Brasil,

TOKIO MARINE SEGURADORA

Monitoramento possibilita prevenção de acidentes no trabalho nos mares

Com recursos tecnológicos cada vez mais avançados, prática tem se expandido para além do campo da produção industrial, podendo ser utilizado, também, na garantia da segurança de barragens em áreas de mineração ou do transporte de cargas

Com o advento da Internet of Things, uma série de novas ferramentas foram criadas para mitigar os acidentes no contexto laboral

O monitoramento remoto de atividades laborais com objetivo de atuar na prevenção de acidentes é uma das principais ferramentas oferecidas pela Internet of Things (“Internet das Coisas”, em tradução livre) no âmbito da Indústria 4.0, conceito também conhecido como “Quarta Revolução Industrial”. Com recursos tecnológicos cada vez mais avançados, a prática tem se expandido para além do campo da produção, podendo ser utilizado, também, por exemplo, para garantir a segurança de barragens em áreas de mineração ou do transporte de cargas por meios terrestres e marítimos.

Uma das áreas que tiveram grande impacto com o advento da IoT (Internet of Things) foi a de SST (Saúde e Segurança do Trabalho), que pôde contar com uma série de novas ferramentas para mitigar os acidentes no contexto laboral. Um bom exemplo nesse sentido foi a adoção do uso de drones para inspeções em áreas de difícil acesso, como telhados, em uma atividade de risco que antes era associada diretamente ao trabalho humano.

O uso da tecnologia, neste caso, pode ser de grande valia para atenuar um cenário que exige ainda mais cuidados, visto que, segundo dados do Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) do Ministério da Saúde, o número de acidentes de trabalho graves notificados cresceu cerca de 40% em 2020, saltando de 94.353 em 2019 para 132.623 no ano passado. Analisando um período maior - e anterior a este -, dados do Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho dão conta que o Brasil registrou 16.455 mortes e 4.5 milhões acidentes entre 2012 e 2018.

Além do monitoramento remoto, outros instrumentos da IoT, como o uso de algoritmos para a análise de dados de acidentes de trabalho e a inserção de Inteligência Artificial (IA) para controle simultâneo de situações de risco de acidentes, bem como o uso da Realidade Aumentada para a antecipação de riscos e a realização de auditorias de acidentes, também são de extrema importância para a área de SST.

Estes instrumentos, além do uso de satélites, são utilizados na prevenção de acidentes de maior envergadura, como possíveis rompimentos de barragens de mineração, como os registrados recentemente nas cidades mineiras de Mariana (2015) e Brumadinho (2018), que, além do grave impacto ambiental, deixaram 19 e 270 mortos, respectivamente.

Monitoramento remoto em mares previnem acidentes

O transporte de cargas, seja ele feito por vias terrestres ou marítimas, também necessita de sistemas de efetiva vigilância para a prevenção de acidentes. No segundo caso, analisando dados globais de 2020 fornecidos pelo Maritime Bulletin, foram registrados 945 acidentes graves envolvendo navios de cargas em todo o mundo, sendo 55 embarcações totalmente danificadas - além disso, tais incidentes resultaram em 294 vítimas fatais.

Nos mares, as estratégias de monitoramento remoto para a prevenção de acidentes podem ser realizadas nos próprios navios ou mesmo nas boias que indicam os caminhos a serem seguidos pelas embarcações - a ausência de um destes objetos sinalizadores no local onde deveriam estar ou, ainda, o mau posicionamento destes podem, afinal, ocasionar graves acidentes.

“A sinalização náutica é fundamental para proporcionar segurança para a navegação. Mas garantir o bom funcionamento de boias e faroletes não é tarefa fácil para autoridades portuárias, marítimas, portos, terminais e operadores portuários. Imagina ter um acidente devido à ausência de uma boia verde na entrada de um canal ou ainda uma colisão de navio com a haste de uma boia articulada que perdeu flutuação na bacia de evolução”, comenta Marcos Cueva, diretor da Oceânica.

Monitorar o funcionamento adequado destas boias, portanto, é uma opção que tem se mostrado eficaz para boas navegações. O sistema XBUOY, por exemplo, se dá por meio da instalação de uma central de telemetria em boias convencionais, possibilitando que informações de posição, funcionamento da lâmpada e situação do sistema elétrico sejam transmitidos para um computador ou celular. Utilizando as funções de alerta, é possível receber um e-mail ou SMS sempre que houver um desgarre, pane elétrica ou até mesmo uma colisão causada por uma embarcação.

“A substituição de uma boia perdida pode custar ao responsável mais de meio milhão de reais, e o custo com acidentes chega a ser intangível quando incluímos impactos ambientais e vidas perdidas”, afirma Cueva, que por meio das empresas Oceânica e Tegris, oferece tais serviços de monitoramento de sinalização náutica.

Para o executivo, sistemas como o XBUOY possibilita que “todos os canais de acesso balizados, hidrovias, portos e terminais no mundo possam utilizar o sistema sem substituir suas boias, reduzindo significativamente a necessidade de inspeções presenciais”, sem que haja a necessidade de inspeções presenciais.


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