Brasil,

Apenas 14% das empresas brasileiras de capital aberto consideram os aspectos ESG em seus processos de decisão, revela pesquisa

Foram ouvidas 167 empresas sobre como estão sendo tratados os aspectos ESG e quais os impactos dessa agenda em seus resultados

Realizada pela Grant Thornton, em parceria com a XP Inc. e a Fundação Dom Cabral, a pesquisa ESG e as Empresas de Capital Aberto teve como objetivo compreender qual o efeito do desempenho ESG sobre os resultados das empresas listadas na bolsa de valores, como essas companhias estão buscando conectar o desempenho ESG com o desempenho econômico-financeiro, e como estão tratando o desempenho ESG frente à demanda de acionistas e investidores globais. São questões essenciais para entender como as empresas estão respondendo à demanda de investidores em relação à agenda de sustentabilidade e gerenciando seu desempenho ESG.

Os resultados mostram que, apesar de 75% dos participantes considerarem os aspectos ESG como prioridade, apenas 14% levam em conta esses aspectos na tomada de decisões. Ou seja, os números demonstram uma lacuna entre as definições do que é importante para o negócio e o que acontece na prática: nem sempre ela é tratada de forma estratégica, ligada diretamente ao core business da empresa.

No entanto, houve um aumento na conscientização das organizações sobre essa agenda impulsionado pela pandemia da covid-19, que foi citado por 69% das empresas. Enquanto 86% dos entrevistados concordam que a organização poderá sofrer impacto negativo no futuro, caso não adote uma gestão que leve em consideração os aspectos ESG. Segundo Marcella Ungaretti, Sócia e Head de Research ESG da XP Inc., “Embora ainda estejamos no início dessa jornada no país, a pandemia do coronavírus agiu como um catalisador, tornando possível analisar uma série de razões estruturais pelas quais a participação dos investimentos ESG continuará ganhando força no país. As empresas que não se adaptarem a este novo cenário ficarão para trás”.

É importante destacar que 100% das empresas do setor de finanças que participaram do levantamento consideram os aspectos ESG entre seus temas prioritários, o que representa um alerta quanto à relevância do tema para o mercado financeiro e para que as empresas considerem sua inserção nas decisões estratégicas.

Para Daniele Barreto e Silva, líder de Sustentabilidade da Grant Thornton Brasil, observa-se que o principal motivador da sustentabilidade na agenda de decisão executiva, na grande maioria das organizações brasileiras, ainda é a pressão pelo compliance e questões ligadas ao risco de reputação e à valorização da marca. “Esse cenário sugere uma agenda reativa, que não é suficiente para atender às demandas de uma população crescente, dentro dos limites ambientais atuais. É preciso ir além”, afirma.

Quando se trata de investimentos, as principais motivações das empresas de capital aberto para incorporar os aspectos ESG em suas abordagens de investimentos estão relacionadas à preservação da reputação (24%) e exigências de acionistas e conselheiros (18%). Já os fatores ligados a menores riscos e maiores retornos são percebidos apenas por 13% e 11% das indicações, respectivamente. No entanto, 43% das empresas dizem já ir além das questões de compliance, num avanço proativo quanto às questões socioambientais.

Fatores mais relevantes

Quando questionados sobre os benefícios já alcançados pela integração das práticas ESG aos negócios, a valorização da marca (17%) e o aumento da reputação (15%) são apontados como os principais ganhos, seguidos da redução de riscos (13%) e atração de talentos (10%). Por outro lado, aspectos como acesso ao mercado de capitais e redução de custos de capital, que vêm sendo amplamente discutidos pelo mercado, não ficaram entre os principais benefícios.

Tomando por base o conceito de materialidade financeira, destacam-se entre os principais fatores ESG para as organizações respondentes a estrutura de governança (12%), combate à corrupção (9%), diversidade e inclusão (8%), saúde e segurança no trabalho (8%) e gestão e privacidade de dados pessoais (7%).

