CIOs priorizam impacto estratégico antes do orçamento na nova agenda corporativa
Por Mario Marchetti, Diretor-Geral da Sinch para a América Latina
Começo com uma pergunta simples: quando foi a última vez que você ouviu um CIO falar de tecnologia… sem mencionar tecnologia? Essa cena está se tornando cada vez mais comum. E há uma razão clara para isso.
Vivemos um período em que a volatilidade virou regra, e a decisão virou ativo estratégico. O Gartner acaba de divulgar sua Agenda Executiva 2026, e um dado chama atenção: mesmo sob pressão orçamentária, investimento em tecnologia está subindo — não porque é moda, mas porque virou condição de sobrevivência.
Mas algo mais importante está acontecendo por baixo desses gráficos: o CIO está deixando de ser comprador de tecnologia para se tornar orquestrador de impacto.
Durante décadas, o papel do CIO se dividiu entre eficiência operacional e redução de custo. Hoje, o que está na mesa é outra coisa: competitividade. Não à toa, as áreas que mais crescem em investimento — IA generativa, segurança cibernética, integração de plataformas e dados — não são apenas tecnologias, são capacidades.
A IA aparece com 88% de aumento de funding. Segurança, 84%. Customer Relationship Platforms, 61%. Low-code/no-code, 58%. O que todas têm em comum? Elas não resolvem apenas um problema técnico. Elas reconfiguram a forma como a empresa opera.
A transformação deixou de ser projeto e virou arquitetura. Isso nos leva ao ponto central da agenda: tecnologia deixou de ser ferramenta e passou a ser narrativa estratégica. Em vez de perguntar “quanto custa?”, o conselho começa a perguntar “o que habilita?” e “quanto acelera?”.
É aqui que entra a nova responsabilidade do CIO — que já não é mais entregar plataforma, e sim entregar significado. Um sistema de integração não é mais middleware; é o que permite que o marketing automatize jornadas, que o Customer Sucess personalize suporte, que o financeiro minimize fraude e que a área comercial aumente previsibilidade.
Tecnologia virou costura organizacional, o que também estabelece um novo pacto interno. O CIO não está mais isolado no data center — está sentado ao lado do CMO, do CFO, do COO e, cada vez mais, do CHRO. O Gartner chama isso de “C-suite partnership strengthening”. É impossível escalar competitividade sozinho.
Se antes o CIO ouvia “precisamos de tecnologia para acompanhar o mercado”, agora se ouve “precisamos de tecnologia para projetar o mercado”.
A agenda invisível
Mas existe uma agenda que não aparece no relatório, e é aqui que vale provocar: o maior desafio dessa nova era não é técnico, é humano. Não é se a empresa vai usar IA generativa, mas se ela vai usá-la com inteligência. Não é se vai automatizar, mas o que vai automatizar. Não é se vai integrar dados, mas se vai transformá-los em decisões, afinal eficiência sem intenção é só automação.
A década do impacto
Olhando para os próximos anos, vejo duas definições distintas de tecnologia: a tecnologia que reduz complexidade e a tecnologia que gera impacto. A primeira resolve o hoje. A segunda constrói o amanhã.
Minha provocação é essa: o verdadeiro papel do CIO será decidir quantos amanhãs a empresa ainda vai ter.
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