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Guia sobre mobilidade elétrica destaca papel do seguro no setor

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Publicação orienta mercado, poder público e consumidores sobre os desafios e oportunidades dos veículos eletrificados

O avanço dos veículos elétricos e híbridos no Brasil deixou de ser tendência para se tornar realidade crescente nas ruas e rodovias. Mas, à medida que a frota eletrificada aumenta, também ganham relevância temas como infraestrutura de recarga, segurança em garagens e condomínios, logística de peças e capacitação técnica. É nesse contexto que a Comissão de Auto da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) lança o guia “Veículos Eletrificados: desafios e oportunidades para o seguro”, publicação que reúne dados, análises e orientações sobre os impactos dessa transformação para o mercado e para a sociedade.

Elaborado pelo Grupo de Trabalho de Veículos Eletrificados da Comissão de Automóvel da FenSeg, com apoio da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), o material oferece uma visão abrangente sobre o crescimento global e nacional dos eletrificados, os gargalos estruturais do país e a evolução do ambiente regulatório, além de detalhar como o seguro automóvel vem acompanhando essa nova realidade.

Para o mercado segurador, a mobilidade elétrica impõe novos parâmetros técnicos. Além das coberturas tradicionais — como colisão, roubo, furto e responsabilidade civil —, entram em cena proteções específicas para baterias de alta tensão, sistemas de recarga, assistência especializada e rede de oficinas habilitadas para lidar com tecnologia embarcada.

Segundo Marcelo Daparé, integrante do Grupo de Trabalho de Veículos Eletrificados da Comissão de Auto da FenSeg, o momento exige visão sistêmica.

“O seguro está preparado para atender os veículos eletrificados, com coberturas específicas e assistência especializada. Mas o avanço desse mercado depende de um ecossistema estruturado. Infraestrutura de recarga, normas claras de segurança, logística eficiente e capacitação técnica caminham junto com a proteção securitária. Vale reforçar que o mercado segurador brasileiro não começou do zero nesse processo. Enquanto países da Europa e da Ásia aprendiam com o avanço da tecnologia, nós também vivíamos um processo de amadurecimento paralelo, que nos permitiu absorver o crescimento da frota de maneira segura e com critérios técnicos sólidos de subscrição”, afirma Daparé.

Infraestrutura e segurança como pilares

O guia destaca a importância da Diretriz Nacional sobre Ocupações Destinadas a Garagens e Locais com Sistemas de Alimentação de Veículos Elétricos (SAVE), publicada em 2025 pelo Conselho Nacional de Comandantes-Gerais dos Corpos de Bombeiros Militares, por meio da Portaria nº 029/2025. A norma estabelece parâmetros mínimos de segurança contra incêndio e controle de riscos em estacionamentos, garagens e áreas com pontos de recarga, promovendo maior harmonização técnica em todo o país.

No âmbito estadual, São Paulo também avançou recentemente ao publicar legislação que disciplina a instalação de infraestrutura de recarga em condomínios residenciais, estabelecendo critérios técnicos e responsabilidades para adaptação elétrica dos edifícios. A medida reforça a necessidade de planejamento técnico e diálogo entre moradores, síndicos e especialistas — tema igualmente abordado na publicação da FenSeg.

Para Daparé, a consolidação de regras claras favorece todo o ecossistema. “Ambientes mais seguros reduzem riscos, aumentam a confiança do consumidor e contribuem para uma precificação mais equilibrada do seguro. A mobilidade elétrica é um caminho sem volta, mas precisa avançar de forma planejada e responsável”, afirma ele.

Desafios estruturais e impacto no seguro

A publicação também aponta que os principais entraves à expansão dos eletrificados no Brasil estão relacionados à infraestrutura e à logística. A concentração de eletropostos nas regiões Sul e Sudeste, os custos de importação e transporte de componentes, a menor disponibilidade de peças e a necessidade de oficinas especializadas influenciam diretamente os custos de manutenção — e, consequentemente, a precificação do seguro.

As seguradoras vêm adaptando produtos e critérios técnicos de análise de risco para refletir as especificidades da tecnologia, considerando fatores como maior valor de reposição, menor índice de roubo em comparação a veículos a combustão e exigência de transporte adequado em caso de pane ou sinistro.

Ao lançar o guia, a Comissão de Auto da FenSeg reforça o papel estratégico do seguro na transição para uma mobilidade mais sustentável — não apenas como instrumento de proteção financeira, mas como agente técnico capaz de contribuir para a organização, segurança e amadurecimento desse mercado em expansão.


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