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Compartilhamento de informações deve transformar a infraestrutura em 2026

  • Crédito de Imagens:Divulgação - Escrito ou enviado por  Nando Rodrigues
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Compartilhamento de informações deve transformar a infraestrutura em 2026

Gary Wong(*)

À medida que as concessionárias de serviços públicos com recursos limitados enfrentam desafios de resiliência e demanda, principalmente de data centers, aquelas que compartilham informações serão capazes de fazer mais com menos, reduzindo o desperdício e evitando gastos redundantes com infraestrutura. A vantagem competitiva da infraestrutura agora deriva de um melhor aproveitamento dos dados industriais, e não da expansão do mapeamento de ativos. Neste contexto, observo três grandes tendencias para o ano 2026.

Plataformas de dados seguras, impulsionadas por IA, para uma cooperação segura

De concessionárias de energia e água a operadores de transporte, complexos industriais e governos municipais, os operadores de infraestrutura já entendem que a resiliência e a eficiência em larga escala dependem da quebra de silos setoriais.

A infraestrutura interconectada já é uma realidade, e o compartilhamento de informações setoriais tornou-se um imperativo comercial. Pesquisadores identificaram como parcerias de dados intersetoriais possibilitam a colaboração e a tomada de decisões baseadas em evidências necessárias para lidar com questões como resiliência e segurança energética, competitividade industrial e riscos ambientais, ao mesmo tempo que fortalecem a cadeia de valor local.

Para a infraestrutura, essas vias de dados seguras — na forma de plataformas em nuvem com Inteligência Artificial (IA) integrada — podem conectar organizações e prevenir falhas em cascata em uma era de crises convergentes, como o estresse climático, o aumento da demanda por eletricidade e as ameaças cibernéticas internacionais.

À medida que mais projetos de infraestrutura são construídos, as exigências governamentais de segurança cibernética e de relatórios forçarão as concessionárias a modernizarem suas práticas de dados. Dentro de cada setor, as tecnologias por trás do medidor — energia solar, baterias, sistemas de reuso de água — exigem gêmeos digitais unificados e controle orientado por IA para um desempenho ideal. Globalmente, conectar dados além das fronteiras institucionais e geográficas poderia gerar um dividendo econômico anual de US$ 3 bilhões, de acordo com dados da McKinsey.

Otimizar a interdependência entre água e energia está se tornando crucial

À medida que a colaboração radical entre setores se torna mais comum, vemos um número crescente de operadores de infraestrutura reconhecendo o nexo água-energia como um problema de otimização conjunta. Durante um século, esses dois serviços operaram de forma independente. Isso mudará até 2026.

O maior consumidor de eletricidade na rede é tipicamente a concessionária de água, enquanto os sistemas de água perdem bilhões de litros e consomem enormes quantidades dessa mesma eletricidade.

Além disso, o crescimento dos data centers agravará o problema: até 2030, a demanda de eletricidade dos data centers em todo o mundo mais que dobrará, chegando a cerca de 945 TWh, um pouco mais do que todo o consumo atual de eletricidade do Japão. Cada um desses terawatts-hora requer água para resfriamento. Uma abordagem de "sistema de sistemas" pode reduzir o consumo e melhorar a sustentabilidade, beneficiando ambos: a concessionária de água economiza dinheiro usando menos eletricidade por meio da eficiência, enquanto a concessionária de energia elétrica reduz a pressão sobre a rede.

O estado indiano de Maharashtra — lar de 112 milhões de pessoas — está liderando o caminho com ecossistemas interconectados para lidar com os efeitos das mudanças climáticas. A iniciativa Connected Maharashtra visa transformar e interconectar os departamentos de água, energia e infraestrutura por meio da análise de dados em tempo real, manutenção preditiva e otimização operacional nos próximos anos.

IA: de tendência à realidade

A maioria das empresas (88%) relata usar Inteligência Artificial regularmente em pelo menos uma função de negócios, de acordo com uma pesquisa da McKinsey de 2025. Impactos reais já estão sendo observados, com a IA generativa proporcionando melhorias de produtividade de até 30% para as empresas que a integraram precocemente. A infraestrutura já apresentou sucessos significativos, como na cidade de Salem (Oregon, EUA), onde a tecnologia previu a proliferação de algas nocivas em reservatórios.

Esses avanços se expandirão para muitos outros casos de uso à medida que cresce a adoção de plataformas de dados baseadas em nuvem com IA, e se estenda o compartilhamento de dados a órgãos reguladores e parceiros.

O Gartner prevê que 40% dos aplicativos corporativos terão agentes de IA específicos para tarefas até 2026, sugerindo que plataformas para automação, gerenciamento e integração de dados serão mais importantes do que nunca.

À medida que a IA se torna mais acessível às equipes operacionais — e não apenas aos cientistas de dados — a expertise em negócios impulsionará os resultados diários. Por exemplo, o uso de Aceleradores Industriais fornece às concessionárias modelos pré-configurados e fluxos de trabalho comprovados para acelerar as implementações, permitindo acesso mais rápido a dados contextualizados, melhor conformidade e operações mais resilientes em um setor altamente regulamentado e com poucos investimentos.

Mas o que essas tendências significam para cada setor?

Ao entrarmos em 2026, os setores de infraestrutura crítica vão passar por uma profunda transformação impulsionada pelo aumento da demanda, pelas exigências de resiliência climática e pela ascensão da IA. Plataformas de nuvem híbrida, análises baseadas em Inteligência Artificial e ecossistemas de dados conectados são fundamentais para impulsionar essa mudança, permitindo que os operadores modernizem, descarbonizem e otimizem em escala.

