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Empresas ainda perdem negócios por preço ou falhas na proposta de valor

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Rafael Bonati Calixto - Divulgação Rafael Bonati Calixto - Divulgação

Por Rafael Calixto, CEO da Zydon e especialista em vendas B2B*

Em muitas organizações, a análise de oportunidades perdidas costuma apontar uma justificativa recorrente, o preço. Equipes comerciais frequentemente registram que o concorrente apresentou uma proposta mais barata, que o cliente não possuía orçamento disponível ou que a solução foi considerada cara naquele momento. Embora essa explicação seja comum, e, em certa medida, confortável, ela raramente revela a causa estrutural da perda. Na prática, “preço” costuma ser o sintoma final de uma cadeia de decisões e percepções mal construídas ao longo da jornada comercial.

Isso ocorre porque a objeção de preço, na maioria dos casos, está diretamente associada à percepção de valor, pois quando um cliente afirma que uma solução está cara, isso não significa necessariamente que ela esteja acima da média de mercado, mas sim que os seus diferenciais, impactos e retornos não foram suficientemente compreendidos. Sem uma narrativa clara que conecte a solução a ganhos concretos, seja em eficiência, receita ou mitigação de riscos, a decisão tende a ser simplificada a uma comparação direta de custos, onde o menor preço naturalmente se sobressai.

No momento em que produtos ou serviços passam a ser percebidos como equivalentes, o preço assume protagonismo e a negociação perde profundidade estratégica. O resultado é um ciclo conhecido de aumento da pressão por descontos, da erosão de margens e da dificuldade crescente de sustentar diferenciais competitivos. Mais do que um problema comercial, trata-se de um desafio de posicionamento e de construção de proposta de valor ao longo do tempo.

No contexto B2B, essa dinâmica se torna ainda mais sensível, pois decisões de compra envolvem múltiplos stakeholders, ciclos mais longos e um componente relevante de gestão de risco. A Gartner aponta que 73% dos compradores B2B evitam ativamente fornecedores que fazem abordagens irrelevantes ou desconectadas de suas necessidades. Isso evidencia que, quando o valor não é bem construído desde o início, o cliente simplesmente descarta a solução antes mesmo de aprofundar a análise. O uso de inteligência artificial sem uma estratégia bem definida, nesse cenário, não corrige o problema, apenas acelera esse processo de exclusão.

Diferentemente do consumo individual, empresas não compram apenas uma solução, elas assumem um compromisso que pode impactar processos, resultados e até reputação. Quando elementos como previsibilidade, segurança e confiança não estão bem estabelecidos, a tendência é optar pela alternativa que represente menor exposição financeira imediata, ainda que isso implique abrir mão de ganhos mais relevantes no longo prazo.

A forma como as empresas se posicionam no mercado também exerce influência direta nesse processo. Organizações que não comunicam com clareza sua especialização, seus diferenciais e os resultados que entregam acabam sendo percebidas como “mais uma opção”. Nesse cenário, a comparação entre fornecedores se torna inevitável e, novamente, o preço passa a ser o principal critério de decisão. Em contrapartida, empresas que conseguem ocupar um território claro na mente do cliente reduzem significativamente a sensibilidade a preço.

Em muitos casos, propostas são apresentadas de forma prematura, antes que o cliente tenha desenvolvido uma compreensão completa do problema, dos riscos envolvidos e das oportunidades de ganho. Quando o preço surge de forma isolada, sem a devida construção de contexto e valor, ele se torna o único elemento tangível para decisão, e, portanto, o mais facilmente comparável. Isso encurta o debate e empobrece a negociação.

Análises da McKinsey & Company mostram que organizações que estruturam melhor a comunicação de valor ao longo dessa jornada tendem a alcançar maiores taxas de conversão e enfrentar menor pressão por descontos, justamente por conseguirem deslocar a discussão do preço para o impacto gerado. Diante desse contexto, atribuir perdas comerciais exclusivamente ao preço pode levar a diagnósticos superficiais e, consequentemente, a decisões equivocadas. Em muitos casos, o problema não está no valor cobrado, mas na forma como ele foi construído, comunicado e percebido.

Portanto, a revisão desse processo exige olhar para etapas anteriores: entendimento do cliente, clareza de posicionamento, qualidade da argumentação e capacidade de traduzir diferenciais em resultados tangíveis. Empresas que conseguem alinhar esses elementos transformam a lógica da negociação. O preço deixa de ser o fator central e passa a ser apenas uma variável dentro de uma decisão mais ampla, orientada por valor, risco e retorno. Mais do que vender mais caro, trata-se de vender melhor, com consistência, relevância e capacidade real de gerar impacto no negócio do cliente.

*Rafael Calixto é especialista em vendas B2B, com vasta experiência em modernização de processos comerciais, integração de tecnologia nas vendas, idealizador de soluções com Agentes Inteligentes de Pedidos (AIP) para vendas B2B em escala e CEO da Zydon


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