Infraestrutura crítica conectada exige integração entre tecnologia e segurança
*por Ricardo Franchi
A digitalização das utilities redefiniu a forma como infraestruturas críticas são operadas e gerenciadas. Redes elétricas inteligentes, sistemas automatizados de abastecimento de água e redes de distribuição de gás altamente monitoradas se tornaram elementos centrais para se obter eficiência operacional. A convergência entre IT (Tecnologia da Informação) e OT (Tecnologia Operacional) cria uma nova realidade que une, consequentemente, segurança operacional e segurança cibernética.
A OT, responsável pelo monitoramento e controle direto de processos físicos por meio de sistemas como SCADA (Supervisory Control and Data Acquisition), PLC (Programmable Logic Controller), RTU (Remote Terminal Unit) e DCS (Distributed Control System), funcionam como o núcleo da operação industrial das utilities. Sua indisponibilidade ou comprometimento não afeta apenas sistemas digitais, mas pode interromper serviços essenciais à sociedade, como energia e saneamento.
Historicamente, ambientes OT foram projetados com foco em disponibilidade, confiabilidade e longevidade dos ativos. Até então, a segurança cibernética não era uma prioridade do projeto, pois esses sistemas operavam de forma isolada. No entanto, a crescente integração com sistemas corporativos, plataformas analíticas e ferramentas de monitoramento remoto eliminou esse isolamento. Hoje, a superfície de exposição é significativamente maior, e o risco deixou de ser hipotético.
O relatório anual da Dragos, referência global em segurança OT, destaca que o setor de energia permanece entre os principais alvos de ameaças cibernéticas avançadas, reforçando a necessidade de proteção estruturada.
O Gartner também ressalta que a segurança de sistemas OT tornou-se uma das principais prioridades estratégicas para operadores de infraestrutura crítica, devido ao impacto potencial direto na continuidade do negócio.
Para executivos de utilities, isso representa um novo vetor de risco estratégico, com impacto direto na continuidade operacional, na conformidade regulatória e na confiança do mercado para cada área do segmento.
O setor elétrico, por exemplo, está entre os mais avançados em termos de digitalização e automação. Iniciativas como Smart Grid (rede elétrica inteligente), AMI (Advanced Metering Infrastructure – infraestrutura avançada de medição) e ADMS (Advanced Distribution Management System – sistema avançado de gestão da distribuição) aumentaram significativamente a visibilidade e a eficiência operacional.
A infraestrutura elétrica é altamente distribuída, composta por subestações, centros de controle e dispositivos de campo interconectados, ampliando a superfície de exposição e dificultando a aplicação uniforme de controles de segurança. Além disso, muitos desses ativos possuem ciclos de vida longos e utilizam tecnologias legadas. Qualquer interrupção no fornecimento de energia afeta diretamente serviços essenciais e a economia, tornando a segurança OT um elemento fundamental para garantir estabilidade e confiabilidade.
Já no setor de saneamento, temos desafios específicos relacionados à natureza distribuída e à criticidade dos serviços prestados. Estações de tratamento, sistemas de bombeamento e reservatórios dependem fortemente de automação e monitoramento remoto. Além disso, muitas infraestruturas ainda utilizam tecnologias antigas, com menor nível histórico de investimento em segurança cibernética, o que aumenta a exposição a riscos. O impacto de uma falha pode comprometer o abastecimento e a qualidade da água, gerando riscos sanitários e operacionais relevantes.
Quando analisamos o setor de Gás, este apresenta um dos cenários mais sensíveis em termos de segurança operacional devido aos riscos físicos associados. Gasodutos e estações operam com monitoramento contínuo por sistemas OT. E a localização remota de muitos ativos aumenta a dependência de monitoramento digital e amplia a superfície de exposição.A integração com sistemas corporativos exige uma abordagem estruturada de segurança para garantir continuidade e integridade operacional.
Considerando todos esses cenários, podemos afirmar que a proteção de ambientes de Tecnologia Operacional (OT) nas utilities exige uma abordagem diferente da segurança tradicional de TI, pois seu foco central é garantir a continuidade e a estabilidade de processos físicos críticos, o que exige adotar estratégias que combinem visibilidade completa dos ativos operacionais, segmentação adequada das redes industriais e monitoramento contínuo de ameaças e anomalias.
A segurança OT é indispensável no setor de utilities e deve ser parte da estratégia de gestão de riscos por meio do direcionamento de investimentos para a proteção de ambientes operacionais críticos e para a tomada de decisões alinhadas à continuidade dos serviços.
Mais do que uma camada técnica, a segurança OT é um elemento estratégico para a sustentabilidade e a confiança no negócio. Proteger a tecnologia operacional significa proteger a própria operação das utilities, preservar a estabilidade dos serviços essenciais e garantir o funcionamento de atividades fundamentais para a sociedade.
*Ricardo Franchi é gerente de pré-vendas na SONDA do Brasil, líder regional em Transformação Digital.
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