Cada subsetor enfrenta pressões semelhantes, mas responde de acordo com seus recursos, regulamentações e demandas das partes interessadas:

Energia e Serviços Públicos

Devemos observar aqui uma dupla transição. O aumento da demanda por eletricidade, impulsionado por veículos elétricos, bombas de calor e data centers com inteligência artificial, aliado a metas ambiciosas de descarbonização, está criando a necessidade de uma infraestrutura robusta para as redes elétricas. Os gastos globais com redes elétricas giram em torno de US$ 400 bilhões anualmente, mas estão muito aquém do US$ 1 trilhão investido em geração, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA).

Garantir a segurança energética exigirá um aumento rápido e contínuo na modernização e resiliência das redes. Redes inteligentes, microrredes e gêmeos digitais são essenciais para equilibrar as energias renováveis e a volatilidade da carga. A IEA indica que até 175 GW de capacidade de transmissão adicional poderiam ser liberados em linhas existentes por meio do uso de inteligência artificial. A IA e a análise de dados estão sendo cada vez mais utilizadas para manutenção preditiva, adequação de recursos e orquestração da rede. Uma camada neutra de dados operacionais e inteligência conectada em escala de rede são agora diferenciais importantes.

Saneamento

A infraestrutura envelhecida, o estresse climático e as crescentes ameaças cibernéticas estão impulsionando as empresas de água e esgoto rumo à transformação digital, e veremos aumentar a adoção da modernização de sistemas SCADA, sensores de IoT e IA para detecção de vazamentos, monitoramento da saúde de ativos e da qualidade da água. Práticas circulares — como reuso e recuperação de nutrientes — estão ganhando força.

Plataformas SCADA híbridas e análises baseadas em IA estão ajudando entidades como o Condado de Gwinnett e o Distrito de Saneamento do Condado de Los Angeles, nos Estados Unidos, a economizarem milhões de litros de água anualmente e a prevenirem incidentes ambientais.

Com mais de 70% das empresas de água e saneamento dos EUA deixando de atender aos padrões básicos de segurança cibernética, plataformas de inteligência conectadas baseadas em nuvem são essenciais para o compartilhamento seguro de dados com órgãos reguladores e parceiros.

Edifícios, instalações e cidades inteligentes

Edifícios e cidades inteligentes estão se tornando cada vez mais integrados, orientados por dados e resilientes às mudanças climáticas. Dotados de sistemas de energia e climatização otimizados por IA, eles podem reduzir o consumo de energia em até 25%. Estamos observando cidades implementarem gêmeos digitais para gerenciar tráfego e serviços públicos, além de responder a emergências em tempo real.

Instalações que unificam operações e infraestrutura urbana estão progredindo rumo à energia líquida zero (como a Universidade Stanford) e podem reduzir os tempos de resposta a emergências críticas em uma média de 60% (como a cidade inteligente de Nava Raipur, na Índia). Espera-se, para o próximo ano, um crescimento contínuo em plataformas híbridas que unificam dados de edifícios, energia e meio ambiente.

Clusters industriais conectados e países conectados

Ao longo de 2026, vamos observar clusters industriais conectados e ecossistemas de infraestrutura nacional se consolidarem como imperativos estratégicos para resiliência, eficiência e sustentabilidade. Governos e líderes da indústria estão investindo em plataformas digitais unificadas — gêmeos digitais nacionais ou regionais — que integram dados de energia, água, transporte e manufatura.

Essas estruturas de “países conectados” aproveitam arquiteturas de nuvem híbrida para agregar, contextualizar e compartilhar dados operacionais com segurança entre organizações e regiões.

Ao eliminar silos e permitir a colaboração em tempo real, esses ecossistemas desbloqueiam oportunidades de co-otimização, aprimoram a consciência situacional e aceleram a descarbonização.

O Conselho Industrial de Kwinana, na Austrália, por exemplo, obteve uma compreensão mais detalhada dos insumos, produtos, resíduos e emissões de seus membros, o que pode levar à redução de custos, emissões e geração de mais empregos. O sucesso dependerá de plataformas que forneçam o banco de dados seguro e as análises necessárias para orquestrar esses ambientes com múltiplas entidades, transformando ativos distribuídos em redes coordenadas e inteligentes.

Centros de dados (industriais e de hiperescala)

Os data centers são uma infraestrutura crítica e, ao mesmo tempo, grandes consumidores de energia. Nos EUA, a projeção é de que o consumo de eletricidade triplique até 2028 e, entre 2030 e 2035, eles poderão representar 20% do consumo global de eletricidade.

Os operadores estão migrando de instalações de TI isoladas para operações integradas, preditivas e resilientes. A IA é fundamental para essa evolução, otimizando o resfriamento, o consumo de energia e o tempo de atividade.

O gerenciamento inteligente de dados e a análise em nuvem híbrida permitem que líderes como eBay e PayPal unifiquem dados de TI/TO, reduzam interrupções e se preparem para cargas de trabalho orientadas por IA. Além disso, sustentabilidade e autossuficiência (por exemplo, com energia renovável no local ou reaproveitamento de calor) estão se tornando prioridades diante da pressão regulatória e da comunidade.

(*) Gary Wong é o líder global da AVEVA para Energia, Utilities e Infraestrutura


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