“A materialidade financeira expressa os principais fatores ESG que impactam de maneira significativa - tanto positiva quanto negativamente - o modelo de negócios e a geração de valor de uma empresa. Nossa pesquisa indica que a estrutura de governança é considerada como principal dentre eles, demonstrando a relevância do 'G' como base de sustentação do 'E' e do 'S'”, analisa o professor PHD Dalton Sardenberg, da Fundação Dom Cabral. “Vê-se ainda a atenção dada ao compliance, em relação à integridade e adequação à LGPD. Finalmente, D&I e Saúde e Segurança no Trabalho aparecem em destaque, sendo as últimas seguramente em decorrência da pandemia”, completa.

A pesquisa também mostra a importância de se ter uma área específica para as questões ESG: mais da metade (59%) dos participantes mantém um setor direcionado à pauta, avanço relativamente recente, já que a minoria está estabelecida há mais de cinco anos. Por outro lado, 62% não indicaram ter uma gestão estabelecida e apenas 19% afirmaram reportar ao Conselho de Administração (CAD). Vale observar que para avançar nas práticas ESG, de forma a acompanhar a tendência mundial, é essencial o envolvimento da alta gestão da companhia. Um ponto positivo é que 51% dos respondentes indicaram o envolvimento da área de Recursos Humanos e 49% apontaram o envolvimento do CFO nesta agenda.

Incentivo às práticas

Uma das formas para incentivar as práticas ESG, que pode reforçar o comprometimento com as metas socioambientais, é a vinculação dessas metas com a remuneração dos executivos. Mas tal iniciativa aparece ainda de forma tímida nas empresas: somente 21% indicaram ter metas ESG vinculadas à remuneração em algum nível da liderança, enquanto 65% não faz essa vinculação.

Outro ponto destacado diz respeito à adoção de uma política ESG, no qual 44% das empresas afirmaram ter uma Política Corporativa que contempla de maneira ampla os aspectos socioambientais refletidos no planejamento e gestão, e 45% informaram que utilizam esta política para identificar e priorizar os riscos e oportunidades ESG. Com relação aos indicadores, apesar do evidente aumento nas demandas por divulgação dos dados ESG, a aplicação eficiente das métricas e parametrizações ainda não está devidamente estabelecida. Somente 21% das empresas têm indicadores definidos e monitorados periodicamente.

Para Heiko Hosomi Spitzeck, diretor do Núcleo de Sustentabilidade da Fundação Dom Cabral, sem métricas a empresa não consegue medir o status quo dos seus impactos sociais e ambientais, nem definir metas de avanço. Por isso, elas são essenciais. “Os pontos focais das empresas vão depender do setor e da área de atuação. Enquanto mineradoras precisam olhar para a segurança das barragens e o impacto na comunidade, para bancos, a questão é mais sobre inclusão e educação financeira. Os indicadores devem acompanhar os temas que impactam os resultados financeiros das empresas”, avalia.

Como fazer chegar informações ao mercado de forma transparente é mais uma questão que merece atenção das companhias. Menos da metade das pesquisadas (43%) divulgam informações sobre os fatores ESG de forma clara e recorrente, sendo que 23% utilizam o relatório de Sustentabilidade e 20% fazem esta divulgação em outros reportes corporativos. Os acionistas (24%) são os que mais influenciam as empresas na melhoria desses relatórios, seguidos por conselheiros (14%), clientes (11%) e investidores (8%).

Os coordenadores da pesquisa concordam que a padronização em relatórios e métricas é um movimento necessário no longo prazo, pois o mercado vê com bons olhos a crescente disponibilidade de dados ESG pelas empresas, embora a qualidade continue sendo um desafio. Entre as recomendações para essa divulgação, destaca-se a utilização de frameworks com reconhecimento global, que possibilitam um padrão de comparação relevante para a avaliação das práticas aplicadas e do valor de mercado da empresa.

Em Relações com Investidores, a máxima “risco ESG é risco financeiro” já está consolidada no mercado financeiro. Neste sentido, os aspectos ESG são fatores diferenciais de investimento que podem indicar empresas com modelos de negócios mais resilientes no longo prazo, e isso tende a influenciar a forma como gestores de ativos e investidores avaliam as carteiras de investimentos. Segundo as empresas respondentes, investidores de fundos de investimentos internacionais (25%) e nacionais (23%) são os que mais demonstram interesse em relação à agenda ESG.

