Governança de TI: visibilidade e controle de custos como vantagem competitiva
*Paulo Amorim
A rápida evolução dos ambientes de Tecnologia da Informação trouxe ganhos importantes de agilidade e inovação para as empresas. Cloud computing, soluções SaaS e arquiteturas híbridas tornaram-se parte da rotina corporativa, permitindo escalar operações e lançar novos serviços com mais rapidez. No entanto, esse avanço também trouxe um desafio crescente: a perda de visibilidade sobre custos, contratos, licenças e ativos de TI e Telcom.
Durante muitos anos, a gestão de TI esteve centrada em ambientes on-premises, com investimentos previsíveis e ciclos de contratação bem definidos. Hoje, o modelo é radicalmente diferente. Recursos são contratados sob demanda, aplicações são pagas por subscrição e diferentes áreas do negócio passam a consumir tecnologia de forma descentralizada. De acordo com a Gartner, mais de 70% das empresas afirmam ter dificuldade em acompanhar e controlar os custos em ambientes cloud e híbridos, o que evidencia a complexidade deste novo cenário.
É neste contexto que a governança de TI e Telcom deixa de ser apenas um tema operacional e passa a assumir um papel claramente estratégico. Ter visibilidade sobre o que está contratado, como os recursos são utilizados e quais custos estão associados a cada serviço tornou-se essencial para garantir previsibilidade financeira e apoiar decisões mais assertivas. Estudos da IDC indicam que organizações com práticas maduras de governança conseguem reduzir entre 15% e 25% dos seus custos operacionais em TI, sobretudo através da eliminação de desperdícios e da otimização do consumo.
O controle de contratos e licenças é um dos pontos mais críticos deste processo. Segundo o relatório State of the Cloud da Flexera, cerca de 30% dos gastos com cloud são desperdiçados devido a recursos subutilizados, licenças desnecessárias ou má gestão de contratos. Em ambientes SaaS, o cenário é semelhante: aplicações continuam a ser pagas mesmo sem uso efetivo, gerando custos invisíveis que se acumulam ao longo do tempo. Uma governança eficaz permite mapear estes ativos, renegociar contratos e ajustar o consumo à real necessidade do negócio.
Para além do impacto financeiro direto, a visibilidade também fortalece a tomada de decisão. Com dados consolidados sobre custos, desempenho e utilização dos recursos de TI e Telecom, líderes passam a atuar de forma preventiva e estratégica. A própria Gartner aponta que empresas orientadas por dados têm três vezes mais probabilidade de melhorar significativamente a eficiência das suas decisões de investimento em tecnologia, reduzindo riscos e aumentando o retorno sobre o capital aplicado.
Outro fator relevante é a ligação entre governança, segurança e conformidade. A proliferação de serviços cloud e SaaS sem controle centralizado — fenômeno conhecido como shadow IT — aumenta a exposição a riscos operacionais e falhas de compliance. Estimativas do setor indicam que até 40% das aplicações utilizadas nas empresas não passam pelo crivo formal da área de TI. Uma governança bem estruturada garante não apenas eficiência financeira, mas também maior controle sobre dados, acessos e responsabilidades, especialmente em ambientes híbridos e distribuídos.
A visibilidade é o alicerce de uma TI eficiente e estratégica. Governança não significa burocracia, mas sim clareza, previsibilidade e capacidade de decisão. Num cenário cada vez mais complexo, as empresas que conseguem enxergar com precisão onde e como investem em tecnologia transformam o controle de custos numa verdadeira vantagem competitiva.
Mais do que acompanhar a evolução tecnológica, o desafio das organizações é governá-la de forma inteligente. E, nesse caminho, a visibilidade deixa de ser apenas um benefício operacional para se tornar um diferencial estratégico capaz de sustentar crescimento, inovação e resultados consistentes.
*Paulo Amorim é engenheiro Mecânico Nuclear pela Universidade de Utah (EUA), MBA pela BYU Marriott Business School of Business, CEO e fundador da K2A Technology Solutions
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