Segurança financeira e reconhecimento marcam o Dia do Aposentado
*Devanir Silva
Modelo fechado de previdência concentra mais de 90% dos benefícios complementares pagos no Brasil. Celebrado em 24 de janeiro, o Dia do Aposentado lembra que segurança no futuro começa no presente
O Dia do Aposentado é um bom momento para reconhecer quem trabalhou a vida inteira e ajudou a construir o país. Mais do que uma data simbólica, é uma oportunidade para refletir sobre como o Brasil garante segurança e dignidade a quem chega a essa etapa da vida.
A aposentadoria representa a transformação de anos de trabalho em renda mensal, previsibilidade e tranquilidade. Para que isso aconteça, é preciso mais do que contribuição individual: são necessárias estruturas sólidas, regras claras e gestão responsável ao longo de décadas.
Pouca gente sabe, mas mais de 90% das aposentadorias complementares pagas hoje no país são administradas por entidades fechadas de previdência complementar. Segundo o Relatório Gerencial de Previdência Complementar, considerando os 12 meses encerrados em setembro de 2025, o sistema desembolsou cerca de R$ 103 bilhões em benefícios para aproximadamente 950 mil aposentados e beneficiários. Desse total, 95% foram pagos por essas entidades. São recursos que garantem sustento, cuidados com saúde e qualidade de vida.
Esse modelo foi criado para complementar a aposentadoria pública, oferecendo proteção adicional ao trabalhador e à sua família. Também cobre situações difíceis, como invalidez e pensão por morte, ampliando a rede de proteção social em momentos de maior vulnerabilidade.
Esse papel se torna ainda mais relevante em um país que envelhece rapidamente. A expectativa de vida aumenta, o tempo de permanência na aposentadoria se alonga e cresce a necessidade de planejamento. Ao mesmo tempo, muitos brasileiros ainda se preparam tarde, ou não se preparam, para esse momento, o que resulta em renda insuficiente e insegurança financeira.
O Dia do Aposentado deve servir, portanto, como um convite à reflexão. Cuidar bem da aposentadoria é valorizar o trabalho de uma vida inteira. Fortalecer sistemas que funcionam, incentivar o planejamento e ampliar a educação previdenciária são passos essenciais para garantir um futuro mais seguro.
A aposentadoria não é um privilégio. É um direito construído ao longo do tempo, e que merece respeito.
Devanir Silva é diretor-presidente da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar - Abrapp (mandato 2025–2027) e atua no setor de previdência complementar desde 1981. Administrador de empresas, exerce há 42 anos cargos de liderança na Associação. Ao longo de sua trajetória, frequentou cursos no Brasil e no exterior, incluindo a Wharton School da Universidade da Pensilvânia (EUA), e acompanhou de perto processos internacionais de reforma previdenciária, como a privatização do sistema no Chile. É autor dos livros Fundos de Pensão e a Abrapp: História de Lutas e Vitórias (Editora Abrapp, 2014) e Ressignificar a Previdência: O Novo Ciclo de Transformação e Expansão da Abrapp e dos Fundos de Pensão (Editora Abrapp, 2025), além de representar a entidade na Organização Ibero-americana de Seguridade Social.
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