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Capital de risco impulsiona startups, mas mantém baixa participação de mulheres

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Beatriz Ambrósio - Divulgação Beatriz Ambrósio - Divulgação

Por Beatriz Ambrosio, CEO & Fundadora da Mention*

O investimento em startups brasileiras começa a mostrar sinais claros de retomada após o período de retração que marcou 2023, no entanto, essa recuperação ainda é desigual, especialmente quando se observa o desempenho de negócios liderados por mulheres. De acordo com o estudo da Liga Ventures, apenas 32% das novas empresas de base tecnológica possuem ao menos uma mulher entre as sócias. Ainda assim, esses empreendimentos concentraram 55% do valor investido em venture capital em 2024, um salto expressivo em relação aos 29% registrados em 2023.

Esse dado é positivo, mas não totalmente confortável, pois revela mais uma concentração pontual do que uma mudança estrutural. Embora o aumento da participação de sócias mulheres no volume de investimentos seja expressivo, ele não significa que o ecossistema tenha se tornado amplamente mais inclusivo e sustentável. A realidade mostra que ainda existem barreiras significativas para mulheres empreendedoras, como acesso limitado a redes de investidores, preconceitos implícitos e dificuldades na escalabilidade dos negócios.

Ao mesmo tempo, os sinais de aquecimento do mercado também ajudam a contextualizar esse cenário. Dados da Crunchbase indicam que organizações brasileiras de tecnologia levantaram cerca de US$ 692 milhões no terceiro trimestre de 2025, crescimento de 47% na comparação anual e de 92% em relação ao trimestre anterior. O ecossistema, de fato, mostra indícios de superação do “inverno das startups”, que marcou 2023 como um período de forte retração. Porém, a recuperação não é linear: de acordo com a Tracxn, até outubro de 2025 foram captados apenas US$ 1,63 bilhão em 131 rodadas de equity, representando queda de quase 28% frente ao ano anterior.

Essa mistura de avanços e retrocessos não anula o movimento de retomada, porém mostra como o setor é instável e seletivo. E é justamente nesse cenário que as desigualdades de gênero continuam, porque elas não aparecem só na hora de conseguir investimento, mas muito antes disso. O desequilíbrio começa desde o início da jornada: com menos mulheres criando negócios, menos projetos femininos chegam à fase de testes e validação, e, na prática, apenas uma pequena parcela consegue obter capital de forma contínua.

Mesmo quando há presença feminina no quadro societário, a disputa por investimento é mais difícil, e os dados consolidados podem esconder a hiperconcentração de recursos em poucas iniciativas de grande porte. Essa lacuna estrutural fica ainda mais evidente nos estágios iniciais, onde a sobrevivência dos negócios é decidida. Segundo a Crunchbase, empreendimentos fundados por mulheres receberam apenas 7% do financiamento pre-seed e seed em 2023, um avanço tímido em relação aos 5% registrados em 2015, ainda assim muito distante de indicar progresso real.

É nesse ponto que se define quem poderá escalar, contratar, testar modelos de negócio e chegar aos holofotes das rodadas mais robustas. E aqui está a verdadeira raiz da desigualdade, já que não se trata de falta de competência, mas de acesso. Enquanto certos segmentos absorvem melhor a retomada, como modelos SaaS, soluções de inteligência artificial e plataformas com modelo de recorrência, a lógica que orienta o dinheiro permanece conservadora, e continua privilegiando perfis e trajetórias já validadas pelo mercado, mesmo que isso signifique perpetuar a concentração histórica de oportunidades.

Investidores buscam eficiência e escalabilidade, contudo, isso não deveria se traduzir na perpetuação dos mesmos perfis de fundadores que há anos dominam o topo do funil. Por isso, a discussão precisa ir além do volume de recursos e alcançar uma revisão do sistema que define quem pode sonhar e quem tem chances reais de prosperar. Avanços pontuais são bem-vindos, porém não escondem uma verdade incômoda: o pipeline feminino continua estreito e, sem sua ampliação, nenhum aumento de investimento será suficiente para corrigir o desequilíbrio.

Assim, o movimento reforça a necessidade de repensar o volume de investimento e também a estrutura que determina quem tem acesso a esse capital. Embora haja avanços, como a maior proporção de recursos destinados a startups com mulheres, a grande pergunta agora é se este novo ciclo será finalmente capaz de quebrar padrões históricos ou se continuará reproduzindo a lógica de concentração que define o ecossistema há mais de uma década. Negócios liderados por mulheres inovam, crescem, entregam resultado, e o mercado não pode mais desperdiçar esse potencial.

*Beatriz Ambrosio é CEO e fundadora da Mention, a primeira e maior plataforma SaaS de Relações Públicas do Brasil. Com uma carreira focada em Relações Públicas e tecnologia, além de um mestrado e doutorado em Comunicação Corporativa, ela tem como objetivo transformar o mercado de RP, tornando-o acessível, mensurável e eficaz. Beatriz busca ampliar as fronteiras da comunicação corporativa, mostrando que é possível alcançar alto impacto e baixo custo, especialmente para startups, PME e profissionais autônomos que sabem que investir em reputação é essencial para o crescimento.


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