar antes de iniciar um período mais introspectivo e reflexivo para os cristãos, por ocasião da Quaresma (um período de 40 dias de orações e jejum em preparação para a Páscoa)”, conta a especialista.
Quando é comemorado o Carnaval?
Em algumas localidades, como na Europa, o "tempo" do Carnaval começa no Dia de Reis (Festa da Epifania) e acaba na Quarta-feira de Cinzas, às vésperas da Quaresma. Ainda é assim na Itália, no famoso Carnaval de Veneza, onde após a Festa de Epifania começam as apresentações de bandas de flautas e tamborins com desfiles de máscaras. No Brasil, é celebrado na terça-feira que antecede a Quarta-Feira de Cinzas (sofrendo variações a depender da região onde é celebrado).
O Carnaval fora de época é uma festa católica?
Sim, é mesmo - em tese. O nome que se dá ao carnaval fora de época é micareta, que significa literalmente "meio da Quaresma". E não tem nada a ver com careta, cara feia ou máscaras. O nome micareta deriva da festa católica francesa, chamada de micarême. Ela acontecia na França, desde o século XV, bem no meio do período de quarenta dias de penitência da Igreja Católica. No meio da Quaresma havia uma suspensão do jejum, da abstinência e uma pequena celebração. “A introdução da micareta, da micarême, como festa urbana ocorreu primeiramente em capitais brasileiras, como Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. Desde os anos 1990 a micareta vem se espalhando por várias capitais e cidades brasileiras, como Curitiba, com bloquinhos que se reúnem em praças centrais e mesmo no Largo da Ordem”, afirma. As micaretas também ocorrem em países como Itália, Canadá e Portugal. Hoje, no Brasil, uma micareta é essencialmente um carnaval fora de época, pois perdeu seu sentido religioso. É muito comum na Bahia, onde diversas cidades definem datas para as suas micaretas ao longo de todo ano.
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