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Como a IA está transformando o Direito: estudo em três fases

  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Juliana Nascimento
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*Rafael Grimaldi, co-fundador da Inspira

A inteligência artificial já deixou de ser uma promessa distante para se tornar um elemento central na transformação do setor jurídico. Longe de se limitar ao papel de mero artefato a, ela vem se consolidando como um verdadeiro pilar do mercado, redesenhando a forma como escritórios de advocacia operam e se relacionam com os clientes. No entanto, engana-se quem acredita que essa mudança está ocorrendo de maneira abrupta. A evolução da advocacia guiada pela IA avança em ondas sucessivas, cada uma mais profunda e disruptiva que a anterior. Compreender essas etapas não é apenas uma vantagem competitiva, é também um processo de reflexão para profissionais e escritórios que desejam prosperar nesse novo cenário.

Para compreender essas ondas no setor jurídico, é essencial olhar primeiro para a própria evolução da inteligência artificial. De acordo com a MBIT School e o estudo The 3 Stages of the Greatest Technological Innovation (2024), a IA se desenvolve em três grandes estágios, sendo a primeira a Inteligência Artificial Estreita (ANI), fase atual da maioria das aplicações, voltada para tarefas específicas com alta eficiência, como assistentes virtuais, análise de documentos e reconhecimento de padrões. Na sequência, a Inteligência Artificial Geral (AGI), considerada hipotética, mas prevista por especialistas. Nessa fase, a IA tem capacidades cognitivas comparáveis às humanas, podendo entender, aprender e se adaptar a qualquer domínio do conhecimento.

Por fim, há a Superinteligência Artificial (ASI), o estágio teórico em que a IA superaria amplamente a inteligência humana, aprendendo e melhorando sozinha. Pesquisas como as da MBIT School indicam que, embora a ASI possa resolver problemas globais aparentemente insolúveis, ela também levanta preocupações éticas e de segurança devido ao risco de uso indevido. Essa linha evolutiva não é apenas técnica, mas também redefine setores produtivos inteiros, especialmente do ponto de vista da automação. Para entender como isso acontece no Direito, é importante observar como organizações em geral reagem à IA antes de atingi-la em pleno potencial.

A jornada de aceitação e transformação da IA nas organizações

Segundo diversos estudos sobre transformação digital, incluindo análises de Gemmo.AI, a adoção de tecnologias disruptivas segue um ciclo previsível: ceticismo, choque ao perceber que a IA já executa tarefas humanas, indignação ao constatar que o avanço é mais rápido que o esperado, frenesi para tentar parecer proativo, analisar para definir aplicações reais para a tecnologia e fortalecer com a integração da IA para reforçar pontos fortes da empresa. Por fim, estabilizar, consolidando com novos modelos de negócio robustos, sustentados por culturas de aprendizado contínuo, curiosidade e adaptabilidade.

Atualmente, estamos no estágio da frenesi. E por isso é tão importante já planejar a etapa da estratégia. Três anos após o lançamento das IAs generativas, empresas e escritórios perceberam que não podem mais ficar para trás. A pressão por agir rapidamente leva a iniciativas apressadas — com força-tarefas improvisadas, pilotos desconectados da estratégia e pouca reflexão sobre resultados de longo prazo. Esse comportamento é natural em ciclos de adoção tecnológica disruptiva: a sensação de urgência vem antes da clareza estratégica. Esse é apenas o começo. O que estamos vivendo hoje faz parte da primeira grande onda de transformação da IA no Direito — e duas outras, ainda mais profundas, estão a caminho.

De acordo com o relatório da Thomson Reuters The Future of the Law Firm: No Time for Bystanders Amid AI’s Increasing Influence (2025), a transformação do Direito pela inteligência artificial ocorre em três ondas principais. A primeira onda, que já estamos vivenciando, é de otimização pragmática. O foco é fazer mais com menos, aproveitando a IA para aumentar a eficiência. Ferramentas de IA generativa (GenAI) são usadas para tarefas como pesquisa, revisão e redação de documentos. O objetivo é claro: reduzir custos operacionais e acelerar processos. A pressão dos clientes por preços mais acessíveis torna essa adoção não apenas vantajosa, mas obrigatória.

Nessa fase, a IA atua como um catalisador de eficiência. Ela turbina o trabalho existente, mas não muda fundamentalmente o modelo de negócio. Escritórios que adotam essa abordagem se tornam mais rápidos e econômicos, mas ainda operam sob a lógica tradicional. É o primeiro passo, essencial, mas apenas o começo da jornada. À medida que a IA se torna mais sofisticada, a segunda onda começa a reestruturar o trabalho jurídico. As tarefas repetitivas, que historicamente formaram a base do trabalho de profissionais juniores, são automatizadas. Isso força uma mudança no modelo piramidal dos escritórios, onde muitas advogadas e advogados no início da carreira apoiam um pequeno número de sócios.

Nessa fase, a precificação por hora perde o sentido. O foco se desloca para o valor estratégico entregue ao cliente. Escritórios passam a cobrar por pacotes de serviço ou por resultados, e não mais pelo tempo gasto. A formação dos profissionais também precisa evoluir. Os novos talentos, livres de tarefas básicas, se dedicam desde cedo à análise estratégica e à consultoria, exigindo uma reestruturação do ensino e do treinamento dentro dos próprios escritórios. Aqui, o modelo de negócio é reinventado. Não basta apenas ser eficiente, é preciso repensar toda a estrutura do escritório, desde a contratação de profissionais de tecnologia até a forma como o valor é criado e entregue.

Na terceira e mais transformadora onda, a IA passa a operar com um alto grau de autonomia. Novos modelos de negócio emergem, como escritórios híbridos, produtos jurídicos digitais e consultorias de dados legais. O mercado se consolida de forma drástica: os escritórios que dominaram as ondas anteriores assumem a liderança, enquanto aqueles que não se adaptaram sentem dificuldades. Uma nova classe de advogados e advogadas surge: fluentes em dados, que trabalham lado a lado com engenheiros, cientistas de dados e designers de processos. Eles não são substituídos pela IA, mas sim amplificados por ela. O Direito se torna um ecossistema de soluções, onde a tecnologia e a expertise jurídica se fundem para criar valor de forma inédita.

O veredito já foi dado - e o Brasil é vanguarda nesse aspecto.

O mercado nacional está se destacando globalmente no uso de inteligência artificial. Uma pesquisa recente, conduzida pelo Google em parceria com a Ipsos (2025), revelou que nosso país está acima da média mundial na adoção dessa tecnologia. Segundo o estudo, 54% dos brasileiros já utilizam IA, superando a média global de 46%. A inteligência artificial não é uma ameaça à advocacia, é um catalisador de evolução. O profissional do Direito não vai desaparecer, mas seu papel será recriado, tornando-se mais estratégico, consultivo e focado em gerar valor real para o cliente. A grande questão não é se você vai usar a IA, mas se vai liderar essa transformação ou ser empurrado por ela. O futuro acontece agora.

A questão é: você vai fazer parte dele?

*Rafael Grimaldi é cofundador da legaltech Inspira


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