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Por que equidade racial será pauta estratégica de governança em 2026

  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Stefany Ianca
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Riscos, avanços e responsabilidades institucionais

Por Guibson Trindade

Mestre em Governança e especialista em ESG Racial. Pesquisador dedicado ao desenvolvimento de metodologias e indicadores de equidade racial no setor privado. Atua com lideranças corporativas, conselhos e organizações na estruturação de estratégias, métricas e governança antirracista. Gerente Executivo do Pacto de Promoção da Equidade Racial.

Estamos em dezembro. A agenda de equidade racial no Brasil chega ao fim de 2025 atravessada por três vetores simultâneos: a pressão política internacional, a reorganização interna das prioridades institucionais e uma crescente disputa por narrativas no campo ESG. Esses vetores, quando somados, criam um cenário de risco para a manutenção e o avanço das políticas racialmente estruturadas, mas também revelam oportunidades reais de fortalecimento para 2026, especialmente no setor privado.

O efeito da reconfiguração política internacional, reintroduziu no debate público discursos mais polarizados e revisionistas, impactando diretamente a disposição das empresas e lideranças em se posicionar em pautas socioambientais sensíveis. Paralelamente, a realização da COP no Brasil absorveu grande parte da atenção institucional, deslocando a questão racial para segundo plano, apesar de sua conexão direta com clima, território, economia e desigualdade.

A retração dos aliados e o impacto sobre governança

O principal fenômeno observado em 2025 foi a retração dos aliados brancos, não apenas no discurso, mas no engajamento operacional. Esse recuo afeta a governança de equidade racial em três níveis:

Estratégico: menor disposição para colocar raça como tópico prioritário de conselho.
Orçamentário: redução de verbas destinadas a programas estruturantes.
Narrativo: maior cautela em assumir compromissos públicos frente ao ambiente político volátil.

Esse movimento não pode ser lido como neutralidade. Em governança, ausência também é decisão, e tem impacto concreto na capacidade das organizações de avançar em ritmo compatível com a urgência do tema.

Indicadores mostram avanços sustentáveis

Em paralelo ao cenário político desafiador, conferindo os números do Índice ESG de Equidade Racial, os dados corporativos mostram crescimento relevante entre 2022 e 2025. O conjunto de 21 empresas analisadas implementou 199 ações afirmativas em 2025, frente a apenas 9 em 2022, um aumento superior a 1000% no período.

Houve ainda:

60,7% de crescimento na adoção de ações afirmativas de forma estruturada;
avanço moderado, porém, contínuo, no investimento social privado voltado à agenda racial;
ampliação expressiva de iniciativas em Mudança Cultural, que representam 38,69% das ações, o maior bloco entre todas as categorias analisadas.

Esse dado é particularmente relevante para a área de ESG, pois indica que as organizações estão se movendo para além de ações simbólicas, entrando em mudanças de processos, políticas internas, linguagem institucional e governança, elementos associados diretamente à materialidade do tema.

Políticas de Equidade Racial já representam mais de 10% das iniciativas corporativas mapeadas, enquanto áreas como Indicadores & Métricas e Políticas de RH mantêm participação equilibrada (~17% cada), reforçando a institucionalização da agenda no campo dos dados e da gestão contínua.

2026 exigirá maturidade técnica e responsabilidade institucional

A partir dos dados analisados e das tendências observadas, 2026 tende a exigir das empresas e lideranças quatro movimentos centrais:

a) Repriorização estratégica nos conselhos

Raça precisa voltar a ser tratada como risco material, risco reputacional e tema de competitividade, não como pauta identitária acessória.

b) Consolidação de métricas e indicadores

Sem sistemas de mensuração, governança e transparência, não há sustentabilidade de longo prazo. A evolução recente em métricas demonstra que o setor privado já aprendeu isso; agora precisa escalar.

c) Proteção das iniciativas já construídas

Em ambientes politicamente voláteis, o risco não é apenas deixar de avançar, é desmontar o que foi conquistado. A blindagem institucional é central.

d) Ampliação de alianças e corresponsabilidade

A retração dos aliados brancos compromete a velocidade da mudança. 2026 demandará engajamento explícito, sobretudo da alta liderança e dos conselhos de administração.

Janela real de oportunidade

Do ponto de vista técnico e institucional, o setor privado brasileiro nunca esteve tão próximo de consolidar a equidade racial como eixo de governança. As bases existem: dados, metodologias, políticas, métricas, práticas de compliance e uma rede crescente de organizações que internalizaram a agenda.

Mas essa consolidação depende de um passo adicional: transformar compromissos em permanência.

Os avanços recentes mostram que, quando há disposição real, mudanças acontecem em ritmo significativo, não simbólico. Empresas que implementaram quase 200 ações afirmativas em três anos demonstram que a transformação é possível, mensurável e estratégica.

Por isso, 2026 não deve ser encarado como um ano de espera, e sim de aprofundamento. É o momento em que conselhos, lideranças e aliados, antigos e novos, precisam garantir que a agenda racial não retroceda, não se disperse e não seja capturada por disputas ideológicas.

A pergunta central para o próximo ciclo não é se as empresas devem agir.

É como e com que governança farão isso.

O futuro da equidade racial no Brasil depende da solidez dessas respostas.


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