Brasil e países vizinhos sofrem com roubo de cargas
*Cyro Buonavoglia
Quando falamos em roubo de cargas, pensamos logo no Brasil e em seus índices assustadores. Realmente os números preocupam, mas o problema é muito maior do que imaginamos, pois atravessa fronteiras e incomoda também nossos vizinhos latino-americanos.
No Brasil, em 2019, foram registrados mais de 18 mil roubos de cargas, de acordo com a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC). Segundo a entidade, houve queda de 17% em relação ao ano anterior, quando os delitos ultrapassaram 20 mil casos.
Isso significa que, em média, a cada duas horas, transportadoras tiveram suas cargas roubadas em ações de quadrilhas nas rodovias brasileiras, o que é mais do que preocupante.
O estudo ainda revela que a região Sudeste é a mais afetada, com 84,26% do total; em seguida, estão Sul, Nordeste, Centro-Oeste e, por último, a região Norte. No caso do Sudeste, o Rio de Janeiro é o campeão, com mais de 40% da fatia, e São Paulo tem 39%. Se somarmos, Espírito Santo e Minas Gerais, chegamos a um prejuízo de R﹩ 952,93 milhões. No total, as perdas foram de mais de R﹩ 1,4 bilhão e, infelizmente, continuamos pelo mesmo caminho em 2020.
Problema global
Apesar de tantos índices negativos, não estamos sozinhos. Ao analisarmos o tema "roubo de cargas" de uma forma global, vemos que o Brasil está em 7º lugar no ranking de estradas mais perigosas do mundo, segundo estudo do JCC Cargo Watchlist, que monitora, mensalmente, situações de riscos. Estamos atrás de países como Sudão, Síria e Afeganistão.
Já o México está em 8º lugar. No país, que ainda não tem tecnologia embarcada tão avançada, como no Brasil, esse crime preocupa muito e diversas empresas estão despertando para a necessidade de prevenção e tecnologia. Lá, as cargas mais visadas são alimentos, bebidas (alcoólicas ou não), materiais de construção, produtos químicos e autopeças e muitas estradas são violentas.
O Chile está em uma posição estratégica, pois é uma importante ponte para o escoamento da produção da América do Sul que precisa chegar até o Oceano Pacífico e seguir para o mercado asiático.
No país, 95% do transporte de cargas chileno é rodoviário, o que demonstra a importância de uma logística monitorada e com mais segurança. Isso porque o percurso de uma carga que sai do Brasil até o porto do Chile leva, em média, cinco dias de viagem e muita coisa pode acontecer nesse longo trajeto.
Entre as cargas mais transportadas no Chile, estão alimentos, grãos, pescados, frutas, vinhos, pecuária, eletrônicos e cobre bruto, que são de alto valor agregado, ou seja, que precisam de tecnologia embarcada para a prevenção de roubos.
Já na Argentina, o cenário é bem parecido com o nosso e, na Colômbia, embora usem ferramentas de gerenciamento de riscos e tecnologia, os números de roubos de cargas preocupam. O Peru também obteve crescimento no roubo de cargas, inclusive com muita violência.
Prevenção é fundamental
Embora tenha caído o número de roubos em 2019, no Brasil, ainda não podemos dar tréguas ao crime. Como venho dizendo há anos, enquanto não combatermos de forma eficaz os receptadores, esta modalidade de crime tende sempre a aumentar; é fundamental termos atitudes e legislação adequada e também é bom frisar que a queda nos roubos de cargas aconteceu em função de fatores como iniciativas das autoridades da segurança pública, juntamente com o uso da tecnologia. Cada vez mais transportadoras estão investindo fortemente em medidas de segurança nas operações, junto com as Gerenciadoras de Riscos, o que tem contribuído muito para essa diminuição.
Mas, não podemos descansar, afinal de contas não queremos que motoristas corram risco de morte nas estradas brasileiras e que nossas empresas tenham prejuízos milionários.
Por isso, continuamos a intensificar ainda mais o desenvolvimento de tecnologias e ações para coibir esses crimes assim como unirmos forças com os países latino-americanos e minimizarmos esse quadro tão preocupante. É uma tarefa hercúlea, mas só assim conseguiremos ter mais segurança nas estradas.
* Cyro Buonavoglia, 71 anos, com vasta experiência em comércio e indústria, cursou Administração de Empresas pela Faculdade Dom Pedro II; atuou nas áreas de indústria e comércio e é um dos fundadores da Buonny Projetos e Serviços, há 26 anos, que se transformou em um conglomerado de empresas, que busca atender com eficácia o mercado nos segmentos de logística, saúde, tecnologia e energia fotovoltaica. O executivo também fundou as entidades: GRISTEC (Associação Brasileira das Empresas de Gerenciamento de Riscos e de Tecnologia de Rastreamento e Monitoramento) e SINDIRISCO. Atualmente como Presidente do Grupo Buonny, sua principal meta é avançar com o crescimento das empresas que compõe o grupo, por meio de investimentos em tecnologia, que vão melhorar a qualidade dos produtos e serviços prestados.
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