Apesar de existir um número cada vez maior de investidores que procuram vincular suas participações em empresas em linha com a agenda ESG, os resultados da pesquisa revelam que este posicionamento ainda não se refletiu na prática para as empresas respondentes.

No entanto, 56% dessas empresas já sentem certa pressão do mercado financeiro quanto à demonstração de dados relacionados à pauta ESG.

Com relação ao acesso do mercado de capitais, tomando por base temas conectados com a agenda ESG, incluindo a emissão de ativos como os green bonds - títulos verdes de renda fixa destinados a projetos de clima e meio ambiente, 34% das empresas respondentes ainda não utilizaram essa estratégia para obter recursos financeiros, enquanto 32%, apesar de não terem recorrido à estratégia, demonstram interesse no futuro próximo.

“Os chamados green bonds estão se tornando mais populares à medida em que a demanda por investimentos sustentáveis aumenta. O dinheiro arrecadado com esses títulos é reservado para projetos verdes, ou seja, projetos que tenham benefícios ambientais e/ou climáticos, mas é garantido por todo o balanço do emissor. Atualmente, temos visto um número crescente de empresas emitindo green bonds e, na nossa visão, esse movimento deve intensificar-se, a fim de atender ao maior interesse dos investidores”, avalia a executiva da XP Inc.

Metodologia

A pesquisa foi realizada com 167 empresas de capital aberto de 16 estados brasileiros, dos setores de agronegócio, energia, finanças, mineração, produtos de consumo, saúde e indústria farmacêutica, serviços, imobiliário e construção, além do setor público, de tecnologia, turismo e hotelaria. Entre os respondentes, 19% são C-levels, 14% líderes de Sustentabilidade, 6% líderes da área de Relacionamentos com Investidores e demais indicaram outras atuações.

Sobre a Grant Thornton

A marca Grant Thornton, sob a qual as empresas-membro fornecem serviços de auditoria, tributos e consultoria aos seus clientes, está entre as cinco maiores organizações de auditoria e consultoria nas principais economias globais, com presença em mais de 140 países. No Brasil, a empresa reúne um time de mais de 1.200 profissionais, baseados em 11 principais centros de negócios do país, atendendo empresas de todos os setores produtivos nas mais variadas etapas de crescimento, desde startups até companhias abertas.

Sobre a XP Inc.

A XP Inc. tem como propósito transformar o mercado financeiro para melhorar a vida das pessoas. Somos uma holding com 20 anos, dona de plataformas tecnológicas de investimentos, serviços financeiros e educação, além de plataformas de mídia & conteúdo, englobando marcas como XP, Rico, Clear, Infomoney, XPeed, Flipper e Spiti. Nós nos dedicamos em ser transparentes, trazendo o cliente para o centro, através da inovação e tecnologia, proporcionando educação financeira, crescimento sustentável e um ecossistema de negócios robusto por meio de um time de alta performance alinhado com o nosso sonho.

Sobre a Fundação Dom Cabral

A Fundação Dom Cabral é uma escola de negócios brasileira que há 45 anos tem a missão de contribuir para o desenvolvimento sustentável da sociedade por meio da educação, capacitação e desenvolvimento de executivos, empresários e gestores públicos. Em 2020, a instituição ficou em 9º lugar no ranking de educação executiva do jornal britânico Financial Times. Desta forma, consolidou sua posição como a melhor escola de negócios da América Latina e a mais bem colocada do Brasil. Somente em 2020 passaram pela FDC mais de 20 mil profissionais entre executivos, empresários e gestores públicos. No campo social, a FDC desenvolve iniciativas de desenvolvimento, capacitação e consolidação de projetos, líderes e organizações sociais, contribuindo para o fortalecimento e o alcance dos resultados pretendidos por essas entidades. Dessa forma, em 2020 a escola executiva lançou o FDC - Centro Social Cardeal Dom Serafim, concebido para apoiar jovens em situação de vulnerabilidade social, empreendedores populares, organizações sociais e seus gestores, por meio do desenvolvimento e capacitação